A participação da Embraer na viagem oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China deverá ser um dos pontos altos da visita. A razão seria o possível anúncio de uma encomenda de 20 jatos comerciais da fabricante, segundo apurou o jornal O Globo.

A informação partiu de interlocutores que estão envolvidos com a organização da comitiva. Já a Embraer não se pronunciou, assim como ocorreu quando AIRWAY enviou questionamentos sobre sua participação na viagem.

Como observamos anteriormente, a Embraer não fecha pedidos de suas aeronaves comerciais há cerca de cinco anos. A última aeronave entregue pela fabricante brasileira no país foi um E195, recebido pela Tianjin Airlines, em dezembro de 2018. Desde então, a empresa não recebeu novos pedidos de clientes chineses.

A expectativa é que, após a certificação do modelo E190-E2, que pode transportar até 114 passageiros, a empresa brasileira esteja próxima de anunciar uma nova encomenda na China.

A família E2 está em serviço desde 2018, mas nesse período não houve pedidos de clientes chineses, com exceção de dez E195-E2 encomendados pela divisão de leasing do ICBC, um banco industrial do país. O ICBC já recebeu cinco desses aviões, mas nenhum voa na China.

A Tianjin Airlines é o maior operador de jatos Embraer na Ásia, com mais de 60 aeronaves (Embraer)
A Tianjin Airlines é o maior operador de jatos Embraer na Ásia, com mais de 60 aeronaves (Embraer)

Sombra do ARJ21

Embora a Embraer não tenha qualquer impedimento para vender produtos na China, a demora em obter a certificação dificultou esse processo. A empresa espera, inclusive, a aprovação da versão E195-E2, que tem sido mais bem sucedida nas vendas.

Vale lembrar que nem mesmo a Airbus, uma parceira mais próxima dos chineses, inclusive por ter uma linha de montagem local, conseguiu vender o A220, rival dos aviões brasileiros.

Um dos entraves para que os E-Jets de segunda geração sejam vendidos na China chama-se ARJ21. O jato regional da COMAC, que foi baseado no americano DC-9 e suas atualizações, monopoliza as atenções das companhias aéreas chinesas, que já receberam mais de 100 aeronaves do modelo.

A despeito de o ARJ21 ser menor que o E190-E2 e certamente bem menos eficiente, não se tratam de impeditivos suficientes para que suas clientes, todas estatais, decidam operá-lo.

A visita brasileira nos próximos dias será uma oportunidade para provar que a Embraer pode participar do mercado chinês sem incomodar os planos do governo de Xi Jiping.

O ARJ21-700 é baseado no antigo McDonnell Douglas DC-9 (Reprodução)
O ARJ21-700 é baseado no antigo McDonnell Douglas DC-9 (Reprodução)