A Airbus prepara sua próxima geração de aeronaves de corredor único para uma taxa de produção em torno de 100 jatos por mês, uma meta industrial inédita que superaria significativamente o volume planejado para a atual família A320neo.
O objetivo surge junto a outros requisitos para a aeronave que deve substituir a família A320neo a partir da segunda metade da década de 2030. A Airbus busca uma melhoria de 20-30% na eficiência de combustível e desenvolve novos métodos para reduzir o tempo necessário de testes e certificação da aeronave.
Produzir 100 aeronaves por mês corresponderia a 1.200 jatos de corredor único por ano, caso essa taxa fosse mantida durante todo o ano. O número também é um terço maior que a taxa que a Airbus atualmente enfrenta dificuldades para alcançar com a família A320.
A Airbus planejava originalmente atingir a marca de 75 aeronaves da família A320 por mês mais cedo, mas restrições recorrentes na cadeia de suprimentos atrasaram o aumento da produção. Agora, a empresa espera chegar a uma produção entre 70 e 75 aeronaves por mês até o fim de 2027, estabilizando-se em 75.
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A disponibilidade de motores Pratt & Whitney tem sido uma das principais restrições. A Airbus informou no início deste ano que o fabricante de motores não conseguiu se comprometer com as quantidades exigidas para o aumento de produção planejado, afetando as expectativas para 2026 e 2027.

A dimensão do esforço já pode ser observada na estrutura industrial da Airbus. O fabricante conta atualmente com dez linhas de montagem final da família A320 distribuídas entre Toulouse, Hamburgo, Mobile e Tianjin. Uma segunda linha modernizada em Toulouse foi inaugurada em junho, concluindo a expansão planejada para sustentar a meta atual de 75 aeronaves.
Próxima aeronave pode passar menos tempo em testes
A Airbus busca simultaneamente formas de encurtar o desenvolvimento da aeronave que futuramente utilizará esse sistema de produção ampliado.
Segundo a Aviation Week, a fabricante pretende reduzir pela metade o tempo de testes ao combinar avaliações físicas e virtuais de forma mais ampla. Thierry Raffy, vice-presidente de engenharia de testes e análises da Airbus, revelou a meta durante o Aerospace Test and Development Show, em Toulouse.
O objetivo não significa reduzir a quantidade de evidências exigidas para certificação. A Airbus prevê aeronaves cada vez mais complexas e requisitos mais rigorosos, o que demandará mais testes, mas quer que uma parcela maior desse trabalho seja realizada virtualmente e em fases mais iniciais do desenvolvimento.

A abordagem pode também mudar o papel da campanha de ensaios em voo. Em vez de identificar grandes problemas de maturidade após o início dos voos dos protótipos, a Airbus quer que os testes em voo confirmem cada vez mais resultados já obtidos por meio de simulação, modelos digitais e ensaios em solo.
A certificação tornou-se fator cada vez mais relevante nos cronogramas de desenvolvimento de aeronaves. Autoridades intensificaram a fiscalização dos fabricantes e dos processos delegados de certificação após os dois acidentes com o Boeing 737 MAX, enquanto sistemas cada vez mais complexos adicionaram novas exigências aos programas recentes.
A própria Airbus enfrentou um processo de certificação extenso com o A321XLR, apesar de a aeronave ser derivada do A321neo já existente. Novas configurações de tanques de combustível e outras alterações exigiram trabalho regulatório adicional antes da entrada em serviço em 2024.
Demonstradores tecnológicos preparam decisão para 2030
A Airbus ainda não definiu a configuração final do sucessor do A320neo. A fabricante prevê decisões-chave sobre o programa perto do fim da década, com entrada em serviço prevista para a segunda metade dos anos 2030.
Diversos programas de pesquisa já testam tecnologias que podem futuramente equipar a aeronave.
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O demonstrador X-Wing explora uma asa de alta razão de aspecto, projetada para reduzir o arrasto aerodinâmico. Baseada em um Cessna Citation VII modificado, a aeronave também testará pontas de asa dobráveis capazes de responder a cargas geradas por turbulência.
Airbus e CFM International preparam separadamente testes em voo de um motor open-fan utilizando um demonstrador A380. A propulsão open-fan segue como uma das alternativas em análise para a próxima geração de corredor único, embora a Airbus ainda não tenha se comprometido com essa arquitetura.

O fabricante também estuda novos sistemas elétricos, conceitos de aviônica, automação e tecnologias de fabricação. Esses programas oferecem oportunidades não apenas para avaliar equipamentos para a futura aeronave, mas também para validar os modelos digitais que a Airbus pretende usar de forma mais ampla durante o desenvolvimento.
O desafio industrial pode, no fim, ser tão relevante quanto a escolha do motor ou da asa da aeronave. A Airbus descreve sua meta atual de 75 aeronaves da família A320 por mês como o maior nível de produção já tentado na aviação civil, mas o sucessor já nasce com previsão de volume cerca de 33% superior.



