Em 34 anos, a Delta operou um total de 185 jatos da série MD-80 – 120 MD-88 e 65 MD-90 (Delta Air Lines)

No último dia 2 de junho, a companhia aérea Delta Air Lines aposentou seus últimos jatos MD-88 e MD-90, encerrando um ciclo de 34 anos voando com o clássico bimotor projetado pela McDonnell Douglas e marcando o fim da carreira da aeronave na aviação comercial dos EUA.

Como vinha anunciando nos últimos anos, a Delta planejava retirar de serviços os jatos da família MD-80 neste, mas acabou adiantando a decisão em alguns meses devido a crise no setor aéreo causada pela pandemia do novo coronavírus, momento que forçou empresas aéreas do mundo todo a reavaliar suas necessidades a acelerar processos de mudanças para aeronaves mais eficientes.

A Delta era a última companhia dos EUA que ainda mantinha operações regulares com os “Mad Dog” (“Cachorro Louco”, em tradução livre), que podiam transportar até 150 passageiros. Outro grande grande operador da aeronave no país era a American Airlines, que desativou seus MD-88 em setembro de 2019.

O voo DL88, o último operado pela Delta com um MD-88, teve como destino o aeroporto Washington-Dulles International e o MD-90 derradeiro, cumpriu o voo DL90, pousando no aeroporto George Bush Intercontinental em Houston. As aeronaves agora serão armazenadas em Blytheville, no estado de Arkansas.

A Delta recebeu os primeiros MD-88 em 1987, enquanto os MD-90 foram introduzidos em 1994 (Aero Icarus)

A empresa americana ainda tinha na frota um total de 47 jatos MD-88 e outros 28 MD-90. Ao longo dos últimos 34 anos, a Delta operou um total de 185 aeronaves da família MD-80 (120 MD-88 e 65 MD-90). Durante esse período, os aparelhos transportaram mais de 750 milhões de passageiros e foram comandando por 9.032 pilotos.

Visão comum nos EUA

Desde 1979, a McDonnel Douglas e, mais tarde, a Boeing, fabricaram 1.191 MD-80 até 1999. Quando chegou ao mercado, o avião então chamado DC-9 Super 80 consumia 37% menos combustível que o trimotor Boeing 727-200, que nos anos 80 era o jato de um corredor mais pedido pelas companhias até a popularização do 737.

Até pouco tempo, os MD-80 eram figuras frequentes e numerosas nos aeroportos dos EUA (ruifo)

O MD-88 de 149 assentos entrou na frota da Delta em 1987. Já o MD-90, de 158 assentos, entrou no quadro da empresa sete anos depois. No auge de seu uso, em 2014, os dois tipos representaram mais de 50% de todas as partidas de Atlanta e atuaram em 900 dos mais de 3.000 voos diários da companhia aérea naquela ano.

Embora seja conhecido como MD-80, nunca houve uma variante com esse nome. O primeiro modelo da série foi o MD-81, seguido pelo MD-82 com motores mais potentes e o MD-83, que recebeu tanques de combustível extras e turbofans com mais potência. A série ainda teve o MD-87 e o MD-95, que mais adiante foi renomeado como Boeing 717, modelo que ainda é operado pela Delta.

Cerca de 150 modelo da série MD-80 ainda continuam em serviço com empresas aéreas América do Sul, Caribe, Europa Oriental e Ásia.

MD-80 no Brasil

O McDonnell Douglas MD-82 usado pela Cruzeiro por alguns meses

O McDonnell Douglas MD-82 usado pela Cruzeiro por alguns meses

O MD-80 teve uma breve passagem pelo Brasil no início dos anos 1980. A McDonnell Douglas tentou convencer a Varig a comprá-lo e para isso cedeu um MD-82 que foi utilizado nas cores da Cruzeiro do Sul por cerca de três meses. Na época, as duas companhias aéreas utilizavam apenas aviões da Boeing como o 727-100 e o 737-200, mas mesmo com a boa impressão deixada, o jato acabou descartado.

Mas não será tão cedo que a silhueta com dois motores na cauda em T desaparecerá dos aeroportos. Produzido sob licença na China, o avião americano deu origem a um jato local, o ARJ21, que é produzido desde 2007 pela COMAC.

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