KC-390 abaixo de zero: FAB testa novo cargueiro no Alasca

Equipes da FAB e Embraer vão verificar como a aeronave KC-390 se comporta em ambientes com temperaturas extremamente baixas
Embraer KC-390 no Alasca
KC-390 no Alasca: aeronave passou por testes em temperaturas extremamente baixas (FAB)

Equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) estão neste momento trabalhando em temperaturas congelantes para realizar testes com o KC-390 Millennium no Alasca, nos EUA.

De acordo com a FAB, a missão vai verificar a integração de todos os subsistemas e a robustez da aeronave em ambientes congelantes. A atividade no Alasca é gerenciada pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) e conta com representantes do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), engenheiros de ensaio do Instituto de Pesquisa e Ensaios em Voo (IPEV) e integrantes da Embraer.

O ensaio de Cold Soak tem por objetivo investigar o efeito da exposição da aeronave a temperaturas extremamente baixas, por um intervalo de tempo considerável em solo, situação na qual a falha de sistemas pode tirar um avião de operação.

O início da atividade se deu com a chegada do KC-390 à cidade de Jacksonville (Flórida), no dia 8 de fevereiro. No mesmo dia, a aeronave decolou para Moses Lake (Washington) para realizar o primeiro trajeto do traslado para Fairbanks (Alasca). Vale notar que essa etapa teve duração de 6h28min, que representa o maior tempo de voo operacional do KC-390, em percurso único, já realizado.

Embraer KC-390 no Alasca
Diversos sistemas do KC-390 foram verificados no frio congelante do Alasca (FAB)

Em Fairbanks, a aeronave foi exposta, por um longo período, a um ambiente climático favorável aos testes, atingindo um pico de -37,8°C com sensação térmica de – 47,8°C, informou a FAB. Após o tempo de exposição, foram conduzidos cheques operacionais da aeronave para verificar a funcionalidade de diversos sistemas, tais como: aviônicos, elétrico, hidráulico, controles de voo, combustível, motores, Unidade de Energia Auxiliar (APU) e radar.

O Tenente-Coronel Aviador Carlos Vagner Ottone Veiga, do Esquadrão Zeus, está na missão e destacou a importância do ensaio. “Os resultados dos testes serão importantes para seguir com a certificação da aeronave nesta condição, um grande passo para que as missões do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) com o KC-390 possam ocorrer em um futuro próximo.”

Para o Tenente-Coronel Engenheiro Emerson Gonçalves de Souza, da COPAC, que também faz parte da equipe, o ensaio Cold Soak é mais um passo na certificação da aeronave. “A realização do ensaio representa um marco importante no processo de desenvolvimento e certificação militar da aeronave KC-390, que visa garantir que esse importante vetor da Força Aérea estará apto a operar eficientemente em condições de baixa temperatura, atendendo aos requisitos estabelecidos pela Força Aérea para seu emprego”, disse.

Embraer KC-390 no Alasca
O modelo enviado ao Alasca foi o FAB-2855 (FAB)

Devido à exposição ao extremo frio, os cheques ocorreram de forma cadenciada e minuciosa, a fim de garantir a segurança da equipe de ensaios e a qualidade dos resultados obtidos. A FAB diz que a longa jornada de testes permitiu a coleta de dados diversos que serão utilizados para comprovar a robustez da aeronave, bem como para o aprimoramento e maturação dos sistemas avaliados.

“Foi uma grande alegria para o time de engenheiros e mecânicos da Embraer observar o resultado de anos de desenvolvimento. A aeronave operou muito bem e, com o resultado do ensaio, poderemos aumentar a segurança e a eficiência quando o KC-390 operar em baixas temperaturas”, comentou o engenheiro da Embraer Guilherme Moreschi Valente dos Santos.

Apesar de já estar em serviço, o KC-390 segue em desenvolvimento. A FAB e a Embraer ainda trabalham na fase de certificação de Capacidade Operacional Final (FOC, na sigla em inglês), uma espécie de atestado militar que comprova todas as capacidades propostas no projeto da aeronave.

Além dos testes no frio, o KC-390 ainda precisa provar sua eficiência em mais uma série de missões, como reabastecimento em voo de helicópteros, operações de combate a incêndios florestais, entre outras.

A capacidade de combater incêndios foi uma das exigências da FAB para o KC-390 (Embraer)
A capacidade de combater incêndios foi uma das exigências da FAB para o KC-390 (Embraer)

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