A American Airlines apresentou seu primeiro Boeing 777-300ER retrofitado, dando início a um programa que ampliará significativamente a cabine premium de sua maior aeronave e ajudará a manter a frota de 20 jatos em operação até o final dos anos 2030.

O primeiro avião a passar pela modificação é o N718AN, um dos 777-300ER mais antigos da frota da American. A aeronave, MSN 41665, voou pela primeira vez em novembro de 2012 e foi entregue à companhia no mês seguinte. Ela retornou da modificação de cabine em agosto, após passar vários meses em reforma.

O primeiro voo regular de passageiros com o novo interior será Nova York JFK-Buenos Aires em 2 de setembro. São Paulo deverá ver o jato atualizado também já que é um dos principais destinos onde o 777-300ER é usado.

A aeronave, com 13,8 anos de uso, ilustra por que a American está investindo nesse modelo em vez de preparar sua substituição imediata. Os 20 Boeing 777-300ER da companhia têm média de 12,4 anos, o que garante vida útil consideravelmente maior do que a frota mais antiga de 777-200ER.

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A American afirmou que o programa de cabine visa sustentar a operação dos 777-300ER até o final dos anos 2030.

American Airlines Boeing 777-300ER FlagShip Suite
American Airlines Boeing 777-300ER FlagShip Suite | American Airlines

A nova configuração também muda a forma como a American utiliza a capacidade de sua maior aeronave. O 777-300ER acomodava anteriormente 304 passageiros, incluindo oito assentos Flagship First e 52 na classe executiva. O avião retrofitado passa a ter 366 assentos.

O Flagship First deixa de existir e a classe executiva se expande para 70 assentos Flagship Suite, todos com porta de privacidade. A Premium Economy aumenta de 28 para 44 assentos, enquanto outros 30 assentos Main Cabin Extra oferecem mais espaço para as pernas.

Apesar do acréscimo de 62 assentos no total, a American está ampliando a proporção da aeronave dedicada a produtos de maior valor. A companhia descreve o novo 777-300ER como tendo mais assentos de Business e Premium Economy do que qualquer aeronave operada por uma companhia aérea dos EUA.

O mesmo conceito Flagship Suite já está presente nos novos Boeing 787-9 e Airbus A321XLR configurados para o segmento premium da American. O retrofit do 777 permite que aeronaves entregues há mais de uma década ofereçam um produto de bordo comparável ao dos modelos mais recentes da companhia em rotas de longa distância estratégicas, como Londres, Tóquio, São Paulo, Buenos Aires e Sydney.

 A maior capacidade de assentos traz outro efeito. A American estima que a nova configuração melhorará a eficiência de combustível por assento em quase 8% ao final do programa. O ganho vem principalmente da diluição do consumo de combustível entre mais passageiros, e não de mudanças no próprio 777.

Flagship First deixa de existir

O retrofit também marca o fim da cabine internacional de primeira classe da American. O Flagship First não será mais vendido no 777-300ER para viagens a partir de 19 de novembro. A American também está retirando o produto de sua malha premium transcontinental à medida que mais A321XLR entram em operação, com vendas encerradas para viagens a partir de 28 de março de 2027.

A mudança faz da Flagship Suite, na classe executiva, o produto de bordo mais sofisticado da American. A decisão segue a tendência do setor entre as companhias dos EUA de ampliar e sofisticar a classe executiva, em vez de manter uma primeira classe internacional separada e reduzida.

A American anunciou pela primeira vez os planos de reconfigurar os 777-300ER em 2022. O cronograma original previa que os novos interiores premium começariam a aparecer em 2024, mas o primeiro avião entrou em serviço dois anos depois.

A companhia planeja reformar todos os 20 aviões, dando a uma frota entregue entre 2012 e 2016 um interior desenvolvido para a nova geração de aeronaves de longo curso da American.

A350-1000
A350-1000 | Airbus

Por que investir no 777 agora?

A decisão ocorre enquanto a American avalia, ao mesmo tempo, o que substituirá sua atual frota de 777 no futuro.

O CEO Robert Isom afirmou em junho que a companhia enviou um pedido de propostas à Airbus e à Boeing para uma futura encomenda de widebodies. A American espera começar a aposentar seus 777 durante os anos 2030 e já iniciou o processo de seleção devido ao longo prazo de entrega de novas aeronaves de grande porte.

Isso coloca modelos como o Airbus A350 e o Boeing 777X como possíveis candidatos para a próxima fase da frota de longo curso da American, embora a companhia não tenha detalhado quais modelos participam da disputa.

Atualmente, a American não tem encomendas para A350 ou 777X. Os compromissos widebody pendentes são para mais Boeing 787, que ampliam a frota, mas não substituem imediatamente todos os 67 Boeing 777 em operação.

O momento ajuda a explicar por que o investimento em cabine e a concorrência por novas aeronaves ocorrem simultaneamente. Mesmo que a American escolha outro widebody em breve, o atraso na produção faz com que aviões encomendados hoje só cheguem anos antes de toda a frota atual ser substituída.

Para os 777-300ER, o retrofit oferece uma cabine capaz de se manter competitiva nesse intervalo, sem obrigar a American a substituir aviões que ainda estão na metade de sua vida comercial potencial.

Boeing 777-200 da American (foto: Masakatsu Ukon)
Boeing 777-200 da American (foto: Masakatsu Ukon)

E os 777-200ER mais antigos?

A American enfrenta uma situação diferente com seus 47 Boeing 777-200ER. Eles têm média de 25,8 anos, mais que o dobro da idade média dos -300ER, e alguns datam do fim dos anos 1990.

Por isso, são os candidatos mais óbvios à aposentadoria à medida que a American inicia a renovação da frota de 777 na próxima década.

Ainda assim, a American também está investindo nesses aviões, em vez de deixar as cabines se deteriorarem enquanto aguarda substitutos. A companhia confirmou que os 777-200ER passarão por uma renovação de cabine, embora o programa seja diferente da extensa reconfiguração dos -300ER.

A decisão ilustra o desafio enfrentado pela American e outros grandes operadores de longa distância. Aeronaves que podem ter apenas alguns anos restantes na frota ainda precisam de cabines competitivas, especialmente quando há escassez, restrições de produção e longas filas de encomendas que tornam a substituição rápida de widebodies inviável.

A American afirmou que não há aposentadorias obrigatórias de aeronaves previstas para o futuro próximo, o que lhe dá flexibilidade para decidir quando cada 777 deixará a frota. Assim, a futura encomenda de widebodies poderá definir o ciclo de substituição de longo prazo, enquanto os investimentos em cabine permitem que os aviões atuais permaneçam comercialmente viáveis até que haja capacidade nova suficiente disponível.