Grandes nomes da indústria aeroespacial e automobilística estão projetando seus eVTOL (Divulgação)

Um enxame de pequenas aeronaves eVTOL vai invadir os céus de grandes metrópoles nos próximos anos. Segundo uma nova pesquisa da consultoria alemã Roland Berger, mais de 160 mil “táxis voadores” deverão entrar em serviço até 2050.

Em um relatório apresentado na última semana durante o Farnborough International Airshow Connect, a Roland Berger projetou que as operações de Mobilidade Aérea Urbana (UAM) serão divididas entre o que ela definiu como “táxi da cidade” (voos sob demanda de 15 km a 50 km), “transporte para o aeroporto” (voos sob demanda de 15 km a 50 km) e “interurbano” (voo regulares de 50 km a 250 km).

A partir de 2050, a consultoria prevê que o mercado de eVTOLs deve movimentar em torno de US$ 80 bilhões ao ano. De acordo com a pesquisa do grupo alemão, a maior parte desse rendimento virá do transporte de e para aeroportos e voos entre cidades, 50% e 40% respectivamente, enquanto as viagens de deslocamento urbano representarão 10% dos ganhos.

“Para começar, achamos que os serviços de UAM terão um preço bastante alto e exclusivo, mas, a longo prazo, à medida que os custos operacionais se tornarem mais escaláveis, será mais parecido com os serviços premium de transporte público atuais, como táxis”, disse Manfred Hader, chefe da área aeroespacial e de defesa de Roland Berger.

A Uber, principal nome envolvido no mercado de táxis voadores, diz que seu serviço de UAM deve ser lançado em 2023, começando em cidades dos EUA e Austrália. No entanto, a grande maioria dos 2.100 executivos da indústria aeroespacial consultados pela Roland Berger indicou que não considera esse prazo credível, com 51% deles apontando que isso não deve acontecer entre 5 e 10 anos, 34% prevendo mais de 10 anos e apenas 13% disseram que os eVTOL devem estar disponíveis em cinco anos. Outros 2% dos entrevistados responderam que a ideia nunca deve sair do papel.

A Embraer é um das fabricantes que está projetando um “táxi voador” (EmbraerX)

“As empresas iniciantes estão tipicamente mais otimistas para o início das operações até 2025, porque seu financiamento depende de boas notícias para atrair investidores”, disse Hader. “As empresas aeroespaciais tradicionais estão sendo mais cautelosas e estão olhando para o final da década de 2020 ou o início da década de 2030”.

No geral, Roland Berger não espera que a crise da Covid-19 afete significativamente o cronograma para o setor de UAM. Contudo, o relatório sugere que algumas empresas agora podem ter dificuldades para obter o financiamento necessário para avançarem com seus projetos.

A Roland Berger também afirma que existem pelo menos 108 centros urbanos pelo mundo onde os táxis voadores têm potencial para atrair passageiros. A lista inclui 54 cidade na Europa, 25 na região Ásia-Pacifico, 21 na América do Norte e do Sul, seis na África e duas no Oriente Médio.

A acessibilidade dos eVTOL ao público será definida de acordo com o avanço tecnológico desses aparelhos, o que inclui o desenvolvimento de motores elétricos e baterias mais eficientes e comandos autônomos. Também será necessário criar um novo regulamento de tráfego aéreo e certificados de segurança adequados para essa nova categoria da aviação.  Será que demora muito?

Veja mais: Boeing confirma adiamento do 777X e fim da produção do icônico 747