O AN-124 é o segundo maior avião de carga do mundo (Eric Prado)

O AN-124 é o segundo maior avião de carga do mundo, atrás apenas do colossal AN-225 (Eric Prado)

Após desistir da parceria estratégica com a Embraer, a Boeing agora pode estar próxima de formar uma joint venture com a ucraniana Antonov. De acordo com a agência russa Riafan, as duas fabricantes estão em estágio avançado de negociações sobre um acordo de cooperação que pode resultar na criação de uma nova empresa de aviação na Ucrânia.

Antonov e Boeing vêm estreitando seu laços nos últimos anos. Em 2018, as duas fabricantes assinaram um acordo para o fornecimento de suporte logístico e a aquisição de componentes para as aeronaves da empresa ucraniana, que seriam asseguradas pela Aviall, uma subsidiária da Boeing Company com sede no Texas. Agora Kiev aparentemente quer expandir a parceria existente e levá-la a um nível superior.

Em entrevista à publicação russa, o embaixador ucraniano nos EUA, Volodymyr Yelchenko, confirmou as negociações em andamento entre os dois lados. “Recentemente, enviamos propostas de projetos em nome de Antonov à Boeing.”

Em suas declarações, Yelchenko apontou que a Boeing pode estar interessada, se não na produção em geral, em pelo menos em participação parcial nos programas de construção da Antonov, realizados na Ucrânia ou nos EUA.

“Acredito que o futuro de Antonov e de toda a indústria aeronáutica ucraniana depende muito da cooperação com a Boeing, consentida e apoiada politicamente por Washington”, disse o embaixador ucraniano.

Além disso, Yelchenko disse que a Boeing também está considerando produzir grandes cargueiros em cooperação com Antonov, uma vez que há uma demanda crescente por aeronaves de carga, a principal especialidade da fabricante estatal ucraniana conhecida por ter projetado o maior avião do mundo, o An-225 Mryia.

O programa AN-1X8 NEXT prevê atualizações para os jatos regionais da Antonov, como o AN-148 (Alex Beltyukov)

A Antonov está na disputa da aviação regional com os jatos An-148 – foto – e o An-158 (Alex Beltyukov)

“Nesse sentido, Antonov, é claro, tem muito a oferecer. Espero que cheguemos a acordos específicos, que podem incluir a criação de uma joint venture entre Antonov e Boeing. Eu gostaria muito de ver esses planos sendo implementados”, acrescentou o diplomata.

Saí Rússia, entra EUA

As linhas de produção da Antonov vem operando em ritmo bastante reduzido desde que o governo da Ucrânia baniu a importação de uma série de produtos da Rússia, entre eles componentes aeronáuticos, em resposta à anexação da Crimeia em 2017 pelo lado russo.

Mais de 60% dos recursos necessários para a produção de aeronaves da Antonov eram importados da Rússia. Parte desses componentes vêm sendo fornecidos pela Aviall desde 2018, com produtos fabricados nos EUA, Canadá, Israel e Europa.

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