A United Airlines busca novas oportunidades para expandir sua atuação no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, antes mesmo do retorno previsto para 2027, em mais uma tentativa de estabelecer presença relevante em um grande aeroporto que abandonou há mais de uma década.

O CEO Scott Kirby afirmou à CNBC que a United avalia formas de obter mais slots no JFK, incluindo possíveis negociações com companhias menores que operam voos com margens baixas ou prejuízo. “Temos várias iniciativas em andamento para tentar viabilizar isso”, disse Kirby.

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A United já tem caminho aberto para voltar ao JFK por meio da parceria Blue Sky com a JetBlue. Anunciado em 2025, o acordo garante à United acesso a slots para até sete frequências diárias de ida e volta a partir do aeroporto, com início das operações previsto já para 2027.

As duas companhias não vão se fundir e seguirão operando de forma independente. A parceria prevê benefícios recíprocos nos programas de fidelidade e outras cooperações comerciais, enquanto a JetBlue concordou em ceder slots no JFK em troca de oito horários de voos da United no Aeroporto Internacional de Newark Liberty.

Boeing 767 da United em Newark (United Airlines)
Boeing 767 da United em Newark (United Airlines)

Retorno mais de uma década após saída do JFK

A relação da United com o JFK é marcada por idas e vindas. A companhia deixou o aeroporto em 2015 ao decidir concentrar suas operações na região de Nova York em Newark, onde já tinha rede muito maior.

Kirby, que não era CEO da United na época da decisão, depois classificou a saída do JFK como um erro estratégico. A retirada enfraqueceu a posição da companhia junto a clientes corporativos que buscavam acesso ao JFK, especialmente para rotas premium transcontinentais para Los Angeles e San Francisco.

A United retornou em 2021 com voos do JFK para esses dois mercados na Califórnia, mas a experiência durou menos de dois anos. A companhia deixou o aeroporto novamente em outubro de 2022 após não conseguir slots adicionais suficientes para montar uma operação considerada competitiva.

Aviões da JetBlue no Aeroporto JFK, em Nova York (Acroterion)
Aviões da JetBlue no Aeroporto JFK, em Nova York (Acroterion)

Essa mesma limitação segue no centro da nova tentativa. O JFK é um dos aeroportos mais restritos em capacidade nos Estados Unidos, e slots de pouso e decolagem não podem simplesmente ser adicionados por uma companhia que queira ampliar operações.

Os sete voos diários de ida e volta obtidos via JetBlue, portanto, garantem à United uma forma de retornar ao aeroporto, mas as declarações de Kirby indicam que a companhia busca muito mais flexibilidade do que teve na última passagem pelo JFK.

Problemas em Newark reforçam motivo

A United segue como a maior companhia aérea em Newark, base de sua malha na região de Nova York. Essa concentração, porém, também expôs a empresa a problemas operacionais no aeroporto.

Em 2025, Newark enfrentou graves interrupções devido à falta de controladores de tráfego aéreo, falhas em equipamentos e restrições nas pistas. A United foi especialmente afetada pelo tamanho de sua operação e chegou a reduzir temporariamente a malha.

O JFK não substituiria Newark como principal porta de entrada da United em Nova York, mas uma operação maior poderia oferecer alternativa para atender a região e reduzir parte das desvantagens de depender tanto de um único aeroporto.