O Grupo LATAM caminha para operar a maior frota de aviões de sua história até o fim de 2026, mas sua estratégia de expansão se baseia em uma combinação crescente de famílias de aeronaves, e não em uma frota padronizada, algo geralmente evitado no setor.
A companhia aérea espera aumentar sua frota de 382 aeronaves no meio do ano para 410 até dezembro, após receber 13 aeronaves de nova geração no primeiro semestre e outras 28 até o fim do ano. Segundo o CEO Roberto Alvo, isso colocaria a LATAM entre as 12 maiores frotas de companhias aéreas do mundo.
A LATAM estrutura sua frota com aeronaves designadas para diferentes tipos de rotas. Hoje a família A320neo permanece como base de sua malha doméstica e sul-americana. Os Boeing 787-9 atendem a uma gama mais ampla de destinos de longo curso, os 787-8 são utilizados em rotas de menor demanda e os 10 Boeing 777-300ER da companhia servem os mercados de maior procura a partir do Brasil.
No entanto, em breve esse mix vai ficar mais complexo. Os primeiros Embraer E195-E2 que chegam em outubro vão estrear em operação no Brasil antes de serem introduzidos em outras unidades do grupo. Já o Airbus A321XLR será incorporado em 2027. Sua comunalidade com a família A320 reduz o impacto adicional no treinamento de pilotos e nas operações, ao mesmo tempo em que oferece à LATAM uma aeronave capaz de operar rotas mais longas que não comportam um widebody.

Essa abordagem proporciona à companhia maior flexibilidade para ajustar a capacidade das aeronaves à demanda do mercado e reduz a dependência de um único fornecedor ou família de aeronaves, uma vantagem em um momento em que fabricantes e fornecedores de motores continuam enfrentando desafios de produção e cadeia de suprimentos.
A contrapartida é uma operação mais complexa. Cada família de aeronaves exige treinamento específico de pilotos e manutenção, estoques separados de peças de reposição e diferentes programas de suporte técnico. Essas exigências geralmente elevam os custos operacionais em comparação com companhias aéreas que operam uma única plataforma de aeronave.

Mesmo dentro da frota de Boeing 787, a LATAM se afastou de uma configuração padronizada. Os primeiros Dreamliner entraram em serviço com motores Rolls-Royce Trent 1000, enquanto entregas posteriores trouxeram motores General Electric GEnx. As próximas aeronaves devem voltar a utilizar motores Rolls-Royce, aumentando ainda mais a diversidade técnica da frota.
Mais da metade das aeronaves da LATAM deve ser composta por modelos de nova geração até o fim da década. Dependendo do tipo substituído, a companhia afirma que eles reduzirão o consumo de combustível e as emissões de dióxido de carbono entre 15% e 25%.
