A Belavia, companhia aérea estatal da Bielorrússia, país vizinho e aliado da Rússia, recebeu aval dos Estados Unidos para voltar a ter acesso direto ao suporte da Boeing. A autorização permitirá à empresa obter peças, componentes e software para seus 737 depois de anos de restrições.
A companhia teve uma história bastante diferente com a Embraer. A Belavia recebeu seu primeiro E195-E2 em dezembro de 2020 e acrescentou outros dois exemplares à frota nos meses seguintes, todos arrendados pela AerCap. Em outubro de 2021, porém, os três jatos praticamente novos deixaram a Bielorrússia e foram levados ao Cazaquistão.
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Na época, circularam informações de que os E195-E2 precisariam passar por atualizações de software fora da Bielorrússia, versão negada pela Embraer. A saída ocorreu em um período de crescente isolamento da Belavia, que enfrentava sanções ocidentais após o desvio de um Boeing 737 da Ryanair para Minsk, em maio daquele ano.
Os três E195-E2 não retornaram à companhia. As aeronaves acabaram devolvidas à empresa de leasing e posteriormente passaram a operar com a TUI fly Belgium.

Aval para a Boeing
Agora, cinco anos depois, a Belavia afirma ter recebido do Departamento de Comércio dos Estados Unidos uma autorização que permite à Boeing voltar a negociar diretamente com a companhia.
Segundo o CEO da Belavia, Igor Cherginets, a licença possibilita a compra direta de peças de reposição, componentes e software necessários aos aviões que já estão na frota. O executivo afirmou ainda que a autorização permite iniciar negociações com a Boeing para uma eventual compra de novas aeronaves.
A Boeing e o Departamento de Comércio ainda não divulgaram publicamente a nova licença ou seus termos. Autorizações individuais de exportação, no entanto, não são necessariamente publicadas pelas autoridades americanas.
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A medida é especialmente relevante para a frota atual da Belavia. Dos 18 aviões relacionados à companhia, dez são Boeing 737, incluindo oito 737-800 e um 737 MAX 8. A empresa também possui um antigo 737-300.

Sanções começaram a ser flexibilizadas
As restrições contra a Belavia foram adotadas em diferentes momentos. A companhia já enfrentava medidas ocidentais desde 2021, mas o acesso a produtos e tecnologia de origem americana ficou ainda mais restrito após a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.
A Bielorrússia permitiu que forças russas utilizassem seu território durante a invasão. Os Estados Unidos passaram então a impor controles de exportação sobre aeronaves e tecnologia aeronáutica destinadas à Rússia e à Bielorrússia.
Em junho de 2022, o Bureau of Industry and Security (BIS), órgão do Departamento de Comércio, emitiu uma ordem que restringiu o acesso da Belavia a produtos e tecnologias sujeitos às regras americanas. Em 2023, o Departamento do Tesouro também incluiu a estatal em sua lista de entidades sancionadas.
A mudança começou em 2025, após a retomada de contatos entre Washington e Minsk e a libertação de presos políticos pela Bielorrússia. O BIS passou a permitir determinadas operações, manutenção e reparos de aviões da Belavia e adotou uma análise caso a caso para pedidos relacionados à frota comercial da companhia.
Em novembro de 2025, o Departamento do Tesouro retirou a Belavia de sua lista de pessoas e entidades especialmente designadas. A companhia continua, porém, sujeita a sanções da União Europeia.



