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A Ethiopian Airlines parou sua frota de 737 MAX após o acidente em Addis Abeba; paralisação mundial aconteceu somente três dias depois da tragédia que deixou 157 mortos (Boeing)

Principal manchete do noticiário aeronáutico nos últimos meses e agora ofuscada pela crise do coronavírus, o aterramento do Boeing 737 MAX completa nesta terça-feira, 10 de março, um ano de duração. Foi nessa data em 2019 que um modelo MAX 8 da companhia Ethiopian Airlines caiu nos arredores de Addis Abeba, na Etiópia, matando todos os 157 ocupantes que estavam a bordo e dando início a paralisação da aeronave. Cinco meses antes, um jato igual operado pela Lion Air já havia caído na Indonésia, deixando um total de 189 mortos.

Investigações apontaram que os dois acidentes tiveram características parecidas. Ambos foram causados pelo mau funcionamento do sistema MCAS (sigla em inglês para “Sistema de Ampliação de Características de Manobra”), equipamento que deveria corrigir automaticamente a posição do avião em situações de instabilidade, mas que acabou literalmente forçando as aeronaves a um mergulho mortal. Além disso, os pilotos não eram treinados para lidar com essa pane.

A primeira ordem de aterrar o jato da Boeing partiu da própria Ethiopian Airlines, que parou toda sua frota de 737 MAX no mesmo dia do acidente. Em seguida, também no dia 10 de março de 2019, o jato foi proibido de voar em uma série de países da Ásia, como China e Indonésia. No dia seguinte, empresas aéreas do mundo todo, entre elas a Gol, também aterraram seus aparelhos.

A Boeing e o FAA, a agência de aviação civil dos EUA, a princípio relutaram em considerar a aeronave insegura e descartavam a necessidade do aterramento. Somente no dia 13 de março, após o presidente Donald Trump intervir, o 737 MAX foi proibido de voar no país, decisão que logo em seguida foi acompanhada por órgãos do setor no mundo todo, como a EASA na Europa e a ANAC no Brasil.

O suspensão dos voos comerciais do 737 MAX desencadeou a maior crise nos mais de 100 anos de história da Boeing, que desde então vem registrando perdas sem precedentes e uma severa redução na entrega de novas aeronaves. A paralisação também colocou em xeque a credibilidade do FAA após a exposição de uma série de falhas no processo de certificação das aeronaves.

Antevendo que o aterramento do MAX poderia durar pouco tempo, a Boeing manteve a linha de montagem da série ativa e com poucas restrições mesmo estando proibida de entregar os aviões. Somente em janeiro deste ano, após acumular quase 400 aeronaves construídas, a fabricante decidiu interromper por tempo indeterminado a produção do novo 737, disponível nas versões MAX 8 e MAX 9 – o processo de certificação do MAX 7 foi suspenso, enquanto o MAX 10 ainda não voou.

Um dos sete Boeing 737 MAX recebidos pela Gol e que estão parados desde março: companhia encomendou mais de 100 aeronaves da série MAX (Gol)

Sem previsão de retorno

Fora do serviço comercial há um ano, o 737 MAX ainda não tem um prazo definido para voltar ao mercado. A Boeing e o FAA vêm trabalhando em conjunto para corrigir os problemas do avião e torná-lo seguro. Enquanto isso, 387 aeronaves que foram entregues aos clientes seguem paradas.

No informe mais recente, a fabricante apontou o retorno da aeronave para o segundo semestre deste ano, após a conclusão de um novo processo de certificação. O FAA, responsável por aprovar ou não a volta do 737 MAX, não confirmou o prazo estipulado pela Boeing, embora tenha anunciado na última semana que os voos de testes e homologação devem ocorrer nos próximos dias.

Em nota enviada à imprensa, a Boeing diz que “continua prestando assistência técnica em apoio à investigação, a pedido e sob a direção do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NRSB), representante oficial dos Estados Unidos. Estamos na expectativa de analisar todos os detalhes e recomendações formais que serão incluídas no relatório final do Departamento de Investigação de Acidentes Aéreos da Etiópia”.

Mesmo com a liberação para transportar passageiros prevista para o meio do ano, o retorno do MAX deve levar mais alguns meses para ser efetivado pelas companhias aéreas, que precisam revisar suas aeronaves e treinar os tripulantes. Com o avanço do coronavírus e a consequente redução na demanda por transporte aéreo, a volta da aeronave ao mercado pode demorar ainda mais.

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