Milhares de funcionários da Airbus na Espanha retomaram a greve após rejeitarem a última proposta do grupo aeroespacial europeu sobre salários e condições de trabalho, reacendendo uma disputa trabalhista que pode afetar diversos programas importantes de aeronaves comerciais e militares.

As novas paralisações começaram na terça-feira, 25 de agosto, após 22 dias de greve em julho. Os sindicatos classificaram a ação como uma greve por tempo indeterminado, embora uma nova reunião de mediação esteja marcada para quinta-feira.

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UGT, CGT e UTIL, os três sindicatos que convocaram a greve, representam cerca de 40% dos aproximadamente 14.000 funcionários da Airbus na Espanha, segundo sindicatos franceses informados sobre a disputa. Sindicatos espanhóis afirmaram que cerca de 90% dos trabalhadores elegíveis participaram da paralisação de terça-feira, embora esse número não tenha sido verificado de forma independente.

Os trabalhadores rejeitaram as propostas apresentadas pela Airbus durante a mediação após assembleias nas fábricas concluírem que a empresa não apresentou compromissos suficientemente firmes nem datas de implementação.

Linha de montagem do C295 na Espanha (Airbus)
Linha de montagem do C295 na Espanha (Airbus)

Entre as questões estão salários atrelados à inflação, acordos de trabalho remoto, benefícios por afastamento médico, férias, horários flexíveis e transporte de funcionários.

A Airbus já havia recuado dos planos de aumentar substancialmente a presença nos escritórios após os protestos anteriores. A empresa pretendia exigir quatro dias por semana no escritório, mas continuará permitindo que os funcionários trabalhem remotamente em média dois dias por semana.

A UGT afirmou que a Airbus também concordou em vincular os salários ao índice de preços ao consumidor da Espanha e retirou um recurso judicial relacionado ao pagamento de afastamentos médicos. O sindicato argumenta que outros pontos da proposta da empresa ainda não estão suficientemente definidos.

Implicações na produção vão além da aviação comercial

A Espanha ocupa uma posição especialmente relevante na área de aeronaves militares da Airbus, o que significa que uma greve prolongada pode ter consequências que vão além da meta de entregas de aviões comerciais da empresa.

A Airbus Defence and Space emprega cerca de 9.000 pessoas em cinco unidades espanholas. O segmento Air Power é liderado a partir do país, enquanto vários programas de aeronaves dependem diretamente das instalações espanholas.

A400M da Indonésia
A400M da Indonésia

Sevilha é o local de montagem final tanto do cargueiro estratégico A400M quanto do transporte tático C295. Este último possui uma carteira de pedidos significativa, incluindo 16 aeronaves de patrulha marítima e vigilância encomendadas pela Espanha em 2023 e outras 18 aeronaves de transporte encomendadas em dezembro de 2025.

Getafe, próximo a Madri, abriga a linha de montagem final do Eurofighter espanhol e realiza manutenção do A400M. Mais importante para clientes internacionais, é o centro global de conversão do A330 MRTT da Airbus.

As fuselagens padrão do A330-200 são montadas em Toulouse, França, antes de serem convertidas em Getafe para se tornarem MRTT, recebendo aviônicos militares e sistemas de reabastecimento em voo.

Qualquer interrupção prolongada nessas atividades pode impactar o backlog internacional do MRTT. A Airbus conduz diversos programas de reabastecedores, enquanto a própria Espanha está finalizando a conversão de três antigos A330 da Iberia e acaba de aprovar o acordo para uma aquisição conjunta com a Polônia de mais sete aeronaves — três para a Espanha e quatro para a Polônia.

Eurofighter Typhoon ‘Halcón I’ (Airbus)
Eurofighter Typhoon ‘Halcón I’ (Airbus)

As instalações espanholas também estão profundamente integradas ao sistema de produção comercial da Airbus. O país fabrica estabilizadores horizontais para toda a família de aviões comerciais da Airbus, incluindo o A321XLR, além de outras aeroestruturas e componentes compostos.

A Airbus tem como meta entregar 870 aviões comerciais em 2026. Representantes sindicais disseram à Reuters que a greve já desacelerou a produção militar e comercial e pode dificultar o cumprimento desse objetivo.

Na semana passada, a Airbus informou que a paralisação de funções administrativas e de apoio ainda não havia afetado a produção. A empresa também congelou novas contratações na Espanha enquanto durar a greve, segundo o presidente do comitê de empresa espanhol. Uma nova sessão de mediação está marcada para quinta-feira.