Um dos dois Airbus A330-200 (C-30) da Força Aérea Brasileira (FAB) foi visto dentro do hangar de manutenção da Azul no Aeroporto de Viracopos, em Campinas. O FAB 2902 está sem voar há quase um ano e não há até agora uma explicação oficial para a longa paralisação.
Uma imagem divulgada recentemente mostra o A330-200 em meio ao que seriam serviços de manutenção. O último voo conhecido do FAB 2902 ocorreu em 31 de agosto de 2025, segundo sites de rastreamento.
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A FAB dispõe de apenas dois C-30, que estão locados no 2º/2º Grupo de Transporte, o Esquadrão Corsário, e são utilizados principalmente para transporte de pessoal e carga em missões de longa distância, inclusive deslocamentos do presidente Lula.
O FAB 2902 é um Airbus A330-243, número de série 1508, que realizou seu primeiro voo em março de 2014. O jato foi originalmente entregue à Avianca Colombia, passou pela Avianca Brasil com a matrícula PR-OCK e posteriormente retornou à empresa de leasing Avolon. A FAB o recebeu em outubro de 2022.

A paralisação ocorre num momento de restrições orçamentárias na Aeronáutica. A disponibilidade de outros aviões militares brasileiros também tem sido afetada, incluindo parte da frota de KC-390 Millennium, que tem registrado utilização reduzida.
Compra feita às pressas
A história dos dois A330 da FAB começou em circunstâncias pouco usuais. O processo de aquisição foi conduzido durante a gestão do então comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, com a intenção de recompor rapidamente a capacidade de transporte estratégico perdida após a retirada dos KC-137, derivados do Boeing 707, e da devolução de um KC-767 (Boeing 767-300) arrendado.
AIRWAY mostrou na época que a licitação do programa KC-X3 recebeu uma única proposta, apresentada pela Azul S.A., holding controladora da Azul Linhas Aéreas. O contrato para os dois A330-200 foi assinado em abril de 2022 por cerca de US$ 80 milhões.

Havia ainda uma peculiaridade: os dois A330 oferecidos não pertenciam à Azul. Eram aviões de empresas de leasing que haviam sido operados anteriormente pela Avianca Brasil e pela própria Azul (PR-AIS).
O processo resultou nos atuais FAB 2901 e FAB 2902, recebidos ainda com interiores de aviões comerciais. A aquisição era apenas a primeira etapa de um projeto mais ambicioso.
Conversão para MRTT não saiu do papel
Quando anunciou a compra em abril de 2022, a FAB afirmou que iniciaria nas semanas seguintes negociações com a Airbus para transformar os dois A330-200 em A330 MRTT, versão militar capaz de realizar reabastecimento em voo, além das funções de transporte já disponíveis nos C-30.
Na ocasião, a previsão oficial era ter o primeiro avião convertido em operação em 2024, então conhecido pela sigla KC-30. O então comandante da Aeronáutica também chegou a dizer que a contratação da conversão ocorreria ainda em 2022.

Quatro anos depois, os dois aviões continuam essencialmente na configuração em que foram adquiridos. A FAB não anunciou a assinatura de um contrato com a Airbus para realizar a transformação, apesar de o fabricante continuar considerando o Brasil entre os clientes do A330 MRTT.
Sem a modificação, os C-30 não possuem os equipamentos necessários para atuar como aviões-tanque e são empregados basicamente como transportes de longo alcance. Isso mantém incompleta uma das principais justificativas apresentadas para sua compra em 2022.
A situação do FAB 2902 acrescenta outro problema ao programa. Com um dos dois C-30 parado desde agosto de 2025, a capacidade de transporte de longo alcance da FAB depende atualmente do FAB 2901, além dos KC-390, que são menores e têm características diferentes de alcance e capacidade.
