A Boeing realizou nessa quarta-feira (4) o primeiro teste de táxi com o protótipo do 737 MAX 10. O ensaio foi realizado na sede da fabricante em Renton, no estado de Washington, onde a família MAX é produzida.

As provas de táxi são uma das primeiras etapas no processo de certificação de uma nova aeronave. Os ensaios envolvem variadas manobras do avião em solo, incluindo a aceleração pela pista e testes de frenagem.

O voo inaugural do MAX 10 deve acontecer somente no final de 2020, enquanto as primeiras entregas são previstas para o segundo semestre do próximo ano. Até o momento, a Boeing tem pedidos firmes para 550 unidades da aeronave de 20 clientes, incluindo a Gol com uma encomenda de 30 jatos.

Como se sabe, os jatos da série MAX estão aterrados desde março de 2019, após o acidente com um 737 MAX 8 da companhia Ethiopian Airlines, na Etiópia. Essa foi a segunda tragédia envolvendo a aeronave da Boeing em menos de cinco meses – o primeiro acidente foi registrado em outubro de 2018, com um modelo da Lion Air, na Indonésia.

A queda dos dois 737 MAX é atribuída principalmente ao mau funcionado do software MCAS (Sistema de Aumento de Características de Manobra). Ao perceber que o avião estava levantando o nariz de forma acentuada, o sistema deveria corrigir automaticamente a posição. O equipamento, no entanto, atuou de forma descontrolada nos acidentes. Além disso, os pilotos das aeronaves acidentadas não eram treinados para lidar com esse tipo de situação.

A Boeing e a agência de aviação civil dos EUA (FAA) estão trabalhando em um novo processo de certificação da aeronave com as correções necessárias para torná-la segura. No informe mais recente sobre a série MAX, a fabricante norte-americana projetou o retorno da série MAX ao mercado para o segundo semestre deste ano, embora o FAA não tenha estipulado um prazo para liberar o avião.

Super-737

(Boeing)
(Boeing)

Apresentado de forma discreta pela Boeing em novembro de 2019, o 737 MAX 10 é o quarto e último modelo da série MAX. É também o maior 737 nos mais de 50 anos de história do bimotor fabricado nos EUA, com 43,8 metros de comprimento e capacidade para até 230 passageiros, além do peso máximo de decolagem de 89.765 kg.

Embora seja o 737 com maior capacidade de passageiros, o MAX 10 é a versão com menor alcance da família, de 6.110 km. O melhor modelo da série da série MAX no quesito autonomia é o MAX 7, projetado para percorrer até 7.130 km.

Por conta do maior porte, o 737 MAX 10 tem alguns detalhes exclusivos em relação aos demais modelos da nova geração. As principais diferenças são as portas de emergência extras no centro da aeronave, a asa modificada para redução do arrasto aerodinâmico a baixa velocidade e um conjunto de trem de pouso mais alto.

Sistema telescópico deve solucionar problema de altura do 737 MAX 10
Sistema telescópico deve solucionar problema de altura do 737 MAX 10

Como os outros modelos MAX, o maior membro família também é impulsionado pelos novos motores CFM Internacional LEAP-1B e possui winglets no formato “sharklet”. De acordo com a Boeing, essas tecnologias reduzem o consumo de combustível do 737 em até 20% comparado ao desempenho da geração anterior. Segundo a fabricante, o MAX 10 oferece o menor custo por assento de qualquer avião de corredor único já fabricado.

O 737 MAX 10 vai colocar a Boeing na briga direta contra o Airbus A321neo, hoje um dos aviões de corredor único de maior sucesso do mercado e que vem acumulando milhares de pedidos.

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