O tráfego global de passageiros aéreos voltou a crescer em julho após três meses consecutivos de retração, com o impacto das perturbações geopolíticas no Oriente Médio diminuindo e a recuperação de vários grandes mercados domésticos, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
Os quilômetros pagos por passageiro (RPK) em todo o mundo aumentaram 0,2% em comparação com julho de 2025, após quedas nos três meses anteriores. Em termos ajustados sazonalmente, o tráfego subiu 0,3% em relação ao ano anterior e cresceu 1,3% em relação a junho.
O tráfego global de passageiros atingiu 892 bilhões de RPK no mês. A oferta, medida em assentos-quilômetro disponíveis (ASK), cresceu 0,3%, primeira expansão após quatro meses consecutivos de retração.
Com a oferta crescendo um pouco mais rápido que a demanda, o fator de ocupação global caiu 0,1 ponto percentual, para 85,2%.
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A melhora foi impulsionada em parte pela recuperação dos mercados domésticos. O RPK doméstico aumentou 0,6% após queda de 2,8% em junho, enquanto o tráfego internacional permaneceu levemente abaixo do nível do ano passado, com recuo de 0,1%.
Excluindo as companhias do Oriente Médio, porém, o tráfego internacional global cresceu 1,5% em julho.
Oriente Médio segue como principal entrave
As companhias aéreas do Oriente Médio continuaram registrando a maior queda entre as regiões, embora as condições tenham melhorado substancialmente em relação a junho. O tráfego total de passageiros caiu 10% em relação ao ano anterior, frente a uma retração de 13,8% no mês anterior, com o alívio parcial das perturbações geopolíticas.
A oferta das empresas do Oriente Médio caiu 6,2%, menos que a redução da demanda, levando o fator de ocupação a recuar 3,4 pontos percentuais, para 80,7%.
O efeito também foi visível no tráfego internacional, que caiu 9,5% para as companhias do Oriente Médio. A oferta diminuiu 5,8%, resultando em queda de 3,3 pontos no fator de ocupação internacional, para 80,9%.
As empresas da América do Norte também permaneceram em território negativo. O tráfego total caiu 1,2%, marcando o terceiro mês consecutivo de retração, enquanto o RPK internacional recuou 2,3%.
O tráfego doméstico nos Estados Unidos caiu 0,5% em relação ao ano anterior, terceira queda mensal consecutiva. A oferta doméstica americana recuou ainda mais, 1,4%, o que ajudou a elevar o fator de ocupação em 0,8 ponto percentual, para 86,7%, o maior entre os principais mercados domésticos acompanhados pela IATA.

América Latina lidera crescimento
As companhias aéreas da América Latina e Caribe registraram o maior crescimento de tráfego entre as regiões em julho, com aumento de 6,1% na demanda e 6,6% na oferta. O fator de ocupação caiu 0,4 ponto percentual, para 85,3%.
O desempenho internacional foi ainda mais forte. O RPK das empresas latino-americanas e caribenhas subiu 7,1%, o crescimento mais rápido entre todas as regiões, enquanto a oferta aumentou 7,2%. O fator de ocupação internacional permaneceu praticamente estável em 85,7%.
O Brasil se destacou entre os grandes mercados domésticos mundiais. O RPK doméstico cresceu 6%, maior alta registrada pela IATA, embora a oferta tenha avançado ainda mais, 8%. A diferença reduziu o fator de ocupação em 1,5 ponto percentual, para 84,1%.
A China veio logo atrás, com aumento de 5,3% na demanda doméstica após quedas em maio e junho. A IATA apontou que a redução das sobretaxas de combustível doméstico desde o início de julho pode ter ajudado na recuperação. A oferta doméstica chinesa cresceu 4,7%.
A Índia seguiu em sentido oposto. O tráfego doméstico caiu 6,3%, pior desempenho entre os grandes mercados, enquanto a oferta recuou 6%.
As companhias da Ásia-Pacífico voltaram a crescer após dois meses de retração, com aumento de 1% no tráfego total. A demanda internacional, porém, permaneceu 0,7% abaixo do nível de julho de 2025.
As empresas europeias registraram aumento de 2,1% no tráfego total de passageiros, enquanto o RPK internacional subiu 3,1%. A África apresentou altas de 5,2% no total e 6,4% no internacional.

Tráfego transatlântico recua
O tráfego entre Europa e América do Norte, maior rota internacional do mundo para as Américas, caiu 2,2% em relação a julho de 2025, após crescimento marginal nos dois meses anteriores.
A IATA informou que vários mercados emissores europeus importantes contribuíram para a queda, incluindo Reino Unido, França e Espanha.
O tráfego América do Norte-América Central recuou 5,2%, enquanto o mercado Oriente Médio-América do Norte caiu 3,4%. Europa-América Central voltou a crescer, com alta de 0,9%.
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O tráfego Europa-América do Sul seguiu em expansão, subindo 3,2%, embora o ritmo tenha diminuído em relação a junho. Ásia-América do Norte cresceu 2,7%.
Alguns dos maiores crescimentos internacionais ocorreram em outras rotas. O tráfego Europa-Ásia aumentou 12,1%, maior expansão entre os principais corredores internacionais acompanhados pela IATA. O tráfego entre América do Norte/Sul e Sudoeste do Pacífico subiu 7,1%, enquanto Sudoeste do Pacífico-Ásia cresceu 4,3%.
Mais oferta prevista até setembro
A IATA espera que o crescimento da oferta do setor acelere no restante da temporada de verão do hemisfério norte.
Com base nos horários das companhias disponíveis na preparação da análise, a oferta global de assentos programados deve crescer 1,9% em agosto e 2,9% em setembro, em comparação com o aumento de 1,2% em julho.
O Oriente Médio também deve recuperar parte da oferta retirada durante as recentes perturbações. A previsão é de queda de 5,4% nos assentos programados em agosto e 3,8% em setembro, melhora em relação à retração de 6,5% registrada em julho.
A oferta na Ásia-Pacífico, que ficou estável em julho, deve crescer 1,1% em agosto e 3,4% em setembro.



