A LATAM pretende ampliar suas operações em agosto, mas está atrasada em relação às rivais (Márcio Jumpei)

Após ser incluída no processo de recuperação judicial do grupo nos Estados Unidos, a LATAM Brasil anunciou nesta semana que planeja ampliar em 50% o número de voos de sua malha aérea em agosto. Com isso, pretende atingir 244 voos diários, o que significa um terço da média diária dentro do país antes da crise do coronavírus. A empresa, no entanto, admite que o aquecimento da demanda ainda é tímido e que por isso fortalecerá seus hubs em Guarulhos e Brasília.

Com isso, a companhia espera oferecer 37 destinos a partir de São Paulo e 28 a partir da capital federal. Para se ter uma ideia, a LATAM está operando cerca de 110 voos diários em julho, ou menos da metade da concorrente Azul.

A LATAM também confirmou que ampliará os voos internacionais entre agosto e setembro. Além de Lisboa, Madri, Frankfurt, Londres, Miami e Santiago, a empresa afirmou que reinicirá frequências para Lima, Nova York, México, Montevidéu, Buenos Aires (Ezeiza) e Assunção.

“Ao mesmo tempo em que continuamos nossa reestruturação financeira e garantimos o compromisso do acesso a mais de 12 bilhões de Reais pelo DIP (debtor-in-possession), sem a ajuda dos governos até o momento, a LATAM Brasil volta a acelerar e aumenta sua oferta de voos. Este é um sinal claro do compromisso da LATAM em permanecer como a principal companhia aérea do Brasil, agora e no futuro”, afirmou Jerome Cadier, CEO da LATAM Brasil.

A retomada da LATAM tem sido bem mais lenta que suas rivais diretas, a Gol e a Azul. Em junho, segundo a ANAC, a companhia aérea com sede no Chile transportou apenas 203,5 mil passageiros, com participação de 21,3% no market share. Enquanto isso, a Gol, com cerca de 120 voos diários, teve um volume cerca de 50% maior, com 310,8 mil passageiros, e a Azul liderou o mercado com quase 390 mil passageiros transportados (41% do mercado ). Neste mês, enquanto a LATAM oferece 110 frequências diárias, a Gol já realiza em média 250 decolagens e a Azul, 240 voos.

Rumores no mercado

A reação lenta da empresa e suas dificuldades em lidar com a queda brusca na demanda tem coincidido com fortes rumores no mercado financeiro que apontam para uma possível fusão com a Azul ou até mesmo a venda do braço brasileiro para a companhia de David Neeleman, segundo um relatório do banco Bradesco BBI nesta semana.

As duas empresas surpreenderam o mercado ao anunciar um acordo de compartilhamento de voos emergencial para otimizar suas operações. No entanto, declarações do presidente da LATAM foram interpretadas por alguns veículos de imprensa como a CNN Brasil como o princípio de um processo de fusão, o que foi negado por ambas as companhias aéreas. No entanto, tem sido cada vez mais frequente o surgimento de análises que enxergam a união entre as duas empresas como o caminho da sobrevivência no setor.

A percepção é que a divisão brasileira tem sido mal gerida pela cúpula chilena desde que foi absorvida na fusão com a TAM. A companhia, antes focada em qualidade de serviço e o público corporativo, fez uma guinada mal sucedida para o modelo de baixo custo e depois tentou voltar a atrair o passageiro disposto a pagar um ticket médio maior.

Uma potencial fusão com a Azul, entretanto, é vista como problemática por envolver interesses diversos, entre eles companhias rivais como Delta e United, que têm participação em ambas. Seria complicado encontrar uma divisão que agradasse a todos, por essa razão, a análise do Bradesco, divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, aponta a venda da LATAM Brasil como cenário de maior probabilidade de sucesso.

O banco estima que a venda custaria cerca de US$ 1,9 bilhão (quase R$ 10 bilhões) por meio de emissão de ações da Azul. Como a maior parte dos aviões do grupo está alocada com a matriz chilena, a companhia de Neeleman teria condições de ajustar a oferta de assentos ao mesmo tempo que o grupo LATAM receberia uma injeção de recursos importante para reequilibrar sua situação financeira e deixar a recuperação judicial.

Como contraponto, a união entre LATAM e Azul significaria a redução de competição no mercado e o domínio da suposta nova empresa aérea, com quase dois terço de participação. Algo que em tempos normais, o CADE (Conselho de Defesa Econômica) não aprovaria, mas que nesse cenário de incertezas poderia até ocorrer.

A união com a Azul continua a gerar rumores no mercado (Luis Alberto Neves)

Veja também: LATAM é incluída em processo de recuperação judicial da matriz