A Embraer estima que companhias aéreas de todo o mundo vão precisar de 8.500 aeronaves comerciais com até 150 assentos nos próximos 20 anos, o que representa um mercado avaliado em cerca de US$ 650 bilhões.

A projeção, divulgada antes do Farnborough International Airshow, aponta para um crescimento anual do tráfego global de passageiros de 3,7% até 2045, sendo que aeronaves de reposição responderão por 53% das novas entregas e a expansão de frota pelos 47% restantes.

A China deve registrar o crescimento mais rápido do tráfego de passageiros entre as principais regiões da aviação mundial, com os revenue passenger kilometers (RPKs) aumentando 5,2% ao ano. Oriente Médio, África, América Latina e Ásia-Pacífico também superam a média global, enquanto Europa e América do Norte devem apresentar taxas de crescimento mais modestas. Até 2045, China e a região mais ampla da Ásia-Pacífico devem responder juntas por 40% do tráfego global de passageiros.

Apesar do crescimento mais acelerado do tráfego na China, a América do Norte deve permanecer como o maior mercado para aeronaves com até 150 assentos. A Embraer prevê a entrega de 2.670 jatos na região até 2045, seguida por Europa e CEI com 1.870 aeronaves, China com 1.470 e Ásia-Pacífico com 1.050.

Diferentemente da Boeing e da Airbus, cujas projeções de longo prazo abrangem todo o mercado de aeronaves comerciais, o estudo da Embraer foca em aviões com até 150 assentos. Segundo a fabricante, a demanda por narrowbodies menores vai crescer à medida que as companhias aéreas ampliam serviços para cidades secundárias e rotas de menor densidade, que não comportam de forma consistente jatos de corredor único maiores.

Air Peace Embraer E175
Air Peace Embraer E175 | Embraer

O relatório também aponta uma mudança no planejamento de malha aérea das companhias, impulsionada por alterações nas cadeias de suprimentos industriais, padrões de turismo e preferências dos passageiros. A Embraer avalia que o desenvolvimento econômico regional, a expansão de polos industriais e o crescimento de destinos secundários vão gerar demanda por mais voos diretos operados por aeronaves menores, capazes de atender rotas que seriam inviáveis economicamente com jatos maiores.

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A perspectiva contrasta com o mais recente Commercial Market Outlook da Boeing, que prevê demanda por 43.625 aeronaves comerciais de todas as categorias até 2045. A projeção da Embraer abrange apenas o segmento de até 150 assentos, onde concorre principalmente com a família Airbus A220 e as variantes menores das famílias Airbus A320neo e Boeing 737 MAX.