Fotógrafo corre o mundo atrás de aviões abandonados

Caçador de aviões abandonados tem só uma regra: só valem aqueles que caíram sem deixar mortos
Destroços do Douglas C-47 que caiu no Canadá em 1950 (Foto: Dietmar Eckell)

O que é um final feliz pra você? Para o alemão Dietmar Eckell, um final feliz é um avião que caiu sem deixar mortos. Mas não é só isso. É também um avião que caiu em um lugar acessível para ele registrar com sua câmera fotográfica.

Por exemplo. Em 7 de fevereiro de 1950, um Douglas C-47 Skytrain saiu de Whitehorse, no extremo noroeste do Canadá, em busca de um C-54 da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) que estava perdido há dez dias.

Durante as buscas, o piloto Donald J. King estava subindo para sobrevoar uma montanha quando encontrou uma corrente descendente. Ele aplicou força total nos dois motores mas outra corrente de ar jogou o avião militar na neve que cobria a montanha.

Todos os dez passageiros sobreviveram à queda, mas eles estavam perto do Alaska, onde chega a fazer -40°C em fevereiro. O piloto, então, caminhou sozinho até uma estrada, onde pegou carona em um caminhão de volta à base. Em seguida, King liderou a equipe de buscas que retornou ao local do acidente para resgatar os companheiros. Final feliz.

Piloto do C-47 caminhou no frio severo e depois voltou para salvar seus companheiros (Foto: Dietmar Eckell)

Cerca de 60 anos depois, Eckell tentou encontrar os destroços do avião. Na primeira tentativa, ele saiu do aeroporto com um GPS e seguiu em direção ao avião margeando um rio. Ele não conseguiu atravessar e foi obrigado a voltar.

De volta ao aeroporto, Eckell encontrou um piloto de helicóptero que se interessou pela “aventura” e disse para ele voltar no dia seguinte. O piloto já tinha uma viagem naquela região e levou Eckel até o C-47. Final feliz.

Esta e outras histórias estão no livro “Happy End” (Final Feliz, em inglês), que reúne fotografias e relatos de 15 aviões que caíram em locais remotos em quatros continentes.

“Gosto das histórias incríveis por trás de cada acidente. Você espera um desastre quando vê as fotos pela primeira vez e depois descobre como o piloto transformou isso em um milagre”, afirmou Eckel em entrevista por e-mail ao Airway.

Destroços do B-24 Liberator que caiu em 1943 em Papua Nova Guiné (Foto: Dietmar Eckell)

Projeto nasceu por acidente

Eckell sempre foi um explorador. Durante suas viagens por mais de 70 países ele passou a se interessar por veículos, construções e objetos abandonados. Mas o projeto de registrar aviões que caíram começou após uma queda de paramotor.

“Depois de ter uma asa quebrada, pousei sozinho no deserto de Mojave (EUA) e tive a sorte de conseguir retornar à civilização (um lugar com sinal de celular) mesmo com uma fratura na perna. Enquanto me recuperava da cirurgia, tive tempo de pesquisar na Internet por acidentes aéreos sem fatalidades. O livro nasceu ali mas demorou alguns anos para eu ter tempo e dinheiro para executá-lo”, explicou Eckell.

Depois de muita pesquisa, conversas com pilotos e fóruns de internet, veio a parte mais difícil: acessar os aviões por terra para tirar as fotos. Embora as histórias dos “pequenos milagres” tenham sido registradas, muitas vezes o local dos destroços era completamente incerto.

O que restou do Vought F4U Corsair que caiu no Havaí em 1948 (Foto: Dietmar Eckell)

O jeito era falar com os locais e convencer pilotos a sobrevoarem a região para primeiro saber a localização exata, depois planejar a ida por terra. Mas nem sempre dava certo.

Ainda no Canadá, Eckell conseguiu convencer policiais a irem de quadriciclo com ele em um pântano para encontrar outro C-47 abandonado desde a década de 1960. Depois de 5 horas atolando a cada cinco minutos, eles desistiram.

Os percalços fazem parte da aventura e Eckell continua a “caçar” outros destroços de aviões pelo mundo. “Já visitei outros quatro na Austrália, Havaí e Bahamas. Pesquisei outros 12, mas eles estão em lugares tão remotos que será muito caro chegar até eles”, disse Eckell.

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