Aviões da British Airways e LATAM: tentativa de reduzir custos salariais em meio à pandemia (TJDarmstadt e BriYYZ)

A gravidade da situação do setor aéreo diante da crise causada pela pandemia do coronavírus não é segredo para ninguém, mas para algumas empresas ela tem sido uma oportunidade de reduzir custos que antes eram praticamente impossíveis em tempos normais.

É o que tem tentado (por enquanto sem sucesso) duas das maiores companhias aéreas do mundo, a British Airways e a LATAM. Ambas têm pressionado seus funcionários a aceitarem reduções definitivas em seus salários como condição para a manutenção dos empregos.

Trata-se de um posicionamento diferentes de outras empresas, que têm buscado acordos temporários diante da queda na receita, mas que se comprometeram a restabelecer as condições originais assim que a demanda voltar ao normal. Gol e Azul, no Brasil, estão nesse grupo, por exemplo.

A British Airways, maior companhia aérea de seu país, tem sido alvo de críticas no Parlamento do Reino Unido por sua tentativa de não apenas reduzir seu quadro, mas condicionar a permanência dos funcionários remanescentes a aceitar contratos de trabalho desvantajosos. Por isso, os sindicatos têm feito barulho no país para que a companhia aérea perca seus valiosos slots em Heathrow caso insista com esse plano.

Alex Cruz, CEO da BA, enviou um comunicado aos funcionários nesta semana lamentando a ameaça do sindicato Unite de propor uma greve diante do impasse na situação. “É decepcionante que a Unite esteja ameaçando essa ação. Saltar de uma posição de não envolvimento completo por quase três meses, para uma ameaça de greve, não faz nada para salvaguardar os empregos na British Airways. Nossa companhia aérea está enfrentando uma crise de pandemia e restrições globais de viagens. Greves não vão mudar isso”, disse o executivo.

A British Airways deverá apresentar os resultados financeiros do primeiro semestre na sexta-feira e Cruz disse que será a oportunidade para constatar a gravidade do momento.

Sem acordo com os tripulantes

No Brasil, a LATAM, que está em concordata no EUA, tem tentado sem sucesso reduzir os salários de pilotos e comissários de bordo de forma definitiva. Na proposta mais recente, a companhia aérea pretendia garantir os empregos por 18 meses com redução de jornada e salários desde que fossem aceitos valores salariais mais baixos em caráter permanente. Quase 90% dos funcionários rejeitaram a proposta, e o sindicato da categoria e a empresa voltaram à mesa de discussões.

Em comum, BA e LATAM Brasil teriam médias salariais mais altas que suas concorrentes, mas dificuldades de conseguir acordos para reduzir seus custos com mão de obra. No entanto, utilizar o expediente da pandemia do COVID-19 como forma de pressionar seus funcionários a aceitarem piores condições de trabalho tem sido visto como uma covardia.

Numa situação dramática como essa, seria de esperar que as duas empresas e seus funcionários chegassem a um acordo temporário para superar essa fase sob pena de não haver futuro para ambos.

Nota do editor: a LATAM enviou um posicionamento discordando da afirmação do artigo:

A LATAM Airlines Brasil esclarece que não procede a afirmação veiculada pelo portal Airway no parágrafo oitavo da reportagem “British Airways e LATAM usam pandemia para reduzir salários em definitivo”, publicada hoje (30/07/2020). Na ocasião, o portal Airway afirma que ‘utilizar o expediente da pandemia do COVID-19 como forma de pressionar seus funcionários a aceitarem piores condições de trabalho tem sido visto como uma covardia’. 


Diferentemente de um ‘expediente para pressionar funcionários’, a pandemia do COVID-19 representa a maior crise de saúde pública da história, que afeta drasticamente toda a indústria mundial da aviação. A LATAM é a companhia aérea no Brasil que mais remunera os tripulantes em voos domésticos e internacionais. Portanto, não se trata de oportunismo e sim de uma necessidade de equiparar seu modelo atual de remuneração às práticas do setor, haja visto que, historicamente, esta pauta tem sido objeto de negociação da empresa e a atual crise da pandemia torna esta medida ainda mais imprescindível para a LATAM poder preservar ao máximo os empregos e a sua sustentabilidade no longo prazo.”

Protesto do sindicato de funcionário da BA em Londres: “British Airways, pare de trair a Grã-Bretanha” (Unite)

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