A Mahindra Aerostructures, parceira da Embraer na Índia para o programa do cargueiro militar C-390 Millennium, recebeu um novo contrato da Airbus para fabricar componentes da fuselagem de aeronaves da família A320.
O acordo prevê a produção de 11 painéis externos da fuselagem, sendo oito destinados à Seção 18 e três à Seção 19, ambas localizadas na região traseira da aeronave. Segundo a Mahindra, os componentes serão utilizados nos A320neo e A321XLR.
As peças serão fabricadas nas instalações da empresa em Bengaluru, na Índia, e enviadas para a fábrica da Airbus em Augsburg, na Alemanha. As primeiras entregas estão previstas para 2028.
Para assumir o novo trabalho, a Mahindra está incorporando processos como fresagem química, tratamento de superfície e conformação por estiramento. A empresa afirmou que atividades de engenharia de fabricação, projeto de ferramental, revisão dos processos produtivos, qualificação e inspeção já estão em andamento.

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O contrato amplia uma relação que já inclui a fabricação de componentes e subconjuntos para aviões comerciais da Airbus. Em 2023 e 2024, a fabricante europeia concedeu novos contratos à Mahindra e a outros fornecedores indianos para produzir peças destinadas às famílias A320neo, A330neo e A350.
Mais recentemente, a parceria passou também para a área de helicópteros. A Mahindra foi selecionada para produzir a fuselagem principal do H130, com a primeira entrega prevista para março de 2027, e tornou-se uma fonte adicional para a fuselagem do H125, também com entregas a partir de 2027.
A empresa indiana também revelou que concluiu recentemente um contrato com a Airbus envolvendo roll forming, processo utilizado para conformar peças metálicas. Segundo a Mahindra, esses trabalhos fazem parte de sua estratégia para assumir a fabricação de seções maiores de fuselagem no futuro.

Airbus amplia produção na Índia
A expansão dos contratos com a Mahindra ocorre enquanto a Airbus aumenta a parcela de sua cadeia produtiva instalada na Índia. A fabricante afirma adquirir atualmente mais de US$ 1,6 bilhão por ano em componentes e serviços no país e pretende superar US$ 2 bilhões antes do fim da década.
Segundo a Airbus, todos os seus aviões comerciais atualmente incluem componentes ou tecnologias produzidos na Índia.
O envolvimento industrial no país também passou da fabricação de componentes para aeronaves completas. A Tata Advanced Systems é parceira da Airbus no programa de 56 C295 para a Força Aérea Indiana. Os primeiros 16 aviões são produzidos em Sevilha, na Espanha, enquanto os outros 40 serão fabricados e montados na Índia.
A Airbus também prepara uma linha de montagem final do helicóptero H125 no país.

Parceiros dos concorrentes
A relação entre Airbus e Mahindra chama atenção porque a companhia indiana é também a parceira escolhida pela Embraer para disputar o programa Medium Transport Aircraft (MTA) da Força Aérea Indiana.
Embraer e Mahindra Defence Systems anunciaram sua associação em 2024 para oferecer o C-390 Millennium. A cooperação foi ampliada em 2025 e passou a prever, caso o avião brasileiro seja selecionado, industrialização, fabricação e montagem local, desenvolvimento de fornecedores e a possibilidade de transformar a Índia em um centro para o C-390.

A concorrência coloca Embraer e Mahindra contra a própria Airbus, que oferece o A400M, e a Lockheed Martin, com o C-130J Super Hercules.
Esse tipo de relação cruzada, no entanto, não é incomum na indústria aeroespacial indiana. A própria Tata, principal parceira da Airbus na produção local do C295, mantém uma joint venture com a Lockheed Martin que fabrica na Índia empenagens para todos os C-130J novos. As duas empresas também trabalham juntas na proposta do Super Hercules para o programa MTA.
