Embraer quer vender seis E195-E2 para a companhia angolana TAAG

Jatos poderiam substituir os Boeing 737-700 que estão com 13 anos de uso em média e consomem mais combustível
A Embraer levou o E195-E2 para uma apresentação para a TAAG recentemente (Matti Blume)
A Embraer levou o E195-E2 para uma apresentação para a TAAG recentemente (Matti Blume)

Em um seminário realizado em Portugal nesta semana, o vice-presidente da Embraer para os mercados da África e Oriente Médio revelou que a fabricante está conversando com a companhia aérea TAAG a fim de viabilizar a venda de seis jatos E195-E2, maior versão da nova família de aviões comerciais.

Falando para a imprensa portuguesa, Raul Villaron declarou que a Embraer “tem interesse em trabalhar com a empresa aérea angolana, a TAAG, que tem alguns aviões que estão perto de atingir a idade de substituição e nós temos o E195-E2, que chamamos de ‘Profit Hunter’, que acreditamos ser o ideal para substituir esses aparelhos”.

A negociação contaria com apoio do BNDES, banco de fomento brasileiro que financiaria a aquisição, calculada em US$ 250 milhões (pouco mais de R$ 1 bilhão). Para convencer a companhia aérea angolana, a Embraer levou o protótipo do E195-E2 para o país há duas semanas onde foi feita uma demonstração para seus executivos e também para membros do governo.

Apesar do interesse, Villaron definiu as conversas como um “namoro” por enquanto, mas que a Embraer está pronta para apresentar uma proposta formal. A fabricante tem hoje cerca de 200 aviões vendidos para 25 clientes no continente africano. Nos últimos meses, a empresa brasileira tem demonstrado uma aproximação com esse mercado que é um dos que mais cresce no mundo atualmente.

O E195-E2 seria um sucessor vantajoso para os Boeing 737-700 utilizados pela TAAG (Hansueli Krapf)

Banida da Europa

A TAAG é uma das companhias mais antigas da África, tendo surgido como uma divisão de transporte aéreo do governo de Angola no final dos anos 30. Apenas na década de 70 foi rebatizada com o atual nome que é o acrônimo de Transportes Aéreos de Angola e iniciou serviços comerciais domésticos apoiada numa sociedade entre a TAP e o governo do país. Em 1975, com a independência do país (que era uma colônia de Portugal), a TAAG passou a voar para Lisboa e outros destinos na Europa.

A empresa, que chegou a operar widebodies como o L-1011 Tristar e o Boeing 747, passou a voar para o Brasil inicialmente com destino ao Rio de Janeiro, acrescentando uma escala em São Paulo mais tarde. Nos anos 2000, a TAAG promoveu uma modernização em sua frota passando a adquirir aviões da Boeing. Hoje ela voa com cinco Boeing 737-700 em suas rotas nacionais e oito 777 das versões 200 e 300 que realizam os voos internacionais, inclusive Guarulhos, cinco vezes por semana.

Na década passada, a TAAG passou por uma situação embaraçosa. Em 2007, a companhia foi banida pela União Européia de voar no continente devido a preocupações sobre sua segurança. Foi nesse período que a empresa precisou alugar aviões mais novos para conseguir manter algumas frequências. Dois anos depois, a TAAG conseguiu autorização para pousar em Portugal, mas durante muito tempo ela acabou sendo impedida de sobrevoar certas regiões. Atualmente, não há restrições na Europa, embora a companhia aérea angolana só tenha como destinos Lisboa e Porto. No continente americano, além de São Paulo, a TAAG voa apenas para Havana, em Cuba, país que tem muitos imigrantes trabalhando em Angola.

A TAAG voa de Luanda para São Paulo cinco vezes por semana com o Boeing 777 (Pedro Aragão)

Veja também: Novo jato E175-E2, da Embraer, completa primeiro voo

 

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