A Oman Air decidiu trocar 10 737 Max encomendados por quatro 787 (Steve Lynes)

Após terminar janeiro sem uma única aeronave encomendada, a Boeing enfim conseguiu fechar os primeiros pedidos por seus aviões comerciais em 2020. Em fevereiro, a fabricante dos EUA obteve em tese 18 novas encomendas, todas do 787 com exceção de um cargueiro 767-300F para a Federal Express. No entanto, o saldo do mês voltou a cair com o cancelamento de outros pedidos, sobretudo do 737 Max.

Segundo a empresa, a Air Lease Corporation fechou um pedido de três 787-9 e a Oman Air para outros quatro aviões do mesmo modelo, mas por meio de conversões (leia mais à frente). A Boeing ainda contabilizou outros dez Dreamliner para clientes não identificados (sete 787-10 e três 787-9).

Como a fabricante confirmou a baixa de quatro 787, um 777 e 41 737 Max, o saldo até fevereiro é negativo em 25 aviões. Parte desses cancelamentos envolveu a mudança de encomendas como o pedido da Air Lease Corporation, que trocou nove 737 Max pelos três 787-9 e a Oman Air, que substituiu 10 737 pelos quatro Dreamliner.

A Air Canada e a Japan Investment Advisors, por sua vez, cancelaram pedidos para onze e dez jatos da série Max. Agora, a Boeing possui um backlog (pedidos a serem entregues) de 5.567 aeronaves, 81% delas do 737 Max (4.507 unidades).

A Boeing registrou ainda a entrega de 17 aviões no mês passado, a absoluta maioria da família 787. Foram oito 787-9, três 787-10, um 787-8, um 777F, três 767-300F e um P-8 Poseidon, variante militar do 737-800.

A Air Canada recebeu o 100º 737 MAX de série produzido pela Boeing (Divulgação)

A Air Canada cancelou encomenda de 11 jatos 737 Max em fevereiro (Divulgação)

Airbus sem pedidos

Se serve de consolo para a Boeing, sua rival Airbus não fechou nenhum pedido em fevereiro. A fabricante europeia, no entanto, tem um backlog de 7.670 aeronaves após entregar 55 unidades no mês passado.

A família A320 respondeu por 40 dessas entregas (37 da versão NEO e três da CEO) enquanto o A220 teve quatro aviões enviados aos seus clientes. Entre os widebodies, foram entregues sete A350-900, incluindo o primeiro para a Aeroflot, e dois A350-1000, além de dois A330 (um A330-900neo e um A330-300 para a Aer Lingus).

Com o avanço do coronavírus e a queda na demanda de passageiros, é provável que os números de Boeing e Airbus nos próximos meses sejam drasticamente afetados por conta de postergamentos solicitados pelos clientes.

A Airbus não teve pedidos em fevereiro, mas entregou 55 aviões, entre eles o primeiro A350 da Aeroflot (Airbus)

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