PDT aciona STF para anular venda da Embraer Aviação Comercial para Boeing

Partido de Ciro Gomes afirma que venda de parte da Embraer fere a soberania nacional e os interesses estratégicos do Brasil
A Embraer já entregou mais de 1.400 E-Jets de primeira geração desde 2004 (Embraer)
A partir de 2020, os jatos da Embraer farão parte do catálogo da Boeing (Embraer)

O PDT enviou nessa quarta-feira (16) ao Supremo Tribunal Federal um pedido de liminar em caráter de urgência para suspender o processo de venda do controle da divisão de aviação comercial da Embraer para a Boeing, informou o diretório nacional do partido, que tem Ciro Gomes como vice-presidente. O relator da ação é o ministro Luís Roberto Barroso.

A legenda argumenta que a União, ao permitir a venda da empresa para a Boeing, não utilizou seu poder de veto autorizado por ações de classe especial (glonde shares), prevista na Lei de Sociedades Anônimas. Esses papeis dão ao Estado o direito de intervir em decisões estratégicas de companhias privatizadas. O partido afirma que, embora a Embraer tenha sido privatizada em 1994, o governo federal manteve a posse das golden shares para proteger a soberania nacional na área de defesa e dos interesses estratégicos do País.

Segundo o PDT, a negociação em curso busca fragmentar a parte lucrativa da Embraer e transferi-la para a nova companhia a ser criada, a Boeing Brasil – Commercial, que absorverá 100% das operações e dos serviços de aviação comercial da empresa brasileira (por US$ 5,2 bilhões), que ficará sob o controle acionário, operacional e administrativo da Boeing, cabendo à Embraer “o ínfimo percentual de 20% das ações”. O partido alega que a União, ao não utilizar seu poder de veto, “ofendeu os princípios constitucionais da soberania e do desenvolvimento nacionais”.

O partido de Ciro Gomes, que classifica a venda de parte da Embraer para a Boeing como “entrega” da companhia aos norte-americanos, ainda aponta que a negociação ameaça a existência do setor de defesa da fabricante brasileira, pois o desenvolvimento do setor de aviação militar depende dos recursos gerados pela Embraer Aviação Comercial.

Procurada pelo Airway, a Embraer repetiu o comunicado conjunto com a Boeing divulgado no início deste mês em que as companhias afirmam que esperam concluir a negociação no início de 2020. A “ampla parceria estratégica entre Boeing e Embraer posicionará as empresas para competir no mercado global, oferecer maior valor aos clientes e impulsionar a indústria aeroespacial”, diz o informe das companhias.

O PDT já havia tentado impedir o acordo entre as fabricantes em janeiro, quando propôs uma ação civil pública na Justiça de Brasília recomendando que a negociação fosse submetida à análise do Congresso Nacional e pelo Conselho de Defesa Nacional.

A negociação entre a Boeing e a Embraer está na fase final, como informam as duas fabricantes. O acordo já foi aprovado nos EUA e agora aguarda apenas pelo sinal verde da Comissão Europeia, que ainda está analisando o impacto que a parceria pode causar no mercado de aviação.

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Pascualdo
Pascualdo
2 anos atrás

A única coisa que avança no Brasil é o atraso!
O velho discurso do entreguismo. O Brasil merece ser pequeno.

Carlos Magno de Souza Fonseca

governo não foi feito pra ter empresa, não tem administração.industrias comércio é setor privado que sabe desenvolver.

Marcio Faria
Marcio Faria
2 anos atrás

Mas é entreguismo mesmo. Quem diz que não ou é cego, ou é burro, ou é entreguista!

ADJAIR BERTOCHI
2 anos atrás

Ciro Gomes não pensa nem um pouco no Brasil, quer saber somente o que cabe a ele, o resto que se exploda. É só olhar o passado politico dele. Que graças a Deus e a incompetência dele esta cada dia menor.

ADJAIR BERTOCHI
2 anos atrás

Ciro Gomes, vc e seu partido não merecem credito e nem de ser ouvido. Hj o nosso pais esta voltando ao rumos do progresso e crecímento. E isto incomoda a todos que são do contra, porque nunca fizeram nada por ninguem

Márcio
Márcio
2 anos atrás

PDT do Ciro. Aliás, viagem para o Ceará e vejam o que o Ciro fez por lá. Tirando Fortaleza, que tem só a orla desenvolvida, o restante do estado parece que vive em 1920. Se dependêssemos do PDT para algo, ainda estaríamos vislumbrados com a chegada da luz elétrica.

JAYME RANGEL
JAYME RANGEL
2 anos atrás

Blá Blá Blá……Isso parece papo de ex mulher, já pegou tudo que a tinha direito, mas não larga o osso! Com ações negociadas na bolsa a Embraer já era uma empresa transnacional a muito tempo!

Clayton Vargens
Clayton Vargens
2 anos atrás

O MESMO OCORREU COM JEEP TR4 COMPRADA PELA FORD POR QUE ERA POTENCIAL CONCORRENTE DE PIKUPS! OS AMERICANOS PODERÃO INCLUSIVE TRANSFERIR A EMPRESA PARA OS USA DEIXANDO 15000 FUNCIONÁRIOS DESEMPREGADOS. ESSA PODE SER UMA MANOBRA P ARA MINAR UM POTENCIAL CONCORRENTE, LEMBRANDO QUE A TR4 IA LANCAR PIKUPS NO MERCADO E TEVE P ROJETOS ENGAVETADOS PELA FORD. O GOVERNO TEM QUE ESTAR ATENTO A ESSAS QUESTÕES. A TR4 QUE BUSCOU APORTE FINANCEIRO JUNTO AO BNDES NA ÉPOCA DO PT E TEVE PEDIDO NEGADO, PARA EXPANSÃO, HOJE ESTÁ A BEIRA DA FALÊNCIA. ISSO É UMA VERGONHA…

Júlio César
Júlio César
2 anos atrás

O Brasil está fazendo a política do entreguismos estamos vendendo tudo oque temos logo não seremos mais Brasil e sim um país de estrangeiros onde se viu vender a Embraer a empresa que representa o Brasil lá fora , entregamos 36 postos de extração de petróleo onde precisamos deles . A Petrobras extrae petróleo cru vende e compramos 100 de combustível dos EUA . E pagamos no preço do dólar sendo que temos como refinar aqui . Nunca seremos grandes nos submetendo a exploração estrangeira. A Embraer nos 80 tinha projetado um caça multifuncional e o Brasil comprou F5 dos EUA.

Marco Andrade
Marco Andrade
2 anos atrás

Todo mundo sabe que a Embraer não vai sobreviver sem esse acordo estratégico, assim como a canadense Bombardier que se associou a Airbus e o modelo vai vendendo como nunca. A Boeing de uma forma ou de outra teria um modelo nessa faixa de mercado, acirrando ainda mais a concorrência! A Embraer já perdeu um grande cliente que encomendou 100 jatos da Mitsubishi que vem por aí. Fora o projeto russo, chinês e até iraniano. Nenhuma empresa fora do grupo geopolítico de influência sobrevive ao mercado hoje sem fazer acordo comercial.

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