A Lufthansa programou o último voo comercial do Airbus A340-600 para 18 de outubro, encerrando um ciclo de 23 anos como um dos maiores operadores do quadrimotor de longo alcance.

O voo LH419 partirá de Washington Dulles com destino a Frankfurt, onde está previsto para chegar na manhã de 19 de outubro. A Lufthansa havia planejado voos com o A340-600 até 24 de outubro, mas antecipou o fim das operações do modelo.

A companhia alemã mantém atualmente quatro A340-600 em operação, principalmente nas rotas de Frankfurt para Washington Dulles e Nova York (JFK). A retirada da frota já havia sido anunciada em abril, como parte das medidas de capacidade e custo do Grupo Lufthansa para 2026.

Não é a primeira vez que a empresa tenta se despedir do modelo. Durante a pandemia de Covid-19, a Lufthansa chegou a paralisar a frota de A340-600, enviando várias aeronaves para armazenamento e desmontagem, antes de reverter a decisão e reativar dez unidades.

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Atrasos nas entregas de novos widebodies acabaram prolongando a vida útil dos quadrimotores. A Lufthansa esperava inicialmente que os Boeing 787-9, 777-9 e Airbus A350 assumissem gradualmente as rotas dos modelos mais antigos. O A340-600, no entanto, permaneceu na programação até a temporada de verão de 2026.

Com 75,3 metros de comprimento, o A340-600 supera o A380 em 2,8 metros (Airbus)
Com 75,3 metros de comprimento, o A340-600 supera o A380 em 2,8 metros (Airbus)

A Lufthansa foi um dos maiores clientes do modelo, recebendo 24 A340-600 a partir de 2003. Isso representou quase um quarto das 97 aeronaves entregues pela Airbus durante a curta produção do modelo.

Um A340 maior chega na hora errada

O A340-500 e o A340-600 foram desenvolvidos como versões substancialmente redesenhadas dos originais A340-200 e -300. Receberam asas maiores, maior capacidade de combustível e motores Rolls-Royce Trent 500, substituindo os CFM56 das versões anteriores.

O A340-500 foi projetado para voos ultralongos e entrou em serviço comercial em 2003. Seu alcance permitiu à Singapore Airlines operar voos sem escalas de Singapura para Los Angeles e Newark, entre os mais longos do mundo na época.

O A340-600 buscava outro mercado. Com fuselagem alongada, oferecia capacidade significativamente maior e concorria com grandes jatos de longo curso como o Boeing 747-400 e, cada vez mais, o 777-300ER. Com 75,3 metros, foi o maior avião de passageiros do mundo até a chegada do Boeing 747-8.

A340-500 executivo
A340-500 executivo | Olivier Cleynen

Mas os dois modelos entraram em serviço justamente quando a economia dos voos de longo curso começava a favorecer decididamente os bimotores. O avanço do ETOPS permitiu que jatos de dois motores assumissem rotas antes dominadas por quadrimotores.

O Boeing 777 tornou-se um concorrente especialmente forte. O 777-300ER combinava alta capacidade e longo alcance com apenas dois motores, e superou amplamente o A340-600 em vendas.

A Airbus também enfrentou concorrência interna. O A330, com origem e arquitetura semelhantes ao A340, utilizava dois motores e tornou-se uma das famílias widebody de maior sucesso da fabricante, continuando a evoluir mesmo após o fim da produção do A340.

Foram entregues apenas 34 A340-500 e 97 A340-600. A produção combinada dos dois modelos somou apenas 131 aeronaves, enquanto toda a família A340 totalizou 377 entregas.

Conviasa A340-600
Conviasa A340-600 | N509FZ

Poucos A340-600 seguem em operação comercial

A saída da Lufthansa reduz ainda mais o já pequeno grupo de operadores comerciais do A340-600.

A iraniana Mahan Air segue como um dos usuários mais visíveis, operando voos de longo curso a partir de Teerã, incluindo destinos na Ásia. A venezuelana Conviasa também mantém o A340-600 em rotas de longa distância, enquanto a alemã Universal Sky Carrier utiliza o modelo no mercado de fretamento e ACMI.

Outros A340-600 sobrevivem em operações privadas, VIP e governamentais, mas o uso regular por companhias aéreas tornou-se cada vez mais raro.

O A340-500 já avançou ainda mais nesse caminho. O modelo ultralongo já não possui operação regular de passageiros, restando apenas em funções governamentais, VIP e outros nichos especializados. Curiosamente, a TAM voou por algum tempo com o A340-500 enquanto esperava por widebodies mais novos.

O último voo do A340-600 da Lufthansa, portanto, retira um dos principais clientes originais do modelo de uma frota comercial que hoje representa apenas uma fração das 97 aeronaves produzidas pela Airbus.

A340-500 da TAM
A340-500 da TAM | José Luis Celada Euba