Segurança no ar: 2023 teve apenas dois acidentes fatais com aeronaves comerciais

Segundo consultoria holandesa To70, jatos comerciais não tiveram nenhuma fatalidade. Brasil entrou para a estatística com acidente com Embraer Bandeirante no Amazonas
ATR 72 da Yeti Airlines (YA)

O ano de 2023 foi um dos mais seguros da história da aviação comercial, com somente dois acidentes fatais, segundo dados apurados pela consultoria holandesa To70.

As duas aeronaves eram turboélices, o que significou que não houve mortes associadas a jatos comerciais – a empresa não inclui a morte de um funcionário de terra que foi sugado por um turbofan nos EUA.

O acidente mais grave do ano passado ocorreu em janeiro no Nepal, com a queda de um ATR 72-500 da Yeti Airlines que vitimou 72 pessoas. A aeronave se aproximava para pousar em Pokhara quando caiu a pouca distância da pista.

No relatório de investigação, divulgado em dezembro, as autoridades do país afirmaram que os pilotos inadvertidamente colocaram ambas as alavancas de passo das hélices na posição embandeirada (quando não produzem tração), provocando um estol durante a aproximação.

O segundo acidente fatal de 2023 aconteceu em setembro, no Brasil, após um Embraer EMB-110 Bandeirante da Manaus Táxi Aéreo cair durante a tentativa de decolagem de Barcelos, no Amazonas. Todos as 14 pessoas a bordo faleceram.

Turboélice Bandeirante da Manaus Táxi Aéreo se acidentou em setembro passado

Número de incidentes e acidentes sem vítimas preocupante

A despeito dos dados promissores, há ainda preocupação com episódios que por muito pouco não se transformaram em tragédia. O consultor de aviação Adrian Young da TO70, que publicou um artigo sobre o relatório, ressaltou que houve um número significativo de incidentes e acidentes não fatais com a retomada dos níveis pré-pandemia.

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“Independentemente de quão baixa tenha sido a taxa de acidentes em 2023, não há motivo para complacência. A aviação continua a ser uma indústria carregada de riscos e à medida que os aeroportos em todo o mundo relatam que os movimentos estão prestes a atingir o mesmo nível de 2019, antes da pandemia da COVID-19, uma série de questões não desapareceram”, escreveu Young.

“A taxa de acidentes fatais para grandes acidentes aéreos no transporte aéreo comercial [em 2023] é de 0,09 acidentes fatais por milhão de voos, em comparação com 0,10 por milhão em 2022. Esta é uma taxa de menos de um acidente fatal a cada quinze milhões de voos e é significativamente inferior à média de dez anos de 0,20 acidentes fatais por milhão de voos que observamos nos dados”, observou o consultor.

O acidente mais grave de 2022 foi a queda do 737-800 da China Eastern que deixou 132 mortos (Alec Wilson/CC)

A To70 utiliza uma metodologia própria para classificar os acidentes que, segundo ela, chegaram a 50. Como referência, em 2022 ocorreram 33 acidentes dos quais seis tiveram vítimas fatais com a perda de 178 vidas.

175 fatalidades em 2023

A Aviation Safety Network (ASN), que é ligada à Flight Safety Foundation, ainda não publicou seu relatório de 2023, mas sua base pública de dados registra 137 acidente e incidentes, incluindo a aviação executiva e geral.

Ao todo são relatadas 175 fatalidades, incluindo 10 pessoas envolvidas na queda de um jato executivo Embraer Legacy 600 que transportava o lídero Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, que ocorreu em 23 de agosto.

Em 2022, a ASN registrou 237 fatalidades em 16 acidentes, o mais grave dele a queda de um Boeing 737-800 da China Eastern Airlines em março.

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