Durou pouco a nova carreira dos três Embraer A-29 Super Tucano da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Apenas dois anos depois de levar os aviões para a Base Aérea de Edwards, na Califórnia, a instituição concluiu que eles não são adequados para a função de treinamento que havia planejado e decidiu armazená-los.
Os três A-29 já foram preparados para armazenamento prolongado em Edwards e não devem voltar a voar pela USAF. Um aviso publicado pelo Air Force Test Center em 29 de outubro busca contratar a Sierra Nevada Corporation (SNC), empresa que é parceira da Embraer e forneceu os aviões à Força Aérea, para cuidar deles enquanto permanecerem estocados.
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A decisão foi confirmada pela própria Base Aérea de Edwards. Segundo a USAF, a Test Pilot School avaliou os Super Tucano e determinou que eles não atendiam ao uso pretendido pela escola. A Força Aérea agora estuda outras aeronaves para cumprir as missões de treinamento de parafuso e sistemas de missão.
O desfecho contrasta com o discurso da USAF quando os três aviões chegaram a Edwards, em julho de 2024. Na época, a Força Aérea apresentou a transferência como uma forma de dar nova utilidade a um investimento de US$ 63 milhões (R$ 336 milhões) já realizado nos Super Tucano.

Primeiro avião novo em quase 30 anos
A chegada dos A-29 teve peso especial para a Test Pilot School. O Super Tucano foi apresentado como a primeira nova aeronave incorporada à escola em quase três décadas.
A USAF pretendia utilizar os turboélices para ampliar o treinamento de pilotos de teste em áreas como avaliação de aviônicos, sensores, armamentos e cargas externas. O avião também permitiria exercícios em condições extremas de voo, incluindo a entrada e recuperação de parafusos.
Michael Banzet, então diretor de planos e programas do Air Force Test Center, chegou a destacar a transferência dos aviões como exemplo da capacidade da Força Aérea de encontrar novas aplicações para equipamentos que já possuía.
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Os A-29 estavam disponíveis porque a missão para a qual haviam sido originalmente adquiridos também havia perdido espaço dentro da USAF. Os três aviões foram comprados diretamente para a Força Aérea dos EUA e entregues em 2021, inicialmente para experimentação em missões de ataque leve e treinamento relacionado à preparação de forças parceiras.
Com mudanças nos requisitos, o Comando de Operações Especiais da Força Aérea (AFSOC) deixou de ter interesse na pequena frota. Os aviões chegaram a ficar sem um destino definido antes de a Test Pilot School assumir os três exemplares.

Super Tucano segue em serviço em vários países
A conclusão da Test Pilot School se refere ao uso específico que a escola pretendia dar aos três aviões e contrasta com uma carreira internacional já longa do Super Tucano.
O turboélice da Embraer é utilizado há anos por forças aéreas de vários países em treinamento avançado, ataque leve, patrulha e outras missões. Entre seus operadores estão inclusive membros da OTAN, como Portugal, que adquiriu o A-29N, versão preparada para requisitos da aliança.
Os próprios Estados Unidos já tiveram uma relação muito mais ampla com o Super Tucano. A USAF comprou dezenas de A-29 fabricados nos EUA pela parceria entre a Sierra Nevada Corporation e a Embraer para equipar a Força Aérea Afegã. Os aviões foram utilizados em operações de combate contra o Talibã e outros grupos durante a guerra no Afeganistão.
Washington também empregou o Super Tucano em programas de assistência militar a outros países. A aeronave foi fornecida por meio do sistema de vendas militares ao exterior dos Estados Unidos, o Foreign Military Sales (FMS), a forças aéreas como as do Líbano e da Nigéria.
Assim, os três aviões agora armazenados em Edwards representam uma frota específica adquirida pela própria USAF para experimentação. A decisão da Test Pilot School não afeta os demais programas internacionais ligados ao Super Tucano.




