A unidade da Boeing em Everett é a mais fábrica do mundo, 13.385.378 metros cúbicos (Boeing)

Após quatro anos de tentativas e erros, a Boeing decidiu “demitir” os robôs que eram responsáveis por montar duas seções principais da fuselagem dos jatos 777 e do novo 777X na unidade de Everett, no estado de Washington, nos EUA.

Em vez dos ajudantes robóticos, a fabricante confiará essa parte do trabalho a mecânicos qualificados para inserir manualmente os rebites ao longo das estruturas do avião utilizando um sistema automatizado conhecido como “trilhos flexíveis”, técnica que foi aperfeiçoada na linha de montagem do 787 Dreamliner.

A alteração para o novo sistema “humano-máquina” começou durante o segundo trimestre e deve ser concluída até o final deste ano, disse o porta-voz da Boeing, Paul Bergman, em contato com a agência Bloomberg. O representante da fabricante ainda salientou que o novo método de produção não reduz o número de funcionários na planta do 777.

“A solução de pista flexível se mostrou mais confiável, exigindo menos trabalho manual e menos retrabalho do que a capacidade dos robôs”, disse Bergman.

O objetivo da companhia era substituir o trabalho de operários com ferramentas manuais por robôs na inserção de 60.000 rebites em cada avião, processo que agora será realizado por humanos e máquinas trabalhando em conjunto.

“Redesenhamos partes da construção para substituir os rebites por formas de fixação menos difíceis, melhorando ainda mais a ergonomia”, afirmou Bergman. O novo método deve trazer melhorias na segurança, qualidade e fluxo da fábrica, acrescentou o porta-voz da Boeing.

Robôs versus humanos

Apesar da automação aumentar a eficiência de produção, fabricantes de diferentes setores da indústria vêm lidando com alguns casos em que a tecnologia não consegue igualar a criatividade e a precisão das mãos e olhos humanos.

Um exemplo recente de robôs problemáticos foi registrado pela Tesla, que tentou implantar o método na linha de montagem do carro elétrico Model 3 e conjuntos de baterias. A iniciativa, porém, acabou prejudicando a linha de montagem e atrasou a produção inicial dos automóveis.

O sistema aplicado na planta da Boeing em Everett utiliza robôs para fazer furos com precisão e prender os painéis que compõem a estrutura externa das aeronaves. A tecnologia utilizada pela fabricante foi desenvolvida pela KUKA Systems, empresa que tem longa tradição no fornecimento de maquinário para linhas de produção de carros.

A entrega do primeiro 777-9 de nova geração está programada para 2021

A Boeing, no entanto, teve dificuldade para manter os robôs trabalhando em sincronia nas partes externa e interna dos painéis da fuselagem do 777, o que aumentou o trabalho dos funcionários corrigindo os erros causados pelo processo automatizado.

O uso dos robôs pela Boeing foi concebido justamente para reduzir o desgaste dos trabalhadores, já que as máquinas são responsáveis por realizar justamente as tarefas mais exigentes fisicamente: fazer furos em chapas de metal.

Apesar do plano de reduzir a quantidade de robôs, a produção do 777 ainda é altamente dependente de processos automatizados, que vão desde a montagem das asas até veículos autoguiados usados para transportar grandes componentes dentro da fábrica.

O 777X será o maior avião de todos os tempos da Boeing, por isso a aplicação de métodos automatizados são essenciais para estabelecer um ritmo eficiente na linha de produção.

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