A Qantas, maior companhia aérea da Austrália, vendeu 44 jatos Boeing 737-800 para a britânica AerFin, mas isso não significa que dezenas de aviões deixarão sua frota de uma vez. Pelo contrário: muitos deles ainda passarão vários anos voando pela empresa antes de serem entregues ao novo proprietário.

O acordo também inclui os 88 motores CFM56-7B dos jatos e prevê que as aeronaves sejam transferidas ao longo de sete anos, acompanhando a chegada dos Airbus A321XLR que estão substituindo gradualmente o 737-800 nas principais rotas domésticas da Qantas.

Os primeiros 737-800 serão transferidos ainda em 2026. Depois disso, a Qantas poderá decidir quando liberar cada avião conforme receber novas aeronaves e suas necessidades de capacidade.

Nem a Qantas nem a AerFin revelaram o valor do negócio ou quais são os 44 aviões envolvidos.

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“Este acordo nos permite planejar a aposentadoria da maior parte de nossa frota de 737 e, ao mesmo tempo, ter flexibilidade para ajustar os prazos conforme novos aviões chegam”, afirmou Markus Svensson, CEO da Qantas Domestic.

A321XLR da Qantas (Qantas)
A321XLR da Qantas (Qantas)

Maior parte da frota foi vendida

A dimensão do negócio chama atenção porque os 44 aviões representam a maior parte dos 737-800 que a Qantas pretende retirar nos próximos anos.

A companhia ainda possui cerca de 76 Boeing 737-800. O modelo é há anos o principal avião da operação doméstica da Qantas, sobretudo nos movimentados corredores entre Sydney, Melbourne e Brisbane e nos voos mais longos entre a costa leste da Austrália e Perth.

Os 737-800 também aparecem em algumas rotas internacionais para a Nova Zelândia, ilhas do Pacífico e destinos do Sudeste Asiático.

Isso explica por que a substituição não pode acontecer rapidamente. Apesar de já ter vendido boa parte desses aviões, a Qantas precisa manter capacidade suficiente enquanto recebe seus novos jatos.

A321XLR assume o lugar

Curiosamente, o substituto escolhido para o 737-800 foi justamente a versão de maior alcance da família A320neo.

A Qantas escolheu o Airbus A321XLR para essa função em 2022. Sete aeronaves já estão em serviço e outras 41 permanecem encomendadas.

QantasLink Airbus A220-300 VH-X4C
QantasLink Airbus A220-300 VH-X4C | Bahnfrend

Os primeiros XLR entraram justamente no território tradicional do 737-800, inicialmente nas ligações Sydney-Melbourne e Sydney-Perth e depois em outras rotas envolvendo Sydney, Melbourne, Brisbane e Perth.

Apesar de poder percorrer até 8.700 km (4.700 milhas náuticas), muito mais do que a maioria desses voos exige, o A321XLR também oferece uma vantagem simples para a Qantas: leva mais passageiros. A configuração doméstica possui 197 assentos, contra 174 nos 737-800.

A autonomia adicional, porém, não ficará sem uso. Em outubro, a Qantas começou a voar internacionalmente com o A321XLR entre Brisbane e Manila, substituindo os maiores Airbus A330 e aumentando a frequência da rota.

Parte dos futuros aviões terá outra configuração. Dezesseis dos 20 A321XLR encomendados em 2025 receberão poltronas-cama na Classe Executiva e sistema individual de entretenimento para atender voos transcontinentais mais longos e rotas internacionais de curta e média distância.

Assim, o mesmo modelo servirá tanto como sucessor do 737-800 nas rotas domésticas mais movimentadas quanto para abrir possibilidades que estavam fora do alcance prático dos atuais narrowbodies da Qantas.

Qantas Boeing 737-800 (Aero Icarus)
Qantas Boeing 737-800 (Aero Icarus)

737-800 ainda tem muita viagem pela frente

O curioso acordo com a AerFin não estabelece uma data única para a aposentadoria dos 44 aviões. Cada 737-800 será entregue conforme a renovação da frota avançar, e todo o processo poderá levar sete anos.

A melhor demonstração de que a Qantas ainda pretende usar bastante esses jatos está em outro investimento: mais de 40 Boeing 737-800 terão suas cabines modernizadas, mesmo estando em andamento a substituição da frota.

A AerFin, por sua vez, não é uma companhia aérea que pretende simplesmente colocar os 44 aviões em sua própria malha. A empresa compra, vende, arrenda e desmonta aeronaves e motores, além de fornecer componentes usados para companhias aéreas e empresas de manutenção.

Por isso, ainda não é possível saber o destino final de cada 737-800 depois que deixar a Qantas. Alguns poderão voltar a voar com outros operadores, enquanto outros poderão acabar utilizados como fonte de motores e componentes.

Para a AerFin, trata-se da maior aquisição de sua história. A empresa também acaba de trocar de dono: a irlandesa ORIX Aviation concluiu sua compra em 2 de novembro, apenas dois dias antes do anúncio do negócio com a Qantas.