Um clássico da Guerra Fria, os E-4B da USAF ainda são peças importantes de dissuasão dos EUA (USAF)

A Força Aérea dos EUA (USAF) anunciou nesta semana o lançamento de um novo programa de aquisição para substituir quatro antigos Boeing E-4B Nightwatch pelo novo sistema que ela chama de Survivable Airborne Operations Center (SAOC – Centro de Operações Aéreas de Sobrevivência). É algo que os americanos chamam de “avião do juízo final”.

“No caso de emergência nacional ou destruição de centros de controle de comando em terra, a aeronave SAOC fornecerá uma plataforma de comando, controle e comunicação altamente segura para direcionar forças dos EUA, executar ordens de guerra de emergência e coordenar ações de autoridades civis”, diz o comunicado da USAF.

Até o momento, o único detalhe informado sobre os substitutos do Nightwatch é que eles devem ser derivados de uma aeronave comercial, repetindo o formato atual: o E-4B é baseado no Boeing 747-200, uma das primeiras versões do jumbo. Seguindo a tradição das forças armadas dos EUA, a escolha certamente deve ser por uma aeronave produzida localmente, como o novo 747-8.

Em serviço com a USAF desde 1974, os E-4B permitem que o presidente dos EUA e os comandantes das forças armadas do país respondam a um ataque nuclear em seu território. A aeronave é uma espécie “bunker” aéreo equipado com uma série de sensores e sistemas de comunicação via satélite, de onde as autoridades podem comandar em segurança um contra-ataque.

O E-4B pode acomodar uma tripulação de até 112 pessoas, entre governantes e oficiais militares. A aeronave também possui proteções especiais para resistir aos pulsos eletromagnéticos causados por uma explosão nuclear e contramedidas ativas e passivas contra ataques de mísseis. Outro fato interessante sobre o Nightwatch é sua capacidade de permanecer voando por uma semana com o auxílio de aviões de reabastecimento aéreo.

Em tempos de paz, os E-4B servem como o meio de transporte preferido do Secretário de Defesa dos EUA em voos para o exterior. O Nightwatch também costuma acompanhar o Air Force One, o avião presidencial americano, em viagens nacionais e internacionais, mas sempre pousa em outro aeroporto. Desta forma, o avião fica de prontidão caso ocorra alguma crise.

Segundo dados da USAF, a estrutura do E-4B tem uma vida útil de 115.000 horas e 30.000 ciclos, o que seria alcançado em 2039. O que preocupa as autoridades americanas é a limitação de manutenção para a aeronave, que pode se tornar escassa em algum momento na próxima década.

A Rússia é outro país que também possui aviões especiais para enfrentar o “fim do mundo”, os quadrimotores Ilyushin Il-80. Assim como os norte-americanos, os russos também querem substituir seus aparelhos por modelos mais avançados nos próximos anos. São grandes oportunidades de negócio para os fabricantes do setor, mas também um indicativo de que a ameaça nuclear persiste.

A Força Aérea da Rússia possui quatro Ilyushin Il-80 de controle avançado (Foto - Max Bryansky)

A Força Aérea da Rússia possui quatro Ilyushin Il-80 de controle avançado (Foto – Max Bryansky)

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