Um dos problemas que contribuíram para anos de atrasos no programa do Boeing T-7A Red Hawk pode estar finalmente perto de uma solução. A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) concluiu o último teste de "trenó em alta velocidade" previsto na campanha de qualificação do sistema de escape do novo jato de treinamento.
O ensaio foi realizado em 7 de outubro no Holloman High Speed Test Track, no Novo México, pela 846th Test Squadron. O teste simulou uma ejeção a uma velocidade de 1.019 km/h (550 nós) e utilizou um manequim que representava o ocupante mais leve previsto entre os futuros pilotos do T-7A.
A análise inicial das imagens em alta velocidade indicou que o sistema atualizado funcionou como previsto. Os engenheiros, no entanto, ainda estão avaliando a trajetória do assento, acelerações e dados dos sensores instalados no manequim antes da conclusão do processo de qualificação.
O último teste avaliou um novo padrão de fragmentação do canopy e um sequenciador modernizado do assento ejetável. A mudança altera o momento de diferentes etapas da ejeção, mantendo o pequeno paraquedas de estabilização, conhecido como drogue, aberto por mais tempo para estabilizar o assento e reduzir os picos de carga sobre o pescoço e a coluna do ocupante.

Problema que ajudou a atrasar o T-7A
Problemas com o sistema de escape se transformaram em um dos principais obstáculos durante o desenvolvimento do T-7A, criado pela Boeing em parceria com a Saab para substituir os antigos T-38C Talon da USAF.
Em 2023, a Força Aérea reconheceu que as dificuldades com o assento ejetável estavam entre os fatores que atrasavam o programa. Testes haviam identificado riscos de concussão e forças potencialmente excessivas sobre o pescoço e a coluna, principalmente no caso de pilotos menores e mais leves.
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O desafio era especialmente importante porque o T-7A foi projetado para acomodar uma variedade maior de tamanhos e pesos de pilotos que os treinadores anteriores. A USAF estabeleceu que o sistema deveria proteger ocupantes entre 47 e 111 kg (103 e 245 libras).
Um relatório de 2024 do diretor de Testes Operacionais e Avaliação do Pentágono afirmou que o sistema de escape de emergência do T-7A não atendia aos requisitos mínimos de segurança para a certificação de aeronavegabilidade da Força Aérea. O órgão também apontou que os voos estavam sendo realizados mediante a aceitação de um nível elevado de risco. O Government Accountability Office (GAO) igualmente relacionou as deficiências do sistema aos atrasos do programa.
A USAF e a Boeing passaram então a modificar o sistema ao longo de uma série de ensaios. As mudanças incluíram o novo sistema de fragmentação do canopy e alterações no assento ejetável ACES 5, incluindo o funcionamento do paraquedas de estabilização e a sequência de acionamento.

Último teste da campanha
Um teste anterior de trenó, realizado em abril de 2025, simulou uma ejeção a 833 km/h (450 nós) utilizando manequins representando ocupantes mais leves e mais pesados. A USAF afirmou que todos os objetivos daquele ensaio foram atingidos, mas deixou claro na ocasião que ainda seria necessário outro teste antes da qualificação completa do sistema de escape.
O ensaio de outubro encerrou essa série planejada de testes estáticos e dinâmicos. Desta vez, os engenheiros concentraram a avaliação no ocupante mais leve previsto nos requisitos e elevaram a velocidade simulada para 1.019 km/h (550 nós).
Segundo a Força Aérea, a análise inicial mostrou que o sequenciador atualizado funcionou como projetado. A avaliação completa dos dados ainda está em andamento, o que significa que o encerramento dos testes de trenó ainda não equivale à qualificação definitiva do sistema.
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O marco ocorre quando o programa do T-7A começa a deixar para trás parte de sua longa fase de desenvolvimento. Em maio, a USAF autorizou a produção inicial em baixa cadência após a decisão Milestone C e concedeu à Boeing um contrato de US$ 219 milhões para os primeiros 14 aviões de produção.
Os testes operacionais também começaram. Em julho, equipes de testes de desenvolvimento e operacionais realizaram seu primeiro voo conjunto com o T-7A na Base Aérea de Edwards, na Califórnia.
A Força Aérea dos Estados Unidos planeja adquirir até 351 T-7A, além dos sistemas de treinamento em solo, para substituir o T-38C, utilizado há mais de seis décadas na formação avançada de seus pilotos.



