O projeto da Embraer conta com a participação da WEG e a Parker Aerospace (Embraer)

A Embraer realizou na última quinta-feira (19) o primeiro teste estático com o motor elétrico da WEG, após concluir a integração do novo sistema que usado no avião de demonstração de propulsão 100% elétrica. O ensaio ocorreu na unidade da Embraer em Botucatu, interior de São Paulo, onde a aeronave está sendo fabricada.

De acordo com a Embraer, nessa fase da campanha de testes, o protótipo utilizou-se de uma fonte externa de energia para alimentar o sistema elétrico de alta tensão e acionar o conjunto de motorização (motor e inversor) que foram instalados na plataforma da aeronave. O protótipo é baseado no avião agrícola EMB-203 Ipanema.

O passo seguinte no projeto, previsto para o início do próximo ano, é a instalação do conjunto de baterias de alta voltagem no avião. O sistema de motorização elétrica do protótipo é desenvolvido por equipes de pesquisa da Embraer e da multinacional brasileira WEG, com sede em Jaraguá do Sul (SC). O primeiro voo da aeronave é programado para 2020.

O projeto do avião elétrico baseado no Ipanema foi anunciado pela fabricante em maio. “Escolhemos o Ipanema pois é a nossa plataforma que requer menos modificações para receber os sistemas de propulsão elétrica. Será um protótipo com sistema dimensionado para testar a tecnologia em voos curtos, de 30 minutos”, afirmou na época Daniel Moczydlowe, vice-presidente de engenharia e tecnologia da Embraer.

O executivo da Embraer disse que o projeto com a WEG será fundamental para ajudar a divisão EmbraerX no desenvolvimento de seu táxi aéreo urbano (eVTOL), em estudo para ser usado em viagens compartilhadas da Uber.

Moczydlowe ainda frisou que o projeto do Ipanema elétrico é “100% da Embraer” e não fará parte do acordo firmado com a Boeing. “A Boeing adquiriu o que já estava desenvolvido e necessário para dar a continuidade do negócio (a divisão de aviação comercial da Embraer). O que está na cabeça dos nossos cientistas continua com a Embraer.”

O Ipanema modificado pela Embraer será o segundo avião elétrico do Brasil a ganhar os céus. O primeiro foi o Sora-e, desenvolvido pela ACS Aviation, de São José dos Campos (SP), que voou pela primeira vez em 2015.

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