Bangladesh deu mais um passo em direção à aquisição do Chengdu J-10CE, com um representante do governo confirmando que um acordo preliminar para o caça chinês está sendo preparado antes do início das negociações formais com Pequim.

Zahed Ur Rahman, assessor do governo de Bangladesh, afirmou que o rascunho foi encaminhado à Divisão das Forças Armadas e aos ministérios competentes para aprovação. O processo também inclui a proposta de aquisição de helicópteros de ataque.

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Ainda não há contrato assinado e o governo não anunciou oficialmente o número final de caças. No entanto, documentos já divulgados pela imprensa local indicam que a Força Aérea planeja adquirir 20 unidades do J-10CE.

As estimativas mais recentes apontam que o programa completo deve custar cerca de US$ 2,3 bilhões. O valor supera em muito o custo das aeronaves, abrangendo treinamento, equipamentos operacionais, suporte técnico e logístico, transporte, seguro, impostos e infraestrutura.

Documentação anterior, divulgada em outubro de 2025, estimava aproximadamente US$ 1,2 bilhão apenas para os caças e US$ 2,2 bilhões para o programa completo de aquisição, com pagamentos distribuídos por vários anos fiscais.

Caça J-10CE do Paquistão (PAF)
Caça J-10CE do Paquistão (PAF)

Se concretizada, a compra fará de Bangladesh o segundo operador estrangeiro confirmado do J-10CE, atrás apenas do Paquistão, a menos que outro cliente potencial receba o caça antes.

O Paquistão segue como único cliente externo confirmado do modelo chinês, operando a aeronave sob a designação J-10C. O caça ganhou destaque internacional após o confronto entre Paquistão e Índia em maio de 2025, quando Islamabad afirmou que seus J-10 haviam obtido êxito em engajamentos contra aeronaves indianas.

Autoridades do governo de Bangladesh também citaram o desempenho do caça durante o conflito ao discutir a possível compra. As alegações sobre abates e perdas individuais durante os combates, porém, permanecem contestadas.

Um caça F-7 BGI de dois lugares da Força Aérea de Bangladesh (Md Shaifuzzaman Ayon)
Um caça F-7 BGI de dois lugares da Força Aérea de Bangladesh (Md Shaifuzzaman Ayon)

Substituição da frota de caças F-7

O J-10CE representaria um avanço significativo para a Força Aérea de Bangladesh em relação à maior parte de sua frota de combate atual.

As variantes chinesas do F-7 compõem a maioria dos caças do país, complementadas por um número bem menor de MiG-29 russos. O F-7 é um derivado chinês amplamente modificado do MiG-21 soviético e pertence a uma geração consideravelmente mais antiga que o J-10.

Bangladesh também avaliou alternativas ocidentais. O país demonstrou interesse no Eurofighter Typhoon, incluindo contatos com a Itália sobre o caça europeu, antes de o processo de aquisição do J-10CE chegar ao estágio atual.

A China já ocupa posição consolidada como fornecedora militar de Bangladesh, o que reduz parte das barreiras logísticas e de treinamento associadas à introdução de mais uma aeronave de combate chinesa.

J-10CE associado ao Uzbequistão
J-10CE associado ao Uzbequistão | Social media

Possível concorrência pelo segundo cliente externo

Bangladesh não é o único país recentemente associado a uma possível aquisição do J-10CE. O Uzbequistão tem sido cada vez mais vinculado ao caça, inclusive com imagens que mostram uma aeronave com marcas associadas ao país da Ásia Central. Relatos sugerem uma possível compra de até 24 aeronaves, embora nenhum contrato tenha sido oficialmente confirmado.

O caso de Bangladesh, porém, avançou mais publicamente. O reconhecimento do acordo preliminar pelo governo, somado a documentos já divulgados que identificam 20 aeronaves e recursos para o programa, oferece o sinal mais claro até agora de que Daca pretende avançar com a compra do caça chinês.