O quarto protótipo do 777X decolou pela primeira vez no domingo (20) da sede da Boeing em Everett, em Washington, nos EUA. A aeronave realizou um voo de teste por pouco mais de três horas e em seguida pousou na instalação da fabricante em Moses Lake, no mesmo estado.

A aeronave com matricula N779XZ é o último dos quatro protótipos que a Boeing construiu para a campanha de testes e certificação do novo 777-9. Segundo a fabricante, o novo modelo de ensaios será usado principalmente para testar os sistemas de cabine e em voos de longa duração.

Após uma série de atrasos influenciados por problemas no design da aeronave e a crise da Boeing com o 737 MAX, o primeiro protótipo do 777X decolou em janeiro deste ano. Em abril, mesmo com os contratempos da pandemia da Covid-19, voou o segundo protótipo, e o terceiro aparelho começou a ser testado em agosto.

O programa 777X foi lançado pela Boeing no final de 2013. O novo widebody proposto pela fabricante norte-americana é o maior avião bimotor que já voou: o modelo 777-9 mede 76,7 metros de comprimento por 71,7 m de envergadura. Ele supera essas medidas do 747-8, exceto pelo peso máximo de decolagem (351,5 toneladas contra 447,7 ton).

O 777X é tão grande que a Boeing precisou criar um dispositivo que dobra as pontas das asas do avião quando ele está no solo e reduz sua envergadura para 64,8 metros, exatamente o mesmo tamanho das asas do 777-200LR e 777-300ER da primeira geração. Não fosse por essa solução, terminais aéreos precisariam passar por adaptações para receber o novo 777, repetindo o mesmo problema do gigante Airbus A380, que exige aeroportos com pistas mais largas e ocupa mais espaço nos portões de embarque.

Entenda como funciona o sistema de asas dobráveis do 777X
Entenda como funciona o sistema de asas dobráveis do 777X

A aeronave da Boeing é equipada com o maior motor a jato do mundo, o General Electric GE9X. O diâmetro do turbofan é equivalente a largura da fuselagem de um Boeing 737. De acordo com a GE, cada propulsor gera 105.000 libras de empuxo e são 10% mais eficientes em consumo de combustível comparado ao GE90, usados nos primeiros 777.

Com todas as novas tecnologias embarcadas e o design aprimorado, a Boeing diz que o 777X é até 20% mais eficiente que os “Triple Seven” da primeira geração e comporta mais passageiros.

Os primeiros testes em voo do motor GE9X serão realizado com um Boeing 747 (General Eletric)
Os primeiros testes em voo do motor GE9X serão realizado com um Boeing 747 (General Eletric)

Nova estrela da Boeing em risco

Abalada com a crise do 737 Max e os impactos da pandemia, a Boeing adiou as primeiras entregas do 777X para 2022. A fabricante tem 309 pedidos (e mais 300 opções) pelo novo 777. A Emirates Airline é o maior cliente, com 115 encomendas do 777-9. O jato também está na lista de compras de outras oito companhias aéreas.

A retomada do mercado de aviação comercial após a pandemia será lenta. Isso significa que dificilmente as companhias aérea vão alcançar índices de ocupação rentáveis usando grandes jatos. Nesse cenário, o 777X, um dos maiores aviões do mundo com capacidade para mais de 400 passageiros, pode ter um início de carreira difícil.

Boeing 777-9 (Boeing)
Boeing 777-9 (Boeing)

Embora não seja o avião mais apropriado para o momento atual, a Boeing continua focada no desenvolvimento do 777X e tem grandes expectativas com a aeronave.

Com o fim da produção do 747 confirmada para 2022, o nova geração do 777 será a principal marca da Boeing em termos de tecnologia e capacidade. É a chance da empresa voltar aos holofotes da aviação com uma aeronave avançada e segura. Resta saber se haverá espaço para o novo gigante no mercado pós-pandemia.

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