Coronavírus: Maioria das companhias aéreas pode falir até maio

Consultoria dos EUA recomenda ajuda imediata de governos do mundo todo para evitar o colapso de empresas aéreas
Boeing 737 MAX da Norwegian Air: filial brasileira a caminho? (Divulgação)

O avanço da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) está secando a demanda no transporte aéreo de uma maneira completamente sem precedentes e pode deixar um rastro de empresas falidas. Temendo o pior dos cenários, a consultoria CAPA (Center for Asia Pacific Aviation) alertou que até o final de maio de 2020 a maioria das companhias aéreas do mundo pode fechar suas portas.

A organização afirma que o impacto do coronavírus no mercado e as restrições de voos em diversos países poderão levar muitas companhias à falência técnica. São empresas que vão acumular dívidas com aluguel de aeronaves, atrasar pagamentos de funcionários e taxas operacionais, entre outros custos, até encerrarem rapidamente suas atividades.

A associação explica que as reservas de caixa das empresas aéreas, sempre sensíveis ao humor da economia, estão diminuindo rapidamente à medida que as aeronaves são aterradas e as frequências de voos reduzidas drasticamente ou canceladas.

Segundo dados do FlightRadar24, o número de voos rastreados no mundo todo até o dia 11 de março caiu 4,9% comparado ao mesmo período em 2019 (1.130,536 voos comerciais contra 1.188,221 voos). Em fevereiro, a queda foi de 4,3% (2,983,575 voos contra 2,855,335 voos).

A análise da consultoria aponta que é necessária uma ação coordenada imediata de governos e da indústria para “evitar uma catástrofe” no mercado de transporte aéreo. Em vez disso, cada nação está adotando a solução que lhe parece mais adequada, certa ou errada, sem considerar seus vizinhos ou parceiros comerciais.

O presidente Donald Trump, por exemplo, anunciou na última semana o cancelamento efetivo de voos entre os EUA e a Europa sem avisar com antecedência seus colegas da União Europeia. A decisão do presidente americano derrubou (e continua derrubando) as ações de companhias do mundo todo e ainda não há um horizonte de normalidade, continua a consultoria.

A aviação pós-coronavírus

No momento, a CAPA diz que a resposta dos governos à crise das companhias aéreas deve ser fragmentada, afrouxando regras para a entrada de novos investidores, e com subsídios nacionais para resgatar um grupo selecionado de empresas.

Alguns dos “sobreviventes” da crise são evidentes, diz a consultoria. As companhias aéreas da China, apoiadas pelo governo, devem suportar os impactos da baixa demanda e estarão prontas para retomar todas as atividades quando a pandemia for controlada.

Com a segurança do governo chinês, preços das ações das empresas chinesas vêm mantendo certa estabilidade nos últimos três meses, com perdas abaixo de 10%. Enquanto isso, o valor de outras grandes companhias aéreas internacionais caíram 50% ou mais.

De acordo com a CAPA, as principais empresas dos EUA, apoiadas por sindicatos, já estão fazendo lobby para conseguir subsídios do governo. Outros países da Europa, e talvez até toda União Europeia (UE), devem fornecer apoio para algumas companhias aéreas. Também é provável que transportadoras do Oriente Médio receberão aportes de cofres públicos para superar a crise.

E no Brasil?

Com mais de 200 casos de Covid-19 confirmados no Brasil, as empresas aéreas nacionais ligaram o sinal de alerta. Com a demanda quase inexistente, Azul, Gol e Latam Airlines suspenderam voos internacionais e estão reduzindo frequências domésticas. Como resultado, o valor de suas ações estão desabando em ritmo preocupante.

A Gol é a maior prejudicada nesse período, com uma desvalorização que já passa de 73%. Em janeiro, cada ação da companhia podia ser negociada no Ibovespa por cerca de R$ 37. Hoje custam em torno de R$ 9. No mesmo índice, o valor das ações da Azul caiu 64% entre janeiro e março, passando de R$ 62 para cerca de R$ 19 nesta segunda-feira (16/3).

As ações da Gol caíram mais de 73% entre janeiro e março (Thiago Vinholes)

A situação também incomoda o grupo Latam Airlines (que inclui a divisão brasileira). As ações da empresa são negociadas na bolsa de valores de Santiago e na Nasdaq. No índice norte-americano, o valor da empresa caiu 53% (US$ 10,4 em janeiro contra US$ 4,9 nesta segunda-feira, 16 de março) desde o início da crise do Covid-19.

Governo brasileiro anuncia ajuda

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, informou hoje que 50% dos voos internacionais e 30% dos voos domésticos já foram cancelados pelas companhias aéreas. Segundo o parlamentar, a situação vai se agravar nas próximas duas semanas e os cancelamentos de voos internacionais pode chegar a 70% e, dos voos domésticos, a 50%.

Com a forte queda à vista, o ministro confirmou que serão adotadas diversas medidas para evitar o colapso financeiro das empresas brasileiras. As ações que serão anunciadas hoje incluem a suspensão do pagamento de PIS-Cofins, contribuições previdenciárias e taxas aeroportuárias por três meses, abertura de linhas de crédito e financiamento, e a permissão para as companhias realizarem os reembolsos aos passageiros em 12 meses, e não de imediato, como é hoje.

O parlamentar afirmou que essas medidas vão ajudar as empresas, incluindo as regionais, a reduzirem seus custos durante a pandemia e evitar o cancelamento de voos para regiões mais remotas do Brasil.

País da América do Sul com mais casos do novo coronavírus, o Brasil ainda não impôs nenhuma restrição sobre o transporte aéreo, diferentemente de Argentina, Paraguai, Venezuela, que já fecharam seus aeroportos para voos oriundos de regiões com casos de Covid-19.

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