A Air Koryo, da Coreia do Norte, é um dos raros operadores do Tu-204 (Fedor Leukhin)

A Air Koryo é um dos raros operadores do Tu-204 (Fedor Leukhin)

Apontada diversas vezes como a “pior companhia aérea do mundo” por passageiros, a Air Koryo, empresa de bandeira da Coreia do Norte, consta como aprovada na Auditoria de Segurança Operacional (IOSA) da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA).

Apesar de ser considerada segura, a empresa norte-coreana segue proibida de voar para qualquer país membro da União Europeia, embora exista uma exceção para voos da companhia que forem operados por jatos Tupolev Tu-204, aeronaves que obedecem padrões internacionais.

O programa IOSA é reconhecido como a certificação de segurança mais importante da aviação comercial e um pré-requisito para uma companhia aérea ser membro da IATA. Apesar disso, cerca de 32% das empresas com registro IOSA não são membros oficiais da associação, demonstrando a importância do certificado para o mercado.

O IOSA está aberto a qualquer transportadora comercial de passageiros ou carga que opere pelo menos uma aeronave multimotor com peso máximo de decolagem de 5.700 kg ou mais. A auditoria avalia o desempenho de uma companhia aérea em relação às normas e práticas recomendadas pela IATA e o processo deve ser renovado a cada dois anos.

Segundo o banco de dados da IATA, a Air Koryo tem atualmente o registro ISO, o que significa que ela tem uma aprovação ativa no IOSA. O registro da empresa norte-coreana é válido até 3 de outubro de 2020.

Sendo assim, o fato da Air Koryo ser proibida de voar para a Europa tem fundamento político, e não necessariamente operacional.

“Qualquer auditoria tem suas limitações. Quando temos esses tipos de casos, como os mencionados, precisamos perguntar por que a companhia aérea passou na auditoria da IOSA, mas não passou na auditoria da União Europeia”, disse Gilberto Lopez Meyer, vice-presidente sênior de operações de segurança e vôo da IATA, durante o IATA Media realizado nesta semana em Genebra, na Suíça.

“Nós aprendemos por experiência que às vezes uma companhia aérea que não tem problemas conosco tem um problema com outra agência. Muitas vezes é o contrário; eles estão bem com a outra agência, mas têm um problema conosco”, acrescentou Meyer.

Atualmente, 109 companhias aéreas de 15 países são banidas de voar para a União Europeia. Essa limitação afeta principalmente empresas do Irã, que além do risco operacional também são acusadas de envolvimento com grupos terroristas, embora algumas possuam o certificado IOSA, casos da Iran Air e Iran Asseman Airlines.

Air Koryo

Fundada em 1955 e controlada pelo governo da Coreia do Norte, a Air Koryo é única companhia aérea em atividade na isolada nação asiática e uma das únicas formas de entrar ao país.

As principais rotas da Air Koryo ligam Pyongyang, a capital da Coreia do Norte, a grandes cidades na China e Rússia. A frota da empresa é composta somente por aviões russos, sendo alguns ainda dos tempos da extinta União Soviética, como os Ilyushin Il-62 e o Tupolev Tu-134.

Os comissários de bordo da Air Koryo raramente falam outro idioma se não o coreano (Creative Commons)

Comissários de bordo da Air Koryo raramente falam outro idioma se não o coreano 

A empresa norte-coreana ainda tem algumas restrições esdruxulas. É proibido, por exemplo, tirar fotos no interior das aeronaves ou então pela janela, principalmente quando os aviões voam sobre a Coreia do Norte. Se algum comissário flagrar um clique ele pode retirar a câmera do passageiro e deletar as imagens. Quem reclamar ou se recusar a respeitar a regra pode acabar preso quando desembarcar Pyongyang e lidar com as duras leis do país.

Comissários de bordo da Air Koryo também raramente dominam outro idioma se não o coreano, dificultando enormemente a comunicação com turistas. Há também relatos sobre refeições mal preparadas e frias. E não adianta reclamar, pois não há como trocar o prato.

Apesar das péssimas avaliações, a Air Koryo registrou em 64 anos de atividades apenas um acidente fatal, quando um Il-62 caiu na Guiné Francesa (atual República de Guiné), em 1983 e que resultou na morte de 23 pessoas.

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