Fundador da Azul e JetBlue, David Neeleman lança mais uma companhia nos EUA

Antes conhecida como Moxy, nova empresa aérea vai se chamar Breeze Airways e planeja frota com quase 100 jatos
(Divulgação)
Concepção artística do E195 com a pintura da Breeze. Curtiu? (Divulgação)

Fundador da Azul e JetBlue, o“colecionador” de companhias aéreas David Neeleman anunciou nesta sexta-feira (7) o lançamento de mais uma empresa, a Breeze Airways. O novo empreendimento do empresário brasilo-americano está sob análise da agência federal de aviação dos EUA (FAA) para obter o certificado operacional para voos comerciais no país.

Neeleman já vinha falando publicamente sobre criar mais uma companhia aérea desde 2018. O projeto do empresário era conhecido nos bastidores pelo código “Moxy”. No ano passado, a proposta começou a tomar forma quando o executivo anunciou a intenção de compra de 60 jatos Airbus A220-300 com entregas programadas para 2021. A frota da Breeze ainda será reforçada por quase 30 jatos Embraer E195 subarrendados pela Azul.

Ainda não está claro como será o modelo de serviços da nova empresa, mas é esperado algo no setor de baixo custo. Além disso, Neeleman adiantou que a forma de interação com os clientes e a venda de passagens será simplificada com ajuda de plataformas digitais.

“Nosso objetivo é fazer com que seja como pedir um carro da Uber e ser capaz de alterá-lo ou redirecioná-lo. Só não queremos que você atenda o telefone e ligue para nós”, disse o empresário em entrevista ao Cranky Flier.

Comentando sobre o valor e as opções de serviços da Breeze, David Neeleman disse: “queremos que as taxas sejam razoáveis. Estamos analisando reduzir significativamente as taxas de alterações em relação ao que os outros caras cobram apenas porque esse é um ponto problemático. Cobraremos as malas, porque é um custo para nós. Quem não tem bagagem, economiza dinheiro e deve receber uma tarifa mais baixa. Queremos ter mais opções de alimentos, onde você pede toda a sua comida com antecedência e a serviremos, apenas para que seja especial dessa perspectiva”.

O empresário comentou que a Breeze estuda mais de 500 rotas não exploradas nos EUA, além de oportunidades de voos para destinos na Europa e América do Sul operando a partir de aeroportos secundários.

“Voos transcontinentais de aeroportos secundários do nordeste dos EUA para a Europa, Flórida para a América do Sul, particularmente no Brasil com a rede da Azul. Todos esses tipos de operações funcionam”, disse o executivo.

Neeleman espera poder iniciar operações comerciais da Breeze Airways até o final de 2020. Os primeiros voos da companhia serão realizados pelos jatos E195 retirados da Azul. Segundo o empresário, as aeronaves têm cerca de seis e sete anos. São novos para os padrões dos EUA, onde a média de idade dos aviões comerciais passa dos 14 anos.

A Breeze vai receber jatos E195 retirados da frota da Azul (Divulgação)

A fase internacional da Breeze ainda pode levar alguns anos para começar. A companhia não pensa em operar aeronaves widebody e quer fazer seus voos transoceânicos com o A220.

“Estamos pensando em colocar alguns tanques de combustível auxiliares (nos A220) nos próximos anos. Isso nos daria outras 500 milhas (800 km), passando de 4.000 milhas (6.400 km). Isso nos levaria a quase qualquer lugar do Brasil, a partir da Flórida”, disse Neeleman.

A Airbus deve lançar ainda neste ano um pacote de modificações para ampliar o alcance e peso máximo de decolagem dos A220. As alterações elevam o alcance das aeronaves em mais de 800 km .

A identidade visual da companhia e das aeronaves também foi divulgada no lançamento e promete arrancar suspiros. O trabalho foi elaborado por Gianfranco Beting, um dos co-fundadores da Azul e que durante muitos anos atuou como diretor de marketing da empresa.

“20 anos atrás, trouxemos a humanidade de volta à indústria aérea com a JetBlue”, diz Neeleman no comunicado da Breeze. “Hoje, estamos empolgados em apresentar planos para a ‘Companhia Aérea Mais Bonita do Mundo'”.

David Neeleman, pai de 10 filhos e de cinco companhias aéreas

David Neeleman e suas companhias aéreas

Nascido em São Paulo no dia 16 de outubro de 1959, David Neeleman ainda jovem se mudou para os EUA. Sua carreira de empresário na aviação começou em em 1984, quando foi participou da criação de uma das primeiras companhias de baixo custo dos EUA, a Morris Air. O empresario assumiu como presidente da companhia em 1988 e negociou seu processo de venda para a Southwest Airlines em 1993, por US$ 130 milhões.

Em seguida, Neeleman foi contratado como CEO da Open Skies, desenvolvedora de sistemas de reservas e check-ins de companhias aéreas, adquirida em 1999 pela HP. Ao mesmo tempo, o empresário lançou uma nova empresa aérea no Canadá, a WestJet, em 1996.

Hoje controlada por outros investidores, a WestJet se tornou a segunda maior companhia aérea canadense, atrás apenas da tradicional Air Canada. Mas Neeleman não ficou fora do setor.

Em agosto de 1998, o empresário lançou o que hoje pode ser considerado seu maior empreendimento, a companhia aérea low-cost JetBlue. A malha da empresa tem hoje mais de 1 mil voos por dia para 99 destinos nos EUA, América Central e do Sul e Caribe – passava de 100 destinos quando a empresa ainda podia voar para Cuba.

Passados quase 10 anos do lançamento da JetBlue, atualmente a oitava maior companhia aérea dos EUA (com cerca de 42 milhões de passageiros transportados em 2019), Neeleman voltou ao Brasil em 2008 e criou a Azul. A companhia hoje é a terceira colocada no mercado brasileiro e a mais ativa na aviação regional nacional, voando para mais de 100 destinos no país com uma variada frota de aeronaves, além de oferecer voos para os EUA, Portugal e outros países na América do Sul.

Novo jato E195-E2 da Azul; os antigos vão para a Breeze (Thiago Vinholes)

Agora fundador de cinco companhias aéreas, David Neeleman também é um importante investidor da TAP Air Portugal. O empresário é um dos membros do consórcio Gateway, que em 2015 assumiu o controle de 61% do capital da companhia portuguesa.

Veja mais: South African Airways cancela voos para o Brasil

 

 

 

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  1. Assisto com prazer e interesse as publicações da AIRWAY.
    Sou fissurado em assuntos de aeronáutica e correlatos.

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