Coronavírus: Trump ordena paralisação de voos da Europa para os EUA

Medida entra em vigor na sexta-feira (13) e vale por no mínimo 30 dias; única exceção são viagens para o Reino Unido e voos de carga
Nem tão American assim… Maior companhia do mundo, a American Airlines opera mais de 400 jatos da Airbus (Russel Lee)
A proibição de voos entre os EUA e países da Europa terá duração mínima de 30 dias (Russel Lee)

O presidente Donald Trump anunciou na noite desta quarta-feira, 11 de março, a suspensão de voos comerciais de grande parte da Europa para os EUA por um período mínimo de 30 dias para impedir a propagação do surto do novo coronavírus, que agora é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma pandemia. A restrição começa a valer na sexta-feira, 13 de março.

“Para impedir que novos casos do novo coronavírus entrem no nosso país, suspenderei todas as viagens da Europa para os Estados Unidos pelos próximos 30 dias”, disse Trump em pronunciamento realizado na Casa Branca. A única exceção serão os voos procedentes de aeroportos do Reino Unido, além de voos exclusivos de carga.

Segundo a CNN, os EUA registraram está quinta-feira (12) 1.285 casos confirmados de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, e 38 óbitos.

A medida anunciada por Trump representa uma mudança radical em sua postura sobre o surto da doença. Até então, o presidente dos EUA vinha minimizando a ameaça .

“Avançamos com ações antecipadas contra a China que salvaram vidas”, disse Trump. “Agora devemos tomar a mesma ação com a Europa”, acrescentou.

Após o pronunciamento de Trump, autoridades de segurança interna dos EUA explicaram que a restrição vale somente a estrangeiros que, nos últimos 14 dias, estiveram em algum dos 26 países da chamada Área Schengen. A medida também não se aplica a cidadãos norte-americanos, residentes permanentes e parentes imediatos.

Os países signatários do Acordo de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas, são os seguintes: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, França, Finlândia, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia , Luxemburgo, Liechtenstein, Malta, Noruega, Holanda, Polônia, Portugal, República Checa, Suécia e Suíça.

União Europeia condena medida de Trump

Líderes da União Europeia (UE) condenaram a proibição repentina de voos entre a Europa e EUA ordenada por Donald Trump. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a crise do coronavírus “não se limita a nenhum continente” e que o combate a pandemia “requer cooperação” entre os países em vez de ações unilaterais.

“A União Europeia desaprova o fato da decisão dos EUA de impor uma proibição de viagens ter sido tomada unilateralmente e sem consulta”, afirmou Ursula, em comunicado conjunto com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Em seu pronunciamento, Trump ainda culpou a União Europeia por não agir com rapidez para conter a epidemia e afirmou que os casos registrados nos EUA foram “semeados” por viajantes europeus

A presidente da Comissão Europeia rebateu a declaração do presidente dos EUA, insistindo que a UE está “tomando providências severas” para limitar a propagação do coronavírus.

E o Brasil?

O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (12) que o número de casos confirmados de Covid-19 no Brasil subiu para 73. Apesar da ameaça bater à porta do país, o governo ainda não tomou nenhuma providência para restringir a entrada de pessoas que estiveram nas áreas mais afetadas pelo coronavírus.

Após minimizar a crise, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, admitiu pela primeira vez nesta quarta-feira (11) a gravidade da situação no Brasil e pediu ao Congresso que libere R$ 5 bilhões em recursos para combater o avanço do coronavírus no território nacional.

Veja mais: Ofuscado pelo coronavírus, aterramento do 737 MAX completa um ano

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