A Airbus estima que a América Latina precisará receber 2.720 novos aviões comerciais de passageiros até 2045, mas uma parcela cada vez maior dessas entregas será destinada à substituição de aeronaves existentes, e não ao crescimento das frotas.

O dado faz parte do Global Market Forecast (GMF) 2026-2045 e chama atenção quando comparado às projeções anteriores da fabricante. Em 2018, a Airbus também calculava uma demanda de 2.720 novas aeronaves na região durante os 20 anos seguintes.

A composição dessa demanda, porém, mudou consideravelmente. Há oito anos, 1.780 aviões, ou 65% do total, seriam necessários para aumentar as frotas, enquanto 940 substituiriam modelos em operação.

Na previsão atual, a relação praticamente se inverteu. A Airbus calcula 1.500 entregas para substituição de aeronaves, equivalentes a 55% do total, e 1.220 para crescimento líquido das frotas.

Renovação ganha espaço

A mudança aparece também nas projeções divulgadas entre esses dois períodos. Em 2022, a Airbus estimava uma necessidade de 2.460 novos aviões na América Latina até 2040, com 44% destinados à substituição.

Siga AIRWAY: WhatsApp | Instagram | LinkedIn | Twitter | Facebook

No GMF 2023, que abrangia o período até 2042, a previsão caiu para 2.390 aeronaves e a fabricante já estimava uma divisão praticamente igual entre crescimento e renovação.

Desde então, a demanda projetada voltou a subir. O número chegou a 2.570 aeronaves no GMF 2024, 2.660 no levantamento seguinte e agora alcançou novamente as 2.720 unidades previstas em 2018.

Airbus A320 da LATAM Perú (Carlos Daniel Dobelli )
Airbus A320 da LATAM Perú (Carlos Daniel Dobelli )

As diferentes edições do estudo não são diretamente equivalentes em todos os aspectos. A Airbus alterou ao longo dos anos a segmentação dos aviões e o escopo de algumas projeções, além de cada GMF avançar em um ano o período analisado. Ainda assim, a sequência mostra o aumento do peso atribuído à renovação da frota latino-americana.

No levantamento atual, a Airbus estima que a frota comercial de passageiros da região passará de 1.550 aeronaves para 2.770 em 2045, um crescimento de 79%. A diferença de 1.220 aviões corresponde exatamente à parcela das novas entregas destinada à expansão.

Corredor único domina previsão

Outra característica do mercado latino-americano é a forte concentração em aviões de corredor único. Das 2.720 entregas previstas até 2045, 2.520 serão de modelos dessa categoria e apenas 200 de widebodies.

Isso significa que os single-aisles responderão por quase 93% das novas aeronaves previstas pela Airbus para a região.

A proporção também mudou em relação a projeções mais antigas. No GMF divulgado em 2022, a Airbus previa 2.170 aeronaves da então chamada categoria “small”, além de 190 modelos médios e 100 grandes. Em 2018, eram 2.420 aviões pequenos e 300 distribuídos entre as categorias superiores.

A Airbus atribui parte da necessidade de substituição ao avanço dos modelos de nova geração. Atualmente, eles representam 44% da frota em operação na América Latina, participação que, segundo a fabricante, deverá chegar a 94% em 2035.

Airbus A330-200 da Aerolíneas Argentinas (Nathan Coats)
Airbus A330-200 da Aerolíneas Argentinas (Nathan Coats)

Brasil pode dobrar número de viagens por habitante

O Brasil aparece entre os mercados nos quais a Airbus espera forte aumento da propensão a viajar de avião. A fabricante prevê que o número de viagens por habitante no país dobre ou mais que dobre nas próximas duas décadas, movimento semelhante ao esperado para Chile e México.

Para toda a América Latina, o GMF projeta crescimento médio de 3,7% ao ano no tráfego de origem e destino até 2045. O mercado doméstico deverá avançar 4% ao ano, enquanto as viagens entre países da América Latina e do Caribe crescerão 3,3%.

A Airbus possui atualmente mais de 900 aeronaves em operação na América Latina e Caribe e cerca de 450 unidades encomendadas por clientes da região. Desde o início de sua presença no mercado latino-americano, a fabricante afirma ter vendido mais de 1.400 aviões.