Milhares de funcionários da Airbus na Espanha retomaram a greve após rejeitarem a última proposta do grupo aeroespacial europeu sobre salários e condições de trabalho, reacendendo uma disputa trabalhista que pode afetar diversos programas importantes de aeronaves comerciais e militares.
As novas paralisações começaram na terça-feira, 25 de agosto, após 22 dias de greve em julho. Os sindicatos classificaram a ação como uma greve por tempo indeterminado, embora uma nova reunião de mediação esteja marcada para quinta-feira.
Siga AIRWAY: WhatsApp | Instagram | LinkedIn | Twitter | Facebook
UGT, CGT e UTIL, os três sindicatos que convocaram a greve, representam cerca de 40% dos aproximadamente 14.000 funcionários da Airbus na Espanha, segundo sindicatos franceses informados sobre a disputa. Sindicatos espanhóis afirmaram que cerca de 90% dos trabalhadores elegíveis participaram da paralisação de terça-feira, embora esse número não tenha sido verificado de forma independente.
Os trabalhadores rejeitaram as propostas apresentadas pela Airbus durante a mediação após assembleias nas fábricas concluírem que a empresa não apresentou compromissos suficientemente firmes nem datas de implementação.

Entre as questões estão salários atrelados à inflação, acordos de trabalho remoto, benefícios por afastamento médico, férias, horários flexíveis e transporte de funcionários.
A Airbus já havia recuado dos planos de aumentar substancialmente a presença nos escritórios após os protestos anteriores. A empresa pretendia exigir quatro dias por semana no escritório, mas continuará permitindo que os funcionários trabalhem remotamente em média dois dias por semana.
A UGT afirmou que a Airbus também concordou em vincular os salários ao índice de preços ao consumidor da Espanha e retirou um recurso judicial relacionado ao pagamento de afastamentos médicos. O sindicato argumenta que outros pontos da proposta da empresa ainda não estão suficientemente definidos.
Implicações na produção vão além da aviação comercial
A Espanha ocupa uma posição especialmente relevante na área de aeronaves militares da Airbus, o que significa que uma greve prolongada pode ter consequências que vão além da meta de entregas de aviões comerciais da empresa.
A Airbus Defence and Space emprega cerca de 9.000 pessoas em cinco unidades espanholas. O segmento Air Power é liderado a partir do país, enquanto vários programas de aeronaves dependem diretamente das instalações espanholas.

Sevilha é o local de montagem final tanto do cargueiro estratégico A400M quanto do transporte tático C295. Este último possui uma carteira de pedidos significativa, incluindo 16 aeronaves de patrulha marítima e vigilância encomendadas pela Espanha em 2023 e outras 18 aeronaves de transporte encomendadas em dezembro de 2025.
Getafe, próximo a Madri, abriga a linha de montagem final do Eurofighter espanhol e realiza manutenção do A400M. Mais importante para clientes internacionais, é o centro global de conversão do A330 MRTT da Airbus.
As fuselagens padrão do A330-200 são montadas em Toulouse, França, antes de serem convertidas em Getafe para se tornarem MRTT, recebendo aviônicos militares e sistemas de reabastecimento em voo.
Qualquer interrupção prolongada nessas atividades pode impactar o backlog internacional do MRTT. A Airbus conduz diversos programas de reabastecedores, enquanto a própria Espanha está finalizando a conversão de três antigos A330 da Iberia e acaba de aprovar o acordo para uma aquisição conjunta com a Polônia de mais sete aeronaves — três para a Espanha e quatro para a Polônia.

As instalações espanholas também estão profundamente integradas ao sistema de produção comercial da Airbus. O país fabrica estabilizadores horizontais para toda a família de aviões comerciais da Airbus, incluindo o A321XLR, além de outras aeroestruturas e componentes compostos.
A Airbus tem como meta entregar 870 aviões comerciais em 2026. Representantes sindicais disseram à Reuters que a greve já desacelerou a produção militar e comercial e pode dificultar o cumprimento desse objetivo.
Na semana passada, a Airbus informou que a paralisação de funções administrativas e de apoio ainda não havia afetado a produção. A empresa também congelou novas contratações na Espanha enquanto durar a greve, segundo o presidente do comitê de empresa espanhol. Uma nova sessão de mediação está marcada para quinta-feira.
