China inicia produção de turbo-hélice comercial MA700

Aeronave com medidas e desempenho semelhantes aos do tradicional ATR 72 deve chegar ao mercado a partir de 2021
O MA700 já conta com 185 encomendas de 11 clientes; avião poderá transportar até 86 passageiros (Divulgação)
O MA700 já conta com 185 encomendas de 11 clientes; avião poderá transportar até 86 passageiros (Divulgação)
O MA700 já conta com 185 encomendas de 11 clientes; avião poderá transportar até 86 passageiros (Divulgação)
O MA700 já conta com 185 encomendas de 11 clientes; avião poderá transportar até 86 passageiros (Divulgação)

A China iniciou no final de dezembro de 2017 a produção de mais um novo avião comercial, desta o modelo turbo-hélice MA700. A aeronave é projetada pela Xi’an Aircraft Industrial Corporation, empresa que faz parte do grupo AVIC, controlado pelo governo chinês. O desenvolvimento do aparelho faz parte da estratégia de Pequim para impulsionar a aviação regional no país.

Segundo reportagem da agência Xinhua, a produção foi iniciada com partes estruturais da aeronave e componentes da porta de carga, que serão fornecidos por empresas chinesas subordinadas a AVIC. A publicação ainda apontou que o primeiro voo do MA700 está programado para novembro de 2019, enquanto sua certificação operacional e chegada ao mercado são esperados para 2021.

Na definição no fabricante, o MA-700 é um turbo-hélice comercial de alta velocidade e médio alcance. Dados preliminares da AVIC apontam que aeronave poderá alcançar a máxima de 640 km/h (com velocidade de cruzeiro estimada entre 550 km/h e 580 km/h) e percorrer até 1.500 km com peso máximo de 27.600 kg (ou 2.700 km, em voos de deslocamento sem cargas ou passageiros a bordo). Já a cabine é projetada para acomodar entre 78 e 85 passageiros.

Essa capacidade e desempenho aproximam o futuro avião chinês do ATR 72, hoje o turbo-hélice comercial mais vendido no mundo – no Brasil, aviões da ATR voam com a Azul e a MAP Linhas Aéreas, de Manaus (AM). A aeronave da AVIC, porém, é ligeiramente superior em porte e performance comparada ao tradicional modelo da fabricante ítalo-francesa controlada pela Airbus.

Segundo a AVIC, o MA700 poderá voar a velocidade máxima de 640 km/h (Divulgação)
Segundo a AVIC, o MA700 poderá voar a velocidade máxima de 640 km/h (Divulgação)

O programa de desenvolvimento do MA700 foi anunciado pela AVIC em 2007. Desde então, mesmo sem ainda ter o produto construído, a fabricante chinesa já recebeu 185 pedidos de 11 clientes pelo novo turbo-hélice. Além de pedidos de companhias aéreas e grupos de leasing de aeronaves da China, o avião também foi encomendado por empresas da África do Sul, Barein, Cambodja, Nepal e Paquistão.

O MA700 é um dos quatro aviões comerciais em desenvolvimento atualmente na China e o único nesse segmento impulsionado por motores turbo-hélice. Outros projetos em andamento no país são comandados pela COMAC, outra fabricante estatal chinesa, com os jatos C919 e CR929 (projetado em parceria com a UAC, da Rússia) e o ARJ21, o primeiro avião comercial chinês a ser certificado.

O MA700 supera o ATR 72 em quesitos como capacidade de passageiros e velocidade máxima (Divulgação)
O MA700 supera o ATR 72 em quesitos como capacidade de passageiros e velocidade máxima (Divulgação)

A indústria aeronáutica chinesa já possui certa experiência na fabricação de aviões com motores turbo-hélice. A própria AVIC tem em seu catálogo os modelos MA60 e MA600, lançados na década passada.

Veja mais: Aviões “Made in China”

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Giuliano
Giuliano
3 anos atrás

Bom…se os aviões chineses forem iguais aos carros chineses, me avisem de não voar pelos interiores na China, a questão é que esses projetos me parecem imposições do Governo Comunista de Pequim que certamente força as Companhias locais a se comprometerem com a compra do modelo, o resto do mundo é meio reticente a aviões Fabricados na China, todo quer ver para crer primeiro antes de sair comprando avião Chinês, se é econômico, se é confiável, e muitas outras coisas, se carro que é mais simples, eles copiam dos outros, imagina avião…

antonio carlos
antonio carlos
3 anos atrás

parece com o ATR da Airbus. Tudo se copia na mundo comunista

Claudio Lemes Louzada
Claudio Lemes Louzada
3 anos atrás

A China entrega os produtos com a qualidade desejada pelos clientes. Pode ser produto de $1,99 até aeronaves, estas já estão sendo produzidas em fábricas e materiais dentro dos padrões exigidos nos Estados Unidos e Europa e também devem receber certificação FAA e EASA, mas ainda há obstáculos regulatórios. Tolo de quem pensar que os Chineses não tem tecnologia para disputar os principais segmentos da aviação, inclusive com o ‘best seller’ Airbus A320 e Boeing B737. A China será o terceiro maior fabricante mundial de aeronaves em 15 anos.
O MA700 já difere do modelo Ítalo-Europeu (Grupo Leonardo 50% + 50% Consorcio Airbus) ATR na capacidade de passageiros, 85 lugares. Se você configurar o ATR com pitch apertado 28’ sua capacidade máxima será de 77 passageiros. Os motores e a velocidade de cruzeiro são outro GRANDE diferencial como a reportagem frisou. Performance, desempenho e peso mais leve para o transporte de 85 passageiros indicam que pode ser superior ao ATR, então as semelhanças são só externas e de opinião da reportagem. Baixo custo de produção e escala são também fatores decisivos no marketig e comercialização da aeronave em 2021, data da primeira entrega. Além do MA60 e MA600, a China produz o Avic-Harbin Y12 de 17 passageiros homologado pelo FAA. Em dezembro passado 2 aeronaves desse modelo foram entregues a Costa Rica.
A maior novidade em turboélices comerciais pode surgir da Embraer com um turboélice de 120 lugares motorizado com o Europrop TP400-D6 com menor potencia ou se a GE lançar seu próprio motor derivado de modelo militar.
Queiramos nós ou não, a China será um dos maiores fabricantes de aeronaves comerciais do mundo. Saudações,

Tetsuo Shimura
Tetsuo Shimura
3 anos atrás

Claudio Lemes Louzada é coisa rara encontrar comentários inteligentes como o seu, pois, brasileiros tem inveja do sucesso alheio e ver os fracassos nacionais. Sonham e deliram que a Embraer produz aviões brasileiros e sequer questionam quem é o fornecedor das tintas usadas que precisam resistir a temperaturas de -70ºC a 50ºC ou quem fornece rebites de precisão para montagem das fuselagens ou ainda que empresa de alumínio fornece as chapas que depois de moldadas precisam de cura em fornos…. sequer os pneus dos aviões da Embraer nascem em solo brasileiro, mas meter o pau nos fabricantes chineses mostra ainda a sacrosanta ignorância de brasileiros iletrados.

Fernando
Fernando
3 anos atrás

Pessoal falar mal da China e dar tiro no pé . A China vai dominar o mundo em alguns anos . Sou comandante , voo na Ásia e concordo com o Claudio Louzada . Os aeroportos chineses nao devem nada para os mais modernos do mundo . O chinês como ele diz tem tecnologia para todos os bolsos assim como qualidade para todos os bolsos .
Na Ásia a cultura e bem diferente da ocidental, método de aprendizado , trabalho , valores . Esquece aquilo que víamos de chinês só copiar etc , isso e passado . Eles fazem e desenvolvem tecnologia de ponta . Evidente que nao teem o menor pudor de copiar , mas se hoje for para copiar e para entregar um produto bem superior . Esquece Chinês com produto ruim , eles sao bons sim .
Sou piloto de Airbus , mas me vejo no futuro voando avião Chinês , que acredito que terá tanta qualidade quando Boeing, Airbus , Embraer a um preço pelo menos 10 milhões de dólares a menos .
Lembre-se o único pais que tem tecnologia para Avioes Stealh é a China , tecnologia desenvolvida por eles . Nenhum outro pais tirando Estados Unidos e China tem essa tecnologia

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