A Ryanair prorrogou o contrato do CEO do grupo, Michael O'Leary, até abril de 2032, garantindo que o líder mais influente da companhia permanecerá no comando por quase quatro décadas desde que ingressou na empresa.

A companhia aérea irlandesa de baixo custo anunciou em 19 de junho que chegou a um acordo com O'Leary após meses de negociações com o executivo e consultas com os principais acionistas. Pelo novo acordo, O'Leary seguirá como CEO do grupo por mais seis anos.

O contrato prevê um novo pacote de incentivos que pode permitir que ele adquira até 10 milhões de ações da Ryanair a €26,70 cada, caso permaneça na companhia até 2032 e a empresa atinja metas ambiciosas de lucro ou valorização das ações.

Quando o contrato terminar, O'Leary terá completado 44 anos na Ryanair e 38 anos em cargos de alta administração. Ele entrou na companhia como diretor financeiro em 1988 e assumiu o comando como CEO em 1994.

Nesse período, a Ryanair passou de uma pequena operadora regional para a maior companhia aérea da Europa em número de passageiros, transportando mais de 200 milhões de pessoas por ano e operando uma das maiores frotas de Boeing 737 do continente.

Boeing 737 MAX da Ryanair (Ryanair)
Boeing 737 MAX da Ryanair (Ryanair)

Grande parte desse crescimento se baseou no modelo de ultrabaixo custo defendido por O'Leary. A Ryanair ficou conhecida por reduzir agressivamente os custos operacionais, negociar taxas aeroportuárias mais baixas e gerar receita com produtos auxiliares que vão desde a escolha de assentos e taxas de bagagem até reservas de hotéis e aluguel de carros.

O'Leary também se tornou um dos executivos mais conhecidos e controversos da aviação. Suas declarações públicas diretas, táticas de publicidade pouco convencionais e críticas frequentes a reguladores, governos, aeroportos e concorrentes ajudaram a moldar a imagem pública da Ryanair ao longo de três décadas.

Ao longo dos anos, ele ganhou manchetes ao propor assentos em pé nos aviões, cobrar pelo uso do banheiro a bordo e eliminar o copiloto da cabine, ideias amplamente vistas como estratégias de marketing e não como propostas de negócios sérias.

Ele também se envolveu em disputas com governos de vários países europeus, incluindo a Hungria, onde criticou publicamente ministros por impostos sobre aviação, além de desafiar repetidamente políticas ambientais que afetam o setor aéreo.

Michael O'Leary, CEO da Ryanair
Michael O'Leary, CEO da Ryanair

Apesar da reputação por declarações provocativas, investidores geralmente apoiaram sua liderança. A Ryanair registrou lucro líquido recorde de €2,26 bilhões no último exercício financeiro e segue ampliando sua malha na Europa enquanto aguarda a entrega de mais aeronaves Boeing 737 MAX.

A companhia informou que o pacote de remuneração de O'Leary inclui salário anual modesto e bônus com teto máximo. Qualquer pagamento referente a opções de ações dependerá de a Ryanair alcançar lucro líquido anual acima de €4 bilhões ou manter cotação significativamente mais alta por período prolongado.

O presidente da Ryanair, Stan McCarthy, afirmou que a extensão do contrato ocorreu após amplo diálogo com acionistas e garantirá continuidade à medida que a companhia busca crescer ainda mais na próxima década.