Boeing 737 MAX da Southwest estocados na Califórnia: prejuízo incalculável (Peter Muller via Twitter)

A Boeing está se aproximando velozmente de uma situação constrangedora. Se os cancelamentos de pedidos do 737 MAX continuarem no ritmo atual, dentro de algumas semanas a fabricante dos EUA terá perdido o equivalente a toda produção do jato desde que as agências de aviação civil proibiram sua operação.

Segundo a consultoria britânica Cirium, até o momento ocorreram 313 cancelamentos de encomendas do 737 MAX. Desde que o jato foi aterrado, em março de 2019, estima-se que a Boeing concluiu a produção de cerca de 400 aeronaves. Ou seja, seria como se todo esse trabalho tivesse sido em vão.

A empresa decidiu manter o ritmo de produção mesmo com evidências de que a recertificação da aeronave demoraria bastante tempo. Com isso, a Boeing chegou ao final de 2019 com pátios e aeroportos lotados de aviões prontos e proibidos de serem entregues. A saída foi paralisar a linha de montagem em janeiro, mas quatro meses depois os trabalhos foram retomados, embora numa cadência mais lenta.

Copo meio cheio, meio vazio

Esse panorama incomum certamente tem prós e contras. Os cancelamentos estão liberando espaço na fila de entregas, o que significa que alguns clientes podem não ter de esperar muito tempo pelos seus aviões. Mas por outro lado, pode se traduzir em um longo período de lenta produção caso mais aeronaves sejam canceladas ou tenham sua entrega postergada.

Nesse cenário, a Boeing teria um “estoque” grande de aeronaves para entregar, impedindo que a linha de montagem volte a produzir no ritmo pré-crise. Ou seja, mais desempregos na cadeia produtiva.

Além dos 400 aviões prontos, há cerca de 380 unidades do 737 MAX que estavam operando antes do aterramento. Resta saber quantos clientes ainda verão o jato com bons olhos mesmo quando eles forem liberados para o serviço normal. Se houver uma rejeição ao modelo, então a situação será ainda mais complicada para a fabricante.

Por enquanto, a Boeing ainda mantém uma invejável lista de pedidos a serem entregues. Até maio, ela possuía 3.776 unidades no seu “backlog”, mas apenas 37 delas foram de pedidos após a proibição dos voos do 737 MAX.

No próximo balanço, a empresa deve revelar números menores ainda já que ao menos um novo cancelamento constará da lista, o da empresa de leasing BOC Aviation, que desistiu de receber 30 aeronaves na semana passada.

Até voltar à voar, o 737 MAX deve continuar a “sangrar” semana a semana. Resta saber se o retorno do avião aos céus será suficiente para “estancar a hemorragia”.

Boeing 737 MAX da Norwegian Air: companhia norueguesa cancelou 92 pedidos do jato (Divulgação)

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