Projeto brasileiro pode “pagar conta de luz” de aeroportos com geradores sustentáveis

Conceito da startup Zettawatt aproveita o vento gerado durante a decolagem das aeronaves para gerar energia elétrica
O conceito aproveita a "ventania" gerada pelos aviões durante a decolagem (Zetawatt)
O conceito aproveita a “ventania” gerada pelos aviões durante a decolagem (Zetawatt)
O conceito aproveita a "ventania" gerada pelos aviões durante a decolagem (Zetawatt)
O conceito aproveita a “ventania” gerada pelos aviões durante a decolagem (Zettawatt)

“De todas as minhas ideias, a que soa mais maluca é a que está decolando”, comemora Michel Singer, diretor da startup Zettawatt, do Rio de Janeiro, que projetou o conceito “Green Storm”. A ideia é um gerador eólico que aproveita o vento gerado na cabeceira das pistas durante a aceleração dos aviões para decolagem. O projeto carioca ficou entre os 80 finalistas no 8º Concurso Acelera Start-up, da FIESP, e também já despertou o interesse da Embraer.

Segundo cálculos da empresa, o equipamento instalado em um grande aeroporto, como o do Galeão (RJ), pode gerar cerca de 640 kW. “É o suficiente para pagar a conta de luz do aeroporto”, afirma Singer. “Também constatamos que o aeroporto do Galeão é o local mais propício no Brasil para a introdução do sistema, devido a sua grande área de escape”, contou o diretor da startup, em entrevista ao Airway.

“Uma vez observei um avião decolando e notei uma enorme nuvem de poeira levantando na área de escape. Logo pensei, veja só quanta energia desperdiçada!”, contou Singer.

No conceito, as fontes eólicas são instaladas no subsolo de áreas de escape das pistas, logo após a cabeceira. Para funcionar de forma constante, acompanhando a mudança de direção dos pousos e decolagem das aeronaves, cada ponta da pista deve receber um conjunto de geradores.

A ideia é proposta com geradores eólicos convencionais, com hélices, ou movidos por “pás helicoidais axiais”. Os equipamentos são separados da superfície por grades, para permitir a entrada do ar nos dutos subterrâneos.

A empresa carioca também sugere o conceito utilizando defletores na base das pistas para potencializar o fluxo de ar em direção aos geradores no subsolo. “Essa parte adicional, no entanto, esbarra em legislações de aeroportos e órgãos de aviação, que não permitem, por questões de segurança, objetos nas proximidades da cabeceira”, revela Singer. “Mas também funciona sem o defletores”, garante.

Adicionando defletores da cabeceira da pista, o fluxo pode ser ampliado (Zetawatt)
Adicionando defletores da cabeceira da pista, o fluxo pode ser ampliado (Zettawatt)

Quanto custa?

A Zetawatt já tem todas as projeções de custos e equipamentos necessários para implantar o sistema. No aeroporto do Galeão, por exemplo, o investimento para equipar as duas pistas do terminal seria de R$ 2,8 milhões. Por outro lado, a receita anual gerada pela economia de energia seria de R$ 4,4 milhões.

“A Embraer propôs testar uma versão piloto do equipamento em São José dos Campos (SP), com a ajuda de uma aeronave ancorada”, revelou Singer.

Durante a decolagem, os motores dos aviões aceleram ao máximo, energia que pode ser aproveitada (Zetawatt)
Durante a decolagem, os motores dos aviões aceleram ao máximo, energia que pode ser aproveitada (Zettawatt)

Boeing na mesma linha de pensamento

A Boeing também vem pensando em formas de gerar eletricidade de forma sustentável aproveitando o “embalo” dos aviões. Em 2015, a fabricante norte-americana patentou uma espécie de gerador sustentável para ser instalado em pistas de aeroportos. O equipamento, composto por diversos geradores eólicos, aproveita o rastro aerodinâmico deixando pelas aeronaves nos pousos e decolagens.

A Boeing propõe gerar energia com ventiladores montados nas laterais das pistas (Boeing)
A Boeing propõe gerar energia com ventiladores montados nas laterais das pistas (Boeing)

O projeto da Boeing, no entanto, pode apresentar riscos aos aviões, uma vez que a legislação internacional de aviação impede a instalação de equipamentos próximos as pistas. Nesse ponto, a ideia da startup carioca está mais avançada que a da gigante fabricante dos EUA.

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