Silencioso e mortal: os MQ-9 podem ser controlados a partir de estações em qualquer lugar do mundo (USAF)

Principal manchete no mundo todo nesta sexta-feira (3), a morte do comandante de segurança e inteligência do Irã, o general Qassem Soleimani, nesta manhã no aeroporto internacional de Bagdá, no Iraque, foi realizada com um dos recursos mais letais das forças armadas dos EUA, o drone MQ-9 Reaper (Ceifador).

Com alcance de 1.840 km (ou 14 horas de voo) e capacidade para voar em altitudes de até 50.000 pés (15.240 metros), o MQ-9 Reaper é uma aeronave pilotada remotamente projetada para uma série de missões, como operações de inteligência e ataques com armas de precisão, como o temido míssil ar-terra AGM-114 Hellfire, apontado como a arma usada no ataque ao general iraniano.

O tenente-general aposentado da força aérea dos EUA, David, Deptula, disse ao site Washington Examiner que o MQ-9 “é o sistema de armas perfeito para este trabalho (o ataque ao general iraniano) e destaca o poder aéreo de forma precisa, oportuna e letal”. O ataque autorizado pelo presidente Donald Trump matou pelo menos sete pessoas, entre elas Abu Mahdi Al-Mudandis, chefe das Forças de Mobilização Popular do Iraque, milícia apoiada pelo Irã.

Construído pela norte-americana General Atomics, o MQ-9 é operado pelos militares norte-americanos desde 2007 e soma mais de 200 unidades produzidas. O drone também está em serviço com as forças armadas da França, Itália, Holanda, Reino Unido, Espanha e República Dominicana (supervisionada e financiada pelos EUA). Outros países interessados em adquirir o aparelho são Alemanha, Austrália, Bélgica e Índia.

MQ-9 armado com mísseis Hellfire e bombas “inteligentes” GBU-12 Paveway II (USAF)

Segundo dados do fabricante, o drone pode decolar com peso máximo de 4.760 kg, tem uma envergadura de 20 metros e 11 metros de comprimento, e pode voar a velocidade de cruzeiro de aproximadamente 368 km/h impulsionado por um motor turbo-hélice pusher (posicionado na cauda da aeronave) de 900 hp e baixo nível de ruído. Cada sistema (que inclui quatro drones e uma estação de comando remoto) custa em torno de US$ 64,2 milhões.

As operações controladas remotamente com o MQ-9 exigem um piloto e um operador de sensores, que trabalham juntos a partir de estações em solo que podem ser montadas em qualquer parte do mundo. Os comandos são transmitidos por satélite e levam 1,2 segundo para alcançar o drone.

A configuração de combate básica do Reaper inclui um sistema de mira multiespectral, com sensores infravermelho, câmeras de alta resolução e um designador laser para marcar os alvos. Já a carga bélica do drone pode ser composta por quatro mísseis Hellfire e duas bombas guiadas de 230 kg (modelos GBU-12 Paveway II ou GBU-28 JDAM). O aparelho também pode disparar mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder.

O Reaper vem sendo usado nos últimos anos em ações militares no Afeganistão, Iraque, Iêmen, Líbia e vários outros países. Sua estreia em combate foi registrada em 28 de outubro de 2007, quando disparou um míssil Hellfire contra insurgentes no Afeganistão. O drone também atuou no ataque que matou “Jihadi John”, cidadão britânico que era membro do grupo terrorista Estado Islâmico.

A maioria dos MQ-9 Reaper estão em serviço com as forças armadas dos EUA (USAF)

O uso de drones de ataque vem sendo cada vez mais comum em operações militares, em especial em ações promovidas pelas forças armadas dos EUA. O morte do general mais importante do Irã demonstra o potencial desses recursos, capazes de realizar ataques aéreos de precisão sem o envolvimento direto de pilotos no cenário de combate.

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