Novo/velho jeito de voar: empresa da Espanha encomenda dirigíveis gigantes

Aeróstato para 100 passageiros da fabricante britânica Hybrid Air Vehicles tem estreia comercial programada para 2026
O retorno dos dirigíveis gigantes: Air Nostrum planeja operações com o Airlander para de 2026 (HAV)

A companhia aérea regional Air Nostrum, da Espanha, fez um novo pedido de aeronaves na última semana. Ou melhor, de aeróstatos. A empresa reservou 10 dirigíveis Airlander 10, da fabricante britânica Hybrid Air Vehicles (HAV), com entregas e início das operações comerciais a partir de 2026.

O acordo, que ainda não é uma compra definitiva, também inclui um estudo de seis meses com o dirigível projetado com motorização híbrida e 100 assentos. As empresas querem avaliar o desempenho do aparelho em rotas pela Espanha e os custos associados da operação. O comunicado não menciona os valores da negociação, se for de fato ela for concretizada.

Paralelo ao tratado com a companhia aérea espanhola, a HAV anunciou que está preparando a fábrica onde o Airlander 10 será construído, em South Yorkshire, no Reino Unido. A empresa diz que a produção dos dirigíveis de começa ainda neste ano.

“É a maior aeronave com maior eficiência energética do mundo. A HAV espera que o Airlander 10 seja a primeira aeronave de grande escala do mundo a alcançar um voo com zero emissão”, disse Tom Grundy, CEO da Hybrid Air Vehicles.

Carlos Bertomeu, presidente da Air Nostrum, comentou que o uso de dirigíveis de última geração é uma altertativa sustentável e vai de encontro com novas regulações de emissões do setor aéreo na Europa. “Como companhia aérea de lançamento do Airlander 10, abrimos o caminho para o futuro. À medida que países como França, Dinamarca, Noruega, Espanha e Reino Unido começam a colocar em prática regras ambiciosas para a descarbonização de voos domésticos e de curta distância, a HAV e o Air Nostrum Group estão demonstrando como podemos chegar lá.”

Maior aeronave do mundo

Design diferente: o Airlander 10 tem capacidade até 100 passageiros (HAV)

O Airlander 10 segue uma fórmula de design bem diferente do formato clássico dos dirigíveis de estrutura rígida, eternizado pelos aeróstatos gigantes da Zeppelin construídos nos anos 1930. O modelo da empresa britânica é mais largo, como se fosse  parece dois balões unidos lado lado. É uma solução para reduzir o tamanho do aparelho e torná-lo mais prático. Entretanto, apesar do esforço para diminuí-lo, o dirigível da HAV pode ser a próxima maior aeronave do mundo em comprimento.

O dirigível de última geração, com 91 metros de comprimento, bate o novo Boeing 777-9, o maior avião da atualidade nesse quesito, com 76,7 m do nariz a cauda. Ainda assim, o novo balão motorizado é minúsculo comparado aos antigos Zeppelin dos anos 1930, como o LZ 129 Hindenburg que media 245 metros de uma ponta a outra. Por hora, cabe ao Airlander 10 o título de maior dirigível do século 21.

Um protótipo do aeróstato britânico (antes designado HAV 304) está em testes há quase 10 anos. Ele tem até um acidente na carreira, ocorrido em 2016, no que pareceu uma queda em câmera lenta – o aparelho sofreu um vazamento de gás e lentamente perdeu a sustentação. Não houve feridos. Posteriormente, o modelo foi recuperado e convertido para o padrão Airlander 10, visando o desenvolvimento da versão de produção.

Luxo nas alturas: layout de cabine de luxo para o Airlander 10 (HAV)

Diferentemente dos antigos Zeppelin, que eram inflados com hidrogênio, um gás inflamável, o dirigível da HAV usa hélio, um material mais seguro (e sobretudo não inflamável). Segundo o fabricante, o aparelho comporta 38.000 m³ do gás.

O protótipo do Airlander 10 é impulsionado por quatro motores a diesel de 325 hp cada, que ainda são auxiliados por mais quatro motores elétricos de 67 hp. É o suficiente para decolar com peso máximo de 33 toneladas, incluindo 10 ton de carga útil, e voar a velocidade de cruzeiro de 150 km/h. A HAV diz que a utilização do dirigível híbrido-elétrico reduz os níveis de emissões em 90% comparado a aeronaves com propulsão convencional.

Ao contrário dos antigos dirigíveis, que eram máquinas gigantes, mas nada práticas e perigosas, o fabricante britânico diz que o seu produto é preparado para todo tipo de clima e um variado um leque de missões. O Airlander 10 é projetado para voos de até 4.000 km a 20.000 pés (6.096 metros) de altitude ou então permanecer voando por cinco dias. Encara esse novo/velho modo de viajar?

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