Não espere velocidades hipersônicas ou recordes de altitude do mais novo X-plane da NASA. Batizado de X-70 Fractal, o curioso avião experimental revelado nesta semana terá uma missão bem diferente: ser uma espécie de laboratório voador que poderá mudar de função conforme a pesquisa da vez.
Tripulado, o X-70 foi pensado para ser facilmente modificado. A NASA quer usá-lo principalmente para experimentar novos sistemas de controle de voo e estudar manobras que, segundo a agência, ainda não foram demonstradas por uma aeronave com pilotos a bordo.
Mas o Fractal não ficará preso a esse trabalho. O avião poderá levar até 907 kg (2.000 lb) de equipamentos em pontos internos e externos, que poderão ser trocados entre diferentes campanhas de pesquisa. Em outras palavras, em vez de construir um novo X-plane para cada experiência, a NASA poderá reaproveitar a mesma aeronave para testar tecnologias diferentes.
Isso também ajuda a explicar uma ficha técnica que não impressiona pela velocidade. Com peso de decolagem de 4.536 kg (10.000 lb), o X-70 terá velocidade de cruzeiro de Mach 0,75, teto de 13.700 metros (45.000 pés) e alcance superior a 2.778 km (1.500 milhas náuticas).
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Ainda há bastante coisa que a NASA não contou. A agência não revelou quem está desenvolvendo o X-70 nem em que estágio se encontra o programa. Jared Isaacman, administrador da NASA, disse apenas que espera o primeiro voo “sob a bandeira da NASA” dentro de dois anos. A escolha das palavras é curiosa e deixa em aberto se o Fractal poderá voar antes de começar a ser operado pela agência.

E o avião hipersônico?
Se o X-70 não foi feito para correr, o que aconteceu com aquele misterioso avião de altíssima velocidade que a NASA parecia estar preparando?
A dúvida não surgiu por acaso. Em setembro, Isaacman apresentou os planos para reconstruir o portfólio de X-planes da agência diante da imagem de uma aeronave preta com linhas que lembravam bastante o lendário SR-71 Blackbird. A NASA nunca explicou o que era aquele avião nem confirmou que a imagem mostrava um projeto real.
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E não foi apenas uma interpretação provocada pelo desenho. Isaacman disse que em pouco tempo a NASA voltaria a voar tão alto e rápido quanto havia feito décadas atrás, “e depois ainda mais”. Quando perguntaram diretamente sobre a silhueta semelhante à do Blackbird, ele não revelou sua identidade e voltou a falar sobre levar a agência novamente aos voos de grande altitude e velocidade.
Definitivamente não é o X-70. Voando em cruzeiro a Mach 0,75 e chegando a 13.700 metros, o Fractal estará muito distante do território explorado por máquinas como o X-15 e o SR-71.

Na realidade, Isaacman já havia deixado uma pista de que seriam histórias diferentes. Dias antes da apresentação do Fractal, ele antecipou que a NASA revelaria um novo X-plane, mas acrescentou: “não é aquele em que vocês estão pensando”.
Na mesma ocasião, ele também voltou a desconversar sobre o antigo SR-71A NASA 844, retirado de exposição e levado para um hangar da agência. A movimentação em torno do Blackbird já levantou dúvidas sobre uma possível tentativa de colocá-lo novamente em condições de voo.
Até agora, porém, a NASA não revelou um novo X-plane hipersônico tripulado nem confirmou que aquela silhueta semelhante ao Blackbird represente uma aeronave real. Portanto, o X-70 ganhou nome, características e uma missão. O outro avião continua sendo um mistério.



