Produção do Gripen NG é iniciada no Brasil

Embraer e SAAB inauguraram um centro de desenvolvimento em Gavião Peixoto para o projeto do novo caça da Força Aérea Brasileira, que será entregue a partir de 2019
A FAB deve receber os primeiros Gripen a partir de 2019 (Thiago Vinholes)
A FAB deve receber os primeiros Gripen a partir de 2019 (Thiago Vinholes)
O centro de trabalho conjunto da Embraer e Saab em Gavião Peixoto (Divulgação)
O centro de trabalho conjunto da Embraer e Saab em Gavião Peixoto (Divulgação)

A versão brasileira do caça Gripen NG começou a tomar forma. Embraer e Saab inauguraram nessa terça-feira (22) o “Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen” (GDDN), na fábrica da Embraer Defesa e Segurança, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. A instalação receberá funcionários das duas fabricantes, além de colaboradores de outras empresas nacionais envolvidas no projeto e membros da Força Aérea Brasileira (FAB).

Cerca de 100 profissionais brasileiros, da Embraer e de outras empresas, enviados para treinamentos na Suécia já estão de volta e iniciaram o projeto no Brasil. De acordo com a fabricante brasileira, a unidade vai reunir mais de 300 funcionários até 2017. Ao todo, o centro terá 180 áreas de trabalho, incluindo setores “secretos”, como frisou Mikael Franzen, diretor geral da Saab no programa Gripen, durante a cerimônia de inauguração do GDDN.

O GDDN será responsável pelo desenvolvimento da versão brasileira do Gripen, ensaios de voo da aeronave e, o que é considerado a parte mais importante da parceria com a Saab, a transferência de tecnologia entre os países. “Esse processo será dividido em 60 projetos-chave, pelo período de dois anos. Envolve treinamento teórico, prática na Suécia, desenvolvimento e produção no Brasil e o programa de pesquisa e tecnologia”, explicou Franzen.

Outra responsabilidade do centro em Gavião Peixoto será o desenvolvimento e produção do Gripen F, a versão do caça para dois pilotos (biposto) – o Gripen NG será a variante brasileira do Gripen E monoposto, mas com recursos diferentes. A FAB encomendou oito unidades dessa opção.

Apesar da configuração orientada para treinamentos, o Gripen F terá a mesma capacidade de combate e desempenho da versão monoposto, incluindo os mesmos sistemas de busca e armamentos. Esse, portanto, será o primeiro avião supersônico desenvolvido no Brasil, com primeiro voo previsto somente para depois de 2020.

A maquete do Gripen NG que já viajou pelo Brasil agora está "estacionada" em Gavião Peixoto (Thiago Vinholes)
A maquete do Gripen NG que já viajou pelo Brasil agora está “estacionada” em Gavião Peixoto (Thiago Vinholes)

Os primeiros Gripen da FAB estão programados para entrar em operação a partir de 2019. Essas aeronaves, entretanto, serão fabricadas na Suécia, com participação da Embraer e outras empresas brasileiras. As 36 aeronaves encomendadas, produzidas nos dois países, serão entregues até 2024, como previsto no cronograma das fabricantes.

Oportunidades

Jackson Scheinder, presidente da Embraer Defesa e Segurança, ainda afirmou, durante entrevista coletiva, que o Gripen nacional será um produto de exportação. “A Embraer e a Saab já estão discutindo essa e outras possibilidades”, contou Scheinder, referindo-se a chance de Embraer e a Saab também desenvolverem outros projetos no futuro. O executivo, porém, não revelou maiores detalhes, mas afirmou que essa movimentação representa uma “perspectiva de crescimento importante”, na área comercial e de tecnologia da empresa.

Schneider falou sobre exportar o Gripen fabricado no Brasil
Schneider falou sobre exportar o Gripen fabricado no Brasil

O centro em Gavião Peixoto também será como um posto avançado de desenvolvimento e pesquisas do Gripen, mas fora da Suécia. Ou seja, novas soluções e adequações futuras para o caça, do Brasil ou de outros operadores, poderão ser desenvolvidas e aplicadas no interior de São Paulo. “O novo Gripen foi projetado já prevendo modificações no futuro”, explicou Ulf Nilsson, vice-presidente da Saab.

Nilsson não demonstrou preocupação com a crise econômica no Brasil. “O programa, tanto aqui como na Suécia, está correndo dentro dos prazos. O próprio centro na Embraer é um exemplo. A instalação começou a ser construída logo após a assinatura do contrato, 14 meses atrás, e já está pronta”, afirmou o sueco. O contrato de compra de 36 caças Gripen NG, além dos projetos de transferência tecnológica, custou US$ 5,4 bilhões aos cofres brasileiros.

Superioridade aérea

A cerimônia de inauguração do GDDN também contou com a presença de Raul Jungmann, ministro da defesa do Brasil. Em tom celebrativo e ao mesmo tempo alarmante, Jungmann afirmou que o projeto do Gripen é um dos mais importantes já colocados em prática na história do país e justificou sua importância: “o ônus da paz no Brasil não será eterno”.

"O ônus da paz no Brasil não será eterno", disse o ministro da defesa do Brasil
“O ônus da paz no Brasil não será eterno”, disse o ministro da defesa do Brasil

“Foram mais de 20 anos de espera pelos novos caças da FAB. Acredito, que após todo esse tempo, fizemos a melhor escolha”, contou o ministro. O Gripen NG é a concretização do projeto FX-2, iniciado em 2006 e adiado em diversas oportunidades. Os concorrentes da proposta sueca eram o Boeing F/A-18 Super Hornet e o Dassault Rafale.

O FX-2, que previa um substituto para os Mirage III, aposentados pela FAB em 2005, foi uma “remodelação” do programa FX-BR, que desde 1991 já pretendia um novo caça avançado.

Quando voa?

Como adiantou Ulf Nilsson, o primeiro voo do Gripen E, apresentado em maio deste ano na Suécia e com as configurações exigidas pela força aérea local, está programado para voar no segundo quadrimestre de 2017. Já o modelo fabricado no Brasil deve voar somente na próxima década.

O pacote de tecnologias para o Gripen NG escolhido pelo comando brasileiro possui itens mais avançados que os presentes na versão sueca. Uma das principais diferenças será o painel de controle, com uma tela panorâmica, em vez de três monitores separados, como no modelo pedido na Suécia.

Além da Suécia, o Gripen também voa em países como a Tailândia, Hungria e África do Sul (SAAB)
Além da Suécia, o Gripen também voa em países como a Tailândia, Hungria e África do Sul (SAAB)

O Gripen “brasileiro” ainda terá um aparelho de comunicação com dois rádios e sistema de encriptação, equipamentos de interceptação e destruição de mensagens eletrônicas, sensores infravermelho de busca e salvamento, além de ligação por “datalink”, recurso que permitirá ao caça “conversar” por meio de sinais eletrônicos com outros aviões e torres de controles.

Em termos tecnológicos e de ataque, o Gripen NG dará a FAB uma capacidade digna de país de primeiro mundo, com variadas possibilidades de ações com ajuda de novas tecnologias. Já para a economia e a indústria nacionais, será o primeiro produto com potencial supersônico.

Nota do editor: Outras empresas brasileiras que participam no projeto do Gripen com a Embraer são a AEL Sistemas, Akaer, Atech, Mectron, Inbra e Atmos. 

Veja mais: Os estranhos e originais aviões de guerra da Suécia

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Julio Cordeiro
Julio Cordeiro
4 anos atrás

Sem dúvida foi a melhor opção, aguardamos ansiosamente a chegada das primeiras unidades do fantástico caça, chega de comprar aviões de segunda (se não terceira, quarta) mão!

Anderson
Anderson
4 anos atrás

O Gripen foi uma excelente escolha! No entanto, acredito que a FAB precisaria de um outro de segunda linha, como o F16, Mirage ou Similar. Dessa forma, teríamos dois equipamentos de combate. Depender de um só, acho muito perigoso para uma nação com o tamanho do Brasil.

Mauricio
4 anos atrás

Gripen parece o F-5 Tiger II melhorado, nao sei a razao de tanto entusiasmo com esse caça, que custou muito caro cada unidade.

Felipe S
Felipe S
4 anos atrás

O GRIPEN NG possui muito mais autonomia, capacidade de carga, um radar com 3 vezes mais alcance, além de mais veloz, e comparado aos F-5 modernizados é um salto de 15 anos de tecnologia no mínimo, se informar e pesquisar a fundo antes de opinar não faz mal a ninguém…

Roberto
Roberto
4 anos atrás

Gripen = F-5 melhorado??!! kkkk
Sabe de nada inocente, essa opinião é claramente de alguém que não conhece do assunto!!

César
César
4 anos atrás

Esses aviões, em outros países, já foram “batizados” em combate, particularmente em “dogfight”? Será que sua autonomia é adequada às dimensões do Brasil? Acho, no meu limitado conhecimento, que devem ser distribuídos não somente no Sudoeste (RJ ou SP) e Oeste (Anápolis), mas também no Nordeste (Recife).

Paulo
Paulo
4 anos atrás

Parabéns aos que viabilizaram este projeto para o Brasil. Desenvolvimento de tecnologia, emprego e com a qualidade e o destaque que a Embraer tem em seus equipamentos no mundo, com certeza o cenário para o futuro é promissor. Os vira-latas terão que aceitar que essa decisão foi acertada.,

Alexandre
Alexandre
4 anos atrás

Uma frota com aparente pouca autonomia para as dimensoes brasileiras pode ser compensada com a chegada dos KC-390 ( ninguem batizou esse aviao ainda?? ) que daria grande flexibilidade ao reabastecimento em voou…

Bk
Bk
4 anos atrás

Parabéns a FAB, Embraer e empresas brasileiras que estam participando desse avanço tecnológico. Logo teremos capacidade de fabricação própria, assim como o submarino brasileiro Tikuna que foi um grande avanço e logo teremos o nuclear. Outras conquistas; Astros 2020, missíl ATM matador, missíl de cruzeiro em desenvolvimento, blindado Guaraní, KC 390 e Imbel IA2. Força Brasil!

Silvonei
Silvonei
4 anos atrás

Segundo uma reportagem na internet (DE QUAL GERAÇÃO É O CAÇA GRIPEN NG), especialistas mundiais dizem que ele pode ser considerado um caça de 5ª e 6ª Geração, muito superior a outras aeronaves temidas atuais e em processo de fabricação, devido suas capacidades, tecnologia e manutenção rápida. Acredito que seja uma boa compra, mas deverá conter mais outro caça para poder dar a segurança mínima necessária para proteger nosso país.

Francisco Luciano
Francisco Luciano
4 anos atrás

Estamos no caminho certo. Somos ainda um país subdesenvolvido. Portanto, temos que ir rumando ao futuro aos poucos. Afinal, temos o nosso povo também para nos preocuparmo-nos. Povo a ser educado e nutrido em primeiro lugar. Depois as tecnologias vão entrando paulatinamente no dia-a-dia, e as coisas vão evoluindo, de forma estruturada: ser humano versus as coisas do mundo. É isso aí, avante Brasillll…..

Luís Fernando
Luís Fernando
4 anos atrás

O Gripen foi a escolha mais racional, pelo modo como a FAB utiliza seus caças! A aeronave tem de ser polivalente! Não podemos ter um caça somente de superioridade aérea, outro de ataque ao solo, outro de guerra eletrônica, etc. O Gripen pode ser reconfigurado rapidamente para vários tipos de combate! Ele tem somente uma turbina, isso facilita e barateia os custos de manutenção e, por fim, a transferência de tecnologia e a possibilidade de desenvolver e aprimorar a aeronave em conjunto adequando-a da melhor maneira possível para o uso na FAB, foi o que mais pesou na escolha sem dúvidas! Um ponto que preocupa seria a autonomia com certeza, mas, a entrada do KC-390 resolveria a questão! Aí sim, finalmente teremos um “combo” moderno (caça e reabastecedor) adequado aos novos tempos!

Célio de Azevedo Júnior
Célio de Azevedo Júnior
4 anos atrás

Muito bom isso.

Valmir Aparecido da Costa
Valmir Aparecido da Costa
4 anos atrás

Americanos e Russos não vendem tecnologia que possa deixar um outro país em igualdade só muita inocência para crer nisso, o gripem é um caminho, porem ainda tem a turbina que é americana mas é um início
Acredito nos brasileiros, o que falta é dinheiro porque genios nós temos
Quem sabe agora sobre dinheiro para tais fins, porque motivo as nações ” primeiro mundo ” atrapalha e até sabota intenções brasileiras…

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