Embraer leva o jato E195-E2 para show aéreo na China com missão difícil

Embora tenham a segunda maior economia do mundo, chineses têm focado em programa de aeronaves produzidas no próprio país como o ARJ21 e o C919
E195-E2 (Embraer)

A Embraer está levando seu principal jato comercial, o E195-E2, para o 14º Airshow China 2022, maior evento aeroespacial da China, que ocorre nesta semana em Zhuhai.

Maior aeronave de passageiros da sua história, o E195-E2 pode transportar até 150 passageiros e seria um produto bastante promissor no enorme mercado chinês não fosse por um detalhe, a existência de novos jatos produzidos no próprio país.

A estatal COMAC, maior fabricante chinesa de aviões comerciais produz hoje o ARJ21-700, um jato regional com até 90 assentos, e está prestes a entregar o primeiro C919, uma aeronave equivalente ao Airbus A320, com cerca de 170 assentos.

Embora exista um nicho importante para o E190-E2 e o E195-E2, fato é que a política do governo chinês é a de incentivar seus próprios produtos, o que não chega a ser algo difícil, visto que a maior parte das companhias aéreas da China é controlada pelo próprio estado comunista.

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O E195-E2 “Tech Dragon” (Dylan Agbagni)

Apesar disso, a Embraer parece otimista que poderá quebrar esse tabu já que há bastante tempo nenhum de seus aviões é encomendado na China.

“Estamos confiantes de que, com o desenvolvimento de longo prazo do país, teremos diversas oportunidades de negócios na China. O país tem a segunda maior economia do mundo, com oportunidades para ampliar a conectividade no país e aprofundar a cooperação com parceiros locais,” disse o holandês Arjan Meijer, Presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial.

A China pode se transformar no maior mercado de viagens aéreas do mundo nos próximos anos, dado que a maior parte da população (cerca de 1 bilhão de pessoas) nunca viajou de avião.

“Essa parcela da população está concentrada em capitais regionais e cidades médias. Esses potenciais passageiros serão o foco do crescimento”, explicou Guo Qing, Diretor-Geral Vice-Presidente de Aviação Comercial da Embraer China.

O ARJ21-700 é o primeiro jato comercial produzido na China

Mais de 90 E-Jets em serviço na China

Enquanto ainda fecham negócios importantes com a Airbus, as transportadoras chinesas têm feito um “boicote informal” aos aviões da Boeing, por conta das relações abaladas entre os governos dos EUA e da China.

Modelos como o 737 e o 787 já não obtém pedidos novos há bastante tempo enquanto as poucas operadoras do 737 MAX postergam a volta da aeronave ao serviço por razões pouco claras, além de evitarem receber novos jatos. A postura fez a Boeing decidir repassar esses aviões para outros clientes diante do impasse.

A própria Embraer já teve uma presença maior na China a ponto de montar seus jatos ERJ e a versão executiva Legacy em parceria com a Harbin durante 13 anos. Ao menos 40 ERJ 145 e cinco Legacy foram produzidos entre 2003 e 2016, quando a joint venture foi desfeita.

Segundo a fabricante brasileira, voavam no país 91 E-Jets até antes da pandemia do Covid-19 e parte da frota foi usada durante a crise sanitária para manter as principais rotas chinesas em atividade.

Além de levar o E195-E2 “Tech Lion”, com sua pintura chamativa e interior com assentos dispostos em várias configurações, a Embraer também pretende expor o programa de conversão E190F e E195F, que transforma a primeira geração dos E-Jets em cargueiros.

O ERJ-145 foi produzido na China entre 2003 e 2016

 

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