Avianca toma medidas para se afastar de “irmãs” no Brasil e Argentina

Companhia aérea da Colômbia assume o nome “Avianca Airlines” e corta o licenciamento de marca da Avianca Argentina
Primeiro ATR 72 da Avianca Argentina decola
Primeiro ATR 72 da Avianca Argentina: empresa transportou 230 mil passageiros em um ano e meio

Segunda companhia aérea mais antiga do mundo, a Avianca Colômbia tem um nome a zelar no mercado. Para não continuar manchando sua imagem, a empresa está tomando medidas para se afastar de suas “ex-irmãs” problemáticas no Brasil e na Argentina.

Diretores da Avianca Holdings, grupo que controla a companhia colombiana, anunciaram nesta semana a rescisão do licenciamento de marca que era usado pela empresa argentina Avian Airlines, que atua no mercado como Avianca Argentina. Esse processo também está em andamento com a Avianca Brasil, operada sob licença pela Ocean Air.

Assim como a Avianca Brasil, em processo de recuperação judicial, a Avianca Argentina também pediu falência e está sem voar há dois meses. A situação da empresa argentina piorou em março após a paralisação da Avianca no Brasil, da qual ela dependia para receber mais passageiros.

“Temos um contrato de marca, mas somos empresas diferentes. A Avianca Holdings atua no mercado há quase 100 anos e a Avian Argentina acaba de começar há menos de um ano. Estamos trabalhando para explicar que a operação da Avianca Holdings continua normalmente (na Argentina), com voos para Bogotá e para Lima”, disse Silvia Mosquera González, vice-presidente sênior de vendas da Avianca Holdings, à imprensa argentina.

A Avianca Argentina começou a voar trechos domésticos há um ano e meio: o primeiro voo da empresa foi entre Rosario e o Aeroparque (Buenos Aires), em novembro de 2017. A companhia também operou em Mar del Plata, Río Hondo e Resistencia, utilizando uma frota com dois turbo-hélices ATR 72-60. A empresa chegou a receber um Airbus A320 para voos internacionais, mas com os contratempos financeiros não teve tempo de usá-lo.

“O caminho legal para a cessação do nome da Avianca começou porque é importante preservar a marca”, acrescentou Mosquera, observando que as dificuldades da Avianca da Argentina estão impactando negativamente os voos internacionais da Avianca Colômbia a partir de Buenos Aires, que inclui dois voos diários para Bogotá e outro para Lima. A partir da suspensão da operação da Avianca Argentina, as vendas de bilhetes nesses trechos caíram, revelou o executivo.

“Devido à incerteza e ao medo, as pessoas decidem não voar conosco. Da Argentina, muitos passageiros se conectavam através de Bogotá para ir ao Caribe e essa demanda nos derrubou muito. Tentamos compensar com outros pontos de venda para chegar à Argentina”, disse Mosquera.

A Avianca Cargo é uma divisão da Avianca Holdings (Divulgação)

“Avianca Airlines”

Sempre chamada de Avianca Colômbia, a empresa agora prefere ser chamada de “Avianca Airlines”. O nome vem sendo promovido pela companhia desde junho no intuito especial de afastar sua imagem da Avianca Brasil. A empresa colombiana chegou a estampar em seu site a frase “uma companhia aérea diferente da Avianca Brasil”.

A Avianca Airlines tem atualmente voos de Bogotá para São Paulo e Rio de Janeiro, além de Lima para São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O atendimento desses voos em aeroportos no Brasil antes eram realizados por funcionários da Avianca Brasil e hoje é feito por uma empresa terceirizada.

Desatando os nós da Avianca

As empresas que voam (ou voavam) com o nome Avianca não são necessariamente um grupo e cada uma opera de forma independente, embora aproveitem os benefícios de uma rede interligada.

A Avianca Holdings é a proprietária da Avianca Airlines, a divisão original criada na Colômbia em 1919. Esse mesmo grupo ainda tem operações em outros países pela América do Sul e Central, com empresas como a Avianca Peru e Avianca Honduras.

A Avianca foi a primeira companhia aérea das Américas e a segunda do mundo, depois da KLM (Divulgação)

Já a Avianca Brasil e a Avianca Argentina têm licenças para usar o nome Avianca e pertencem ao grupo brasileiro Synergy Group, que ainda tem participação majoritária na Avianca Holdings. E ainda fica mais complicado.

O maior acionista da Avianca Holdings, com 51% de participação, é o empresário brasileiro-colombiano Germán Efromovich. Ele também é o CEO do Synergy Group.

Efromovich, no entanto, perdeu o direito de votar no conselho de administração da Avianca Holdings em maio. O empresário foi suspenso do board depois de dar calote em um empréstimo da United Airlines, na ordem de US$ 456 milhões e que tinham como garantia ações da companhia.

Veja mais: Primeiro voo do Boeing 777X é adiado para 2020

 

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Sebastião
Sebastião
2 anos atrás

O Brasil de hoje tem nos feito muita vergonha pelo mundo todo e por diversos motivos. É a imagem de um país e de seu povo sistematicamente deteriorada, corroída. Uma empresa de outro país que seja respeitável e tenha um bom nome a manter internacionalmente, sabe o grande risco que é ter alguma relação de contratos negócios com o país do jeitinho e do calote.

Mauro Vendemiatti
Mauro Vendemiatti
2 anos atrás

Sebastião, não concordo com você. Existem muitas pessoas boas no Brasil e você está generalizando. Estive muito envolvido na questão da Avianca Brasil e posso afirmar que: 1) Enquanto estava sendo proveitoso a Avianca Holding usou e abusou da prima Brasileira; e 2) Foi a figura de uma pessoa, que não era Brasileira, que afundou a empresa e não foram os Brasileiros. Quando você fala que : – o BRASIL tem nos feito passar vergonha, você ignora que centenas de empresas e pessoas Brasileiras nos fazem ter muito orgulho.

Mário Sampaio
Mário Sampaio
2 anos atrás

Quando A Avianca da Colômbia estava no Chapter11 da Lei de Falências americana, o Efromovich comprou a empresa, fez uma injeção de recursos, capitalizou-a, reestruturou a frota, melhorou muita a administração e salvou a companhia. A imprensa da Colômbia o tratava como um herói que havia salvado a Avianca, que estava às portas da falência. Agora a situação mudou. Ele perdeu muito dinheiro em outros negócios e ao fazer uma fusão com a TACA ganhou um sócio, que devido a desavenças tornou-se seu inimigo. Pegou um empréstimo com a United e deu como garantia as ações da Avianca. Não pagou o empréstimo(dizem que de propósito) e perdeu as ações. Um cínico poderia dizer que vendeu sua participação por U$ 450 mi, o valor da garantia. Roberto Kriete ex-presidente da TACA tornou-se segundo maior acionista da Avianca e agora comanda a empresa. Um jogo de gato e rato entre homens de negócios. Nada de muito bonito

Carlos
Carlos
2 anos atrás

Não consigo ver diferença entre as Aviancas, já que a dona é a mesma, a Avianca Holding. É o mesmo que eu ser dono de uma lanchonete, um restaurante e uma kombi de fast-food, todos com o mesmo nome Ave Manca. Vendo vales do restaurante e, algum tempo depois, o restaurante quebra ficando com a parte podre da holding (todos as compras de insumo para o restaurante, para o lanchonete e para a kombi dos ultimos 5 anos), deixando um monte de clientes na mão. Quando os clientes vão reclamar na lanchonete ou na kombi, falo que, apesar de ser o dono do restaurante, a lanchonete e a kombi não tem nada a ver com o restaurante. Foi isto que aconteceu com a Avianca Brasil.

Alexandre
Alexandre
2 anos atrás

Só sei que e super triste, dificil e ver isso acontecer sem ficar com sentimento de revolta e sobretudo que as autoridades aeronáuticas dos países nao façam nada. Um monte de gente, clientes e funcionários ficaram a ver navios. Sempre e assim por aqui, mesmo sendo casos diferentes e so lembrar da Webjet a Bra, Varig, Trans Brasil, Vasp,,VERGONHOSO, o pior e que ainda não se entende porque a Avianca Brasil quebrou?, a operação era perfeita? um dos melhores serviços de bordo.

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