A Alliance Airlines renovou seu acordo de suporte de componentes com a Embraer, à medida que o E190 passa a ter papel mais relevante nas operações da companhia australiana após a redução de voos para a Qantas e o plano de substituir os últimos Fokker 100 da frota.

O novo contrato prevê suporte para reparos da frota de E190 e busca melhorar a disponibilidade das aeronaves, além de controlar os custos de manutenção. A Alliance é uma espécie de 'rainha' de E-Jets, operando o jato regional fabricado no Brasil desde 2021, com a maior frota de E190 da Austrália, oformado por 48 unidades.

A companhia optou por E190 de segunda mão após anos de forte dependência dos jatos holandeses Fokker 70 e Fokker 100. Com a oferta de Fokker e peças de reposição cada vez mais restrita, a Alliance passou a adquirir aeronaves Embraer usadas disponíveis no mercado internacional.

A expansão foi rápida. O lote inicial incluiu aviões ex-Copa Airlines, seguido por E190 anteriormente operados pela American Airlines e outros jatos adquiridos da AerCap. Algumas aquisições posteriores foram destinadas a fornecer motores e componentes, sem previsão de uso no transporte de passageiros.

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Parte significativa da frota operacional passou a voar para a Qantas. A Alliance opera E190 para a QantasLink em regime de wet-lease, acordo que começou com 14 aeronaves e chegou a envolver até 30 unidades.

A Alliance opera voos para a QantasLink com seus E190
A Alliance opera voos para a QantasLink com seus E190 | Bidgee

Esse arranjo está sendo reduzido. Segundo os novos termos anunciados este ano, o número de E190 destinados à Qantas cairá para 23 até o final do ano fiscal de 2027. As empresas também concordaram em reduzir as horas de voo, introduzindo tarifas mais altas e um novo mecanismo anual de reajuste de preços.

A mudança devolverá aeronaves à Alliance ao mesmo tempo em que outros E190 retornam de contratos de dry lease. A companhia indicou que até 12 aviões poderão ficar disponíveis com essas alterações, ampliando a capacidade para operações próprias ou para outros clientes.

Da Fokker para a Embraer

Em vez de reduzir a dependência do modelo, a Alliance pretende utilizar mais E190 em seu principal negócio de transporte de trabalhadores para projetos de mineração e recursos naturais em todo o país (fly-in fly-out, FIFO).

A estratégia também responde à piora da viabilidade econômica da frota Fokker. A Alliance ainda opera Fokker 70 e Fokker 100, mas registrou neste ano cerca de A$160 milhões em baixas contábeis relacionadas a aeronaves, motores e peças de reposição.

Fokker 100 da Alliance (GKN)
Fokker 100 da Alliance (GKN)

A companhia planeja substituir gradualmente o Fokker 100 pelo E190 até 2030. Os Fokker 70 podem permanecer em operação por mais tempo em rotas onde sua capacidade e características operacionais ainda sejam adequadas.

A Embraer informou que quase 70 E-Jets já operam em seis companhias aéreas australianas. O fabricante considera o país um mercado importante para a família, especialmente porque a aviação regional e as operações FIFO geram demanda por aeronaves na categoria de capacidade dos E-Jet.