Bichos astronautas: conheça os animais que já foram para o espaço

Antes do homem ter tecnologia – e coragem –, foram enviados outros moradores do planeta Terra nas primeiras viagens ao espaço
Albert II foi o segundo macaco a viajar para o espaço, mas ele não sobreviveu a reentrada na atmosfera (Domínio Público)
Albert II foi o segundo macaco a viajar para o espaço, mas ele não sobreviveu a reentrada na atmosfera (Domínio Público)
Albert II foi o segundo macaco a viajar para o espaço, mas ele não sobreviveu a reentrada na atmosfera (Domínio Público)
Albert II foi o segundo macaco a viajar para o espaço, mas ele não sobreviveu a reentrada na atmosfera (Domínio Público)

O cosmonauta soviético Yuri Gagarin foi o primeiro homem a visitar o espaço, em 12 de abril de 1961, mas nem de longe foi o primeiro habitante da Terra a entrar em órbita. Muito antes de existir a tecnologia – e uma boa dose de coragem – suficiente para enviar seres humanos para fora do planeta, outros moradores de nosso mundo foram os pioneiros das viagens espaciais.

Cachorros, macacos, sapos, ratos, gatos, tartarugas, peixes, insetos e até um porquinho da índia visitaram o espaço antes dos homens para entender como formas de vida terrestres reagiriam no então perigoso e desconhecido ambiente espacial.

Havia todo tipo de medo e até então nenhuma resposta para esses temores, como as reações que a falta de gravidade e a exposição a radiação solar poderiam causar as formas de vida do planeta Terra. Para descobrir esses efeitos, foram enviados ao espaço os “bichos astronautas”, que na verdade eram cobaias.

No entanto, diferentemente das missões tripuladas por homens que aconteceriam durante a corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética, que eram de ida e volta, muitos dos bichos enviados ao espaço não retornaram.

Conheça a abaixo os casos de alguns dos mais célebres animais que entraram em órbita e também para história:

Moscas

O primeiro habitante da Terra que visitou o espaço, quem diria, foi um mosquito, mais especificamente as “moscas de fruta”, também conhecidas como drosophilas. No dia 20 de fevereiro de 1947, um foguete V-2 (que foi uma temível arma da Alemanha na II Guerra Mundial) decolou no Novo México, nos EUA, com uma capsula contento 100 moscas e atingiu 109 km de altura. O objetivo era observar os efeitos da radiação solar em órbita no corpo dos insetos. Após a rápida subida, a capsula com as moscas retornou ao planeta. Todas sobreviveram.

Macacos

Em 1948, os EUA iniciaram o “Programa Albert”, que foi responsável por enviar os primeiros mamíferos ao espaço, no caso macacos-rhesus. O primeiro macaco-astronauta, Albert I, foi lançado ao espaço em 11 de junho daquele ano, desta vez para um estudo mais amplo sobre os efeitos que uma viagem poderia causar a saúde dos bichos. O macaquinho, porém, morreu sufocado durante o lançamento. Três dias depois foi a vez de Albert II, que sobreviveu a viagem suborbital, mas também acabou morrendo no processo de reentrada na Terra.

O chipanzé-astronauta Ham foi um dos bichos que sobreviveu as primeiras viagens espaciais (Domínio Público)
O chipanzé-astronauta Ham foi um dos bichos que sobreviveu as primeiras viagens espaciais (Domínio Público)

Os testes com macacos, incluindo chipanzés, foram intensos até a década 1960, tanto em missões americanas como soviéticas. Muitos morreram no processo, mas também houve caso em que eles sobreviveram, como o chipanzé Ham. Argentina e Irã também já enviaram primatas ao espaço.

Cachorros

Durante as décadas de 1950 e 1960, a antiga URSS enviou 57 cachorros para fora da Terra. Considerados bichos que resistem a grandes períodos de inatividade, o melhor amigo do homem decolou para o espaço pela primeira vez em 22 de julho de 1951. Foi um voo duplo, com os cães Tsygan e Dezik. O mais famoso cão-cosmonauta, porém, foi a cadela Laika (um husky siberiano), que foi o primeiro ser terrestre a entrar em órbita – os voos até então eram sub-orbitais. A capsula que levou a cadelinha para fora do planeta em 1957, contudo, não foi projetada para retornar e acabou incinerada no processo de reentrada na atmosfera.

A cadela Laika foi o primeiro ser terrestres a realizar um voo orbital. A viagem, porém, foi apenas de ida... (Domínio Público)
A cadela Laika foi o primeiro ser terrestres a realizar um voo orbital. A viagem, porém, foi apenas de ida… (Domínio Público)

Gatos

Em 18 de outubro de 1963, a França enviou o primeiro felino ao espaço, o gato Felix – outras fontes afirmam que o gato era na verdade uma fêmea, chamada Felicette. O animal foi o único de sua espécie, até hoje, enviado para um voo suborbital.

A gata Felicette (ou gato Felix) momentos antes de ser acomodada na capsula espacial (Domínio Público)
A gata Felicette (ou gato Felix) momentos antes de ser acomodada na capsula espacial (Domínio Público)

O gato astronauta vivia nas ruas de Paris até ser “recrutado” para a missão, que tinha como objetivo estudar os efeitos da microgravidade no cérebro. O bichano, que viajou com eletrodos na cabeça, foi recuperado com vida.

Aranha

Arabella e Anita foram as primeiras aranhas a visitar o espaço. Em 28 de julho de 1973, os dois aracnídeos foram lançados pela Nasa, a bordo do foguete Saturn V, com destino à estação espacial Skylab 3, onde permaneceram por 59 dias. O objetivo da missão era observar se as aranhas seriam capazes de tecer uma teia no espaço, em um ambiente de microgravidade. E elas não decepcionaram os cientistas.

A aranha "Arabella" em sua teia espacial no Skylab 3 (NASA)
A aranha “Arabella” em sua teia espacial no Skylab 3 (NASA)

Anita acabou morrendo na estação espacial, pouco antes de retornar à Terra, enquanto Arabella morreu na cápsula de regresso, durante a reentrada na atmosfera. Os corpos das “aranhas-astronautas” estão em exposição no Museu Smithsonian, em Washington.

Tartaruga

Os primeiros seres terrestres que chegaram próximos a Lua foram duas tartarugas. Em 1968, o programa espacial da URSS enviou uma nave ao espaço para contornar o satélite natural e em seguida retornar a Terra em segurança. As tartarugas espaciais ainda tiveram a companhia de minhocas, plantas, moscas e bactérias. Em 1974, a experiência foi repetida. Nessa missão, os repteis ficaram em órbita por 90 dias, um recorde até então – para animais.

Sapos

Em 1970, a NASA enviou dois sapos-boi para uma viagem espacial de seis dias para analisar os efeitos da gravidade zero. Os anfíbios foram equipados com diversos eletrodos implantados cirurgicamente que enviavam em tempo real para a Terra as reações capturadas nos organismos dos bichos. A capsula que levou os sapos ao espaço possuía ambiente climatizado e um alimentador eletrônico. Os animais retornaram ao planeta são e salvos.

Os sapos-astronautas ficaram seis dias no espaço em uma espécie de estação espacial para anfíbios (NASA)
Os sapos-astronautas ficaram seis dias no espaço em uma espécie de estação espacial para anfíbios (NASA)

Porquinho da Índia

Em março de 1961, um porquinho da Índia foi lançado pela União Soviética ao espaço, junto com ratos, répteis e um cachorro. Os animais, porém, morreram durante a reentrada na atmosfera. Em 1990 foi a vez da China, que enviou os roedores junto com plantas. Felizmente, na missão chinesa os bichinhos sobreviveram.

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Agostino Della Cost
Agostino Della Cost
6 anos atrás

Tem vaga para um grande grupo que adora viagens, se vestem de vermelho e nao vao deixar saudade alguma para nos? O unico perigo sera a festa de ida deles (so de ida por favor). A festa sera tamanha que vai abalar as estruturas do Brasil!

Luanda Francine
6 anos atrás

Me impressiona a escolha por este tipo de narrativa esvaziada, que reforça a ideologia dos animais enquanto coisa. Um texto inteiro falando sobre animais, onde eles não aparecem em uma linha sequer enquanto alteridade, mas sim, apenas enquanto elementos de extensão da cultura antropocêntrica, com suas tramóias em busca pelo pódio, que age encobrindo e apagando os animais com a nomenclatura “cobaias” para a livre autorização de torturá-los em nome da, sempre, “grande causa”.

Um texto sem conflitos: “um record para animais”. Para animais? Ops! Será que eles marcavam competições entre si para ver quem conseguiria sobreviver mais tempo em órbita? Então vamos lá, o record, são para os humanos, que jogam os dados, e andam com os animais escravizados pelas casinhas do tabuleiro. Menos conflituoso ainda: acabou incinerada”, “acabou morrendo”. Um ajustezinho gramatical, um alteração verbal e pronto! Os animais que foram mortos PELA AÇÃO HUMANA, agora são os agentes de suas próprias mortes e não se fala mais nisso! It’s ok, this is part of the ideological game!

Bruno Latour, em Vida de Laboratório, compartilha sua etnografia realizada dentro de um laboratório. Ele foi estudar os próprios cientistas, e com isso, como se produz (enquanto escolha), as verdades científicas. Latour demonstra através da antropologia, que, “fatos científicos” não são uma entidade neutra e nem representantes, por essência, da verdade. Mas sim, são escolhidos, para serem representantes de verdades, conforme uma série de condições políticas, culturais, econômicas etc.

O jornalismo também opera enquanto um tipo de produtor de verdades e um texto superficial como esse, tantas vezes o é, porque está inteiramente implicado, sabendo ou não, com a complexa malha ideológica escravagista, que se autoriza a cometer diversos tipos de violências com animais (toleradas socialmente ou não), colocando os conflitos para debaixo do tapete.

Melhor não causar desconforto, né?

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